15 Julho 2009

Casa do Arrabalde branco 2007

Casa do Arrabalde branco 2007
Castas: Avesso, Alvarinho e Arinto - Estágio: cubas inox - 13% Vol.

Tonalidade amarelo citrino com ligeiro reflexo dourado.

Nariz de intensidade mediana, a fruta (pêra, maçã, citrinos, ananás) a mostrar-se bem madura com alguma calda presente a dar ligeira sensação de gulodice. Conjunto a mostrar-se fresco e com boa dose de elegância, algum vegetal fresco pelo meio com mineralidade a marcar o fundo, onde parece querer espreitar um ligeiro travo petrolado.

Boca a mostrar um vinho de corpo arredondado e de espacialidade mediana, conduzido por uma acidez bastante presente durante toda a prova. No seu todo é um vinho coeso, que mostra uma boa harmonia de conjunto, complementando-se com o que parece ser uma leve sensação de calda de fruta com o aumentar da temperatura de serviço, em final de boca de persistência média.

Um branco que se revelou como uma boa surpresa e que recomendo vivamente para este Verão, com um preço sensato a rondar os 6€. Acompanhou juntamente com a versão de 2008, uma paelha de lagostins.
15,5

Etiquetas: , ,

01 Julho 2009

Independent Winegrowers´ Association - Prova de Vinhos

A Independent Winegrowers' Association (IWA) realizou no passado dia 2 de Junho, no Hotel Ritz Four Seasons, a segunda prova de vinhos para a imprensa, realizada em Portugal.
Estamos perante um projecto sólido, que nasceu pela necessidade imperiosa de criar agrupamentos de empresas do sector vitivinícola que assegurem de forma mais eficaz a promoção conjunta dos seus produtos.
O alto standard de qualidade, a elevada consciência ambiental, uma produção totalmente vertical, reuniu na mesma iniciativa as empresas Casa de Cello, Domingos Alves de Sousa, Luís Pato, Quinta do Ameal, Quinta da Covela, e Quinta dos Roques. Trata-se de um Special Interest Group onde os membros participam em acções conjuntas mantendo a sua autonomia empresarial ou comercial.

Apresento algumas breves notas sobre alguns dos vinhos que tive a oportunidade de provar:

Casa de Cello

Quinta de San Joanne Espumante Reserva 2002
Lote de Arinto com Avesso, mostrando bolha fina com aroma a mostrar alguma complexidade, avelã, vegetal seco, torradas, algum mineral, tendo sinais de alguma oxidação. Boca de boa persistência com corpo consistente e equilíbrio no vai não vai, onde um sabor a limão envelhecido se destaca, com delicada sensação de cremosidade e frescura. Deu melhor prova no ano passado, é beber o que se tenha e esperar nova colheita. 15 - 15,5

Quinta de San Joanne Superior 2007
Alvarinho e Malvasia Fina, perfazem o lote do topo de gama dos brancos desta casa, contrariamente ao que seria de esperar encontro sempre neste vinho um conjunto pouco expressivo naquilo que seria de esperar, fruta madura com toques minerais suaves, e ligeira hortelã assim esbatida em fundo. Incompatibilidades quem sabe, mas são já bastantes garrafas bebidas e provadas a confirmar uma e outra vez a mesma sensação. 15,5 - 16

Quinta de San Joanne Vinho Verde 2008
Avesso e Loureiro, conjunto onde se sente mais a segunda casta, frescura com notas a lembrar chá branco, citrinos, tropical e floral/vegetal com mineralidade. Na boca tem acidez bem presente dando boa dose de frescura na boca, mediana espacialidade, citrinos bem presentes. 15 - 15,5

Quinta de San Joanne Escolha 2004
Avesso, Alvarinho e Chardonnay, fazem um vinho que se apresenta com ligeiro toque petrolado, fruto de evolução positiva em garrafa, capaz de mostrar ainda vida na fruta madura (tropical, citrino) que apresenta, floral e mineralidade. Boca prazenteira, com macieza e acidez mais domada, em corpo mediano. 15,5 - 16

Porta Fronha 2006
Tinta Roriz com Touriga Nacional, sem muita complexidade, apresenta aroma de licor de groselha com alguma cereja, frescura de aroma com compotas e violetas. Boca de concentração média /baixa, perfil frutado e com ligeira secura vegetal. 14,5 - 15

Quinta da Vegia 2006
Tinta Roriz com Touriga Nacional, onde se destaca a fruta madura que jorra por todo o lado, a par de notas florais que ajudam a perfumar o copo, mas com uma madeira a aconchegar de forma suave todo o conjunto, embora de mediana complexidade. Um vinho com a sua dose de complexidade mas sempre fresco, elegante e com algum sedução à mistura. 15,5 - 16

Quinta da Vegia Reserva 2006
Touriga Nacional com Tinta Roriz, Um vinho pleno de harmonia, entre fruta e madeira, não consegue esconder os seus encantos, conjuga madeiras e fruta de uma forma muito própria, com a volúpia das notas florais da Touriga Nacional que predomina no lote, sempre guiado com frescura bem por perto. É um daqueles vinhos que se pode apelidar de sedutor, muito elegante quer a nível do conjunto aromático ou na prova de boca. A não perder. 16,5 - 17

Alves de Sousa

Branco da Gaivosa Reserva 2007
É a segunda colheita deste branco, mostra-se bem melhor que a primeira colheita, com o ano e algumas orientações de adega que teve, para melhor, também a darem uma ajuda significativa. Apresenta-se digamos que guloso, cativante, simpático, a fruta madura e fresca envolvida naqueles toques derivados da madeira mas sem excesso. Depois é dizer o que se cheira e sabe, untuosidade, flor de esteva e anis, relva cortada e o pêssego, alia uma mineralidade que se comporta lindamente com as leves nota derivadas da madeira por onde passou. Comportamento em boca à altura da prova de nariz. 16 - 16,5

Alves Sousa Reserva Pessoal Branco 2005
É a nova colheita deste peculiar vinho, que me conquistou desde a sua primeira colheita em 2001, ainda falta tempo para sair para o mercado (final do ano), aparece menos glicérico e gordo do que nos acostumou, está bem mais fresco e leve na sua estrutura mas sem perder o carácter e cunho que o liga aos seus antecessores. 16,5 - 17

Quinta da Gaivosa 2005
Um clássico do Douro que já assistiu em colheitas anteriores a um ligeiro refinamenteo do seu perfil, onde antes as uvas eram transformadas em conjunto, agora são separadas por lotes permitindo assim refinar e optimizar a qualidade do produto final. Mineral deambulante por entre a fruta que se sente muito madura e empireumáticos de gabarito, tudo em grande harmonia e encerrando uma belíssima complexidade. Boca ampla mas composta, com ajustamento à prova de nariz. Um vinho com alma Douro. 17,5 - 18

Quinta Vale da Raposa Grande Escolha 2006
Touriga Nacional, Tinto Cão e Sousão, num conjunto com alguma austeridade no seu conjunto, mais uma vez um vinho que pede tempo, a fruta de caroço é madura, cerejas e vegetal com toques de chocolate preto (daquele com elevada percentagem). Boca apresenta ligeira secura vegetal, embora se apresente mais elegante do que a prova de nariz fazia esperar.
16,5-17

Quinta Vale da Raposa Touriga Nacional 2007
Uma Touriga fresca e especiada, mostra-se um pouco menos coeso que em anteriores versões, violetas com a fruta por vezes a parecer entalada pelas estevas do monte, madeira a dar refinamento e toque de alguma complexidade, num conjunto que apresenta ligeira austeridade. 16 - 16,5

Tinto Doce Colheita de Natal 2007
As vinhas velhas foram vindimadas a 21 de Dezembro de 2007, naquele que eu considero o vinho mascote da Alves de Sousa. Pela tonalidade faz lembrar um abafado tinto, com notas de marmelada, flores, alguma fruta em passa (ameixas, tâmaras) e tem um interessante toque de especiaria doce (canela, cravinho) num todo que se mostra acolhedor e bastante tentador, seja na prova que dá em nariz ou em boca. 16,5 - 17

Luís Pato

Vinha Formal 2008
Extreme da casta Bical, boa intensidade com toque vegetal/floral assente em fundo mineral, fruta branca (pêra e maçã). A madeira quase não se dá por ela, numa prova de boca com boa dose de frescura, aliada a uma mineralidade. 16 - 16,5

Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2006
De fina e requintada complexidade, madeiras enceradas com aroma de vegetal seco, fumado, mineral, especiado, tem um ligeira sensação de vinagrinho que percorre o final, ligado a um caramelo fundido muito suave. É daqueles vinhos que tem uma personalidade muito prórpia, aliás como se diz, vê-se pelo nariz. De evolução nobre durante toda a prova, finesse na boca, frescura muito sentida e assente em laje de pedra fria e húmida. Prova de boca complementa a prova de nariz na sua plenitude. Um grande vinho com muito muito tempo pela frente. 17,5 - 18

Quinta do Ameal

Quinta do Ameal Loureiro 2008
Um 100% Loureiro de grande frescura ao nível de aromas com claro domínio para as notas vegetais com louro em destaque, erva/relva molhada, fruta ligeira (tangerina e anona com uma incursão no campo do tropical) em fundo mineral. Boca plena de frescura, num conjunto jovem e cheio de vivacidade. 15,5 - 16

Quinta do Ameal Escolha 2007
Já com direito a passagem por madeira, este vinho alia a complexidade e arredondamento proporcionado pela madeira com a jovialidade e frescura da casta Loureiro. A beber agora ou a guardar sem receios, tendo em conta a excelente prova que dá de momento o Escolha 2004 (decanter). 16 - 16,5

Quinta do Ameal Espumante Arinto Bruto 2002
Aroma com notas de alguma evolução, palha e frutos secos, ganhou mais patine, flores e citrinos. Com corpo suficiente para acompanhar um bom peixe no forno. Sempre muito equilibrado e sério, boa intensidade ao nível de nariz e boca. 16 - 16,5

Quinta do Ameal Special Harvest 2007
Um vinho feito de uva da casta Loureiro passificada, com aroma a encerrar uma boa complexidade, notas de açúcar queimado, floral suave com toques de mel e alguma fruta (pêssego) em calda, juntamente com passas (tâmaras) a fruto seco (avelã), sentindo-se um conjunto com alguma frescura. Boca agridoce, alguma frescura que permite desfrutar sem enjoo prematuro, não tão presente em boca como seria de esperar. 16 - 16,5

Quinta da Covela

Covela Escolha branco 2007
Lote de Avesso e Chardonnay, a mostrar-se com boa intensidade, flores, fruta tropical e citrinos,vegetal fresco. A mineralidade é ponto assente no final. Complementa-se na boca, com subtil sensação de cremosidade ao início, espacialidade forrada pela refrescante frescura que apresenta, acabando com secura no final. Vinho de personalidade bem vincada, a descobrir. 16 - 16,5

Covela Colheita Seleccionada 2007
Avesso e Chardonnay, nota-se a barrica por onde se refugiou, resulta um vinho fresco com leve mineral, aliando o vegetal do avesso e a fruta da Chardonnay. Junta a cremosidade da Chardonnay aliada à boa dose de acidez do Avesso, em final de boca com sensações de tosta e alguma untuosidade num todo muito agradável. 15,5 - 16

Covela Escolha Palhete 2007
Muita fruta vermelha com o morango bem presente, sumarento, fresco e apelativo, a rama verde mostra-se a meio caminho com toque floral. Boca com corpo mediano, fresca, de boa presença frutada com plena sintonia com a prova de nariz. 16 - 16,5

Quinta dos Roques

Quinta das Maias Malvasia Fina 2008
100% Malvasia Fina, com aroma floral e muitos citrinos em companhia de um ligeiro arredondamento dado pelos 10% que fermentaram em barrica. Boca com toque docinho, a tal piscadela à cozinha mais oriental, retocada pela acidez limonada em espacialidade mediana. 15 - 15,5

Quinta dos Roques Reserva 2006
Fruta vermelha bem fresca e madura com notas de especiaria, flores e alguns toques a lembrar camurça. Boa envolvencia sempre com frescura e complexidade de bom nível, em fundo ligeiramente balsâmico/vegetal. Boca em sintonia com o nariz, frescura, elegância, alguma mineralidade com toques balsâmicos de fundo. 16,5 - 17

Queria deixar os meus parabéns por mais uma excelente prova que me foi proporcionada, com votos de um cada vez maior sucesso em futuras iniciativas. É para mim sempre um enorme prazer, poder privar com os produtores, mentores e criadores, de sonhos que se transformam em momentos de puro prazer. E quando esse prazer pode ser partilhado à mesa com amigos, ou simplesmente discutido, então só se pode deixar uma palavra de agredimento a todos.

Etiquetas:

24 Junho 2009

Niepoort Vintage 2007

Em prova coloco uma novidade, quem anda atento a estas "coisas" do vinho, saberá certamente que o mais recente Porto Vintage da Niepoort já está no mercado e foi alvo de prova em variados sítios da blogosfera nacional.
Optei deste modo por deixar de fazer a respectiva apresentação, pois sem dúvida será bem mais interessante ouvir essas palavras ditas pelo próprio Dirk Niepoort:




Este Vintage 2007 mantém a tradição da Niepoort de criar Portos equilibrados, com grande concentração sendo simultaneamente finos e delicados.

Depois de alguns Invernos severamente secos, o Invernos de 2006/07 foi adequado para recolocar as reservas de água no solo no seu ponto perfeito. Em 2007 as vindimas começaram na histórica adega de Vale de Mendiz em 14 de Setembro, 6ª feira.
Apesar de uma breve tempestade em 16 de Setembro e leves chuvas no final do mesmo mês, a vindima decorreu em condições excelentes. Os mostos em fermentação exibiam já cor muito carregada e densa, e uma acidez natural muito boa, evitando grandes correcções ácidas.
A nota de prova é a que se segue:

Niepoort Vintage 2007
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz e outras - Estágio: 2 anos em tonéis de madeira antigos - 20% Vol.

Tonalidade ruby bem escuro de concentração alta.

Nariz a perfilar um conjunto coeso, fresco e pleno de finesse, com aroma a mostrar muita fruta madura (futos do bosque, bagas), a gulodice da compota à espreita, especiarias doces (canela, cravinho), vegetal seco (esteva) a recortar com algum floral (violeta) em fundo mineral. Vai dando voltas numa toada oscilante entre o morno e o fresco, diga-se que muda como o tempo, morno de manhã e frio à noite, e o reboliço no copo torna este vinho frenético, despontando novos detalhes (toques de cacau fresco, chá preto e fumados) encerrados quase como numa caixa de pandora.

Boca com ataque de fruta madura e suculenta, quase no formato de tarte de frutos do bosque, com toques frescos, num todo coeso e que mostra harmonia ao lado de austeridade, quase como um colosso bailarino, dando passos ligeiros e elegantes, apesar de toda a sua opulência e magnitude. A sua passagem é por isso delicada mas sentida, com toques de bela vivacidade/frescura que tanta alegria transmite ao conjunto. Transporta na boca os aromas de nariz, sendo de igual modo amplo e complexo, mas ao mesmo tempo fresco e com ligeira secura vegetal no final de boca, de persistência alta.

Um vinho que com toda a complexidade que encerra, por vezes torna-se surpreendente a facilidade com que se nos dá a entender. Dá um prazer imenso se bebido agora, mas certamente se entenderá que está preparado para uma longa guarda, onde certamente irá brilhar novamente em altura própria.
18,5

Etiquetas: ,

22 Junho 2009

Esporão Reserva branco 2008

O Grupo Esporão, onde a Finagra S.A. passou a denominar-se Esporão S.A, renovou a identidade do vinho Esporão Reserva, no seguimento do rebranding dos produtos da Herdade do Esporão e que é agora divulgada com a nova colheita de branco 2008. José Pedro Croft foi o artista plástico convidado para ilustrar o novo rótulo, numa aliança entre o vinho e a arte, que desde 1985 representa o carácter único da marca Esporão.
Os elementos gráficos que compõem o rótulo de Esporão Reserva foram reorganizados, com o objectivo de enfatizar a marca, o nome do produto, a sua especificidade e o ano de colheita. A nova proposta visual, integrada e clara, permite a harmonia entre a identidade do vinho e a intervenção do artista.

O artista inspirou-se “na complexidade de aromas, sabores e cores que diferenciam o vinho Esporão Reserva para criar um rótulo exclusivo, de desenho geometrizado e policromático”

Recorde-se que, desde 1985, ano da primeira colheita de Esporão, mais de 23 artistas deram o seu contributo para os rótulos deste vinho intimamente ligado às artes: António Ole, Armando Alves, Artur Bual, Costa Pinheiro, Dórdio Gomes, Gabriel e Gilberto Colaço, Graça Morais, Guilherme Parente, João Hogan, José de Guimarães, José Manuel Rodrigues, Julião Sarmento, Júlio Pomar, Júlio Resende, Luís Pinto Coelho, Manuel Cargaleiro, Mestre Isabelino, Pedro Cabrita Reis, Pedro Calapez, Pedro Proença e Rubens Gerschman.

Esporão Reserva branco 2008
Castas: Antão Vaz, Arinto e Roupeiro - Estágio: Barricas novas carvalho francês e americano - 14% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de concentração média/baixa.

Nariz que entra com fragrância fresca e citrina (limão, toranja), com vegetal fresco (relva cortada) e novamente com fruta bem madura a fazer lembrar, banana, abacaxi, pêssego e melão, por algumas vezes a parecer envolto em calda. A barrica está muito bem trabalhada, não afagando a fruta mas sim compensando a mesma com uma belíssima base de apoio, permite sentir-se a frescura ao mesmo tempo que aporta baunilha e torradas. O tempo em decanter faz-lhe bem, tal como num copo largo para permitir que com o tempo exale aromas de flores brancas com fundo mineral

Boca com corpo bem delíneado e uma acidez a aportar bastante frescura que contrabalança com os toques derivados das madeiras por onde passou. Espacialidade média com a fruta ao nível de nariz a marcar presença, juntamente com vegetal fresco e mineralidade em fundo, de persistência final média.

Marca sólida ao longo dos tempos, que tem sabido refinar o seu perfil ao gosto dos consumidores, mas sempre sem perder a sua identidade. Bastante agradável neste momento, mas também dá segurança para uma guarda a curto/médio prazo. Será sempre um valor seguro no que toca a qualidade, com produção avantajada que permite o fácil acesso um pouco por todo o Portugal. Acompanha muito bem um leque variado de peixes no forno ou na grelha, desde a Dourada ao Bacalhau, podendo-se optar por uma salada de frango com molho de iogurte e cebolinho. 16,5

Etiquetas: , ,

19 Junho 2009

Bucellas & Collares 2007

Para comemorar os cem anos das regiões demarcadas de Bucelas e Colares, foi produzido um vinho branco em conjunto pela Companhia das Quintas e a Adega Regional de Colares, numa edição limitada de três mil garrafas, concebida a partir das castas emblemáticas das duas regiões: Arinto de Bucelas e Malvasia de Colares, que tem como objectivo transmitir a personalidade e excelência dos vinhos das duas regiões, surgindo assim o Bucellas & Collares, vinho branco regional Estremadura 2007.

Bucelas e Colares são duas das regiões demarcadas mais antigas do mundo, comemorando este ano 100 anos de existência.

Como referido, as duas castas escolhidas são bem características de cada uma das regiões, a casta Arinto amadurece de forma sublime, mantendo sempre excelentes níveis de acidez natural que resultam num excelente potencial de envelhecimento. A Malvasia é uma casta nobre e autóctone plantada em pé-franco, nos característicos solos arenosos da Região Demarcada de Colares e é vindimada no final de Setembro, apresentado um uva com excelente acidez e grande equilibrio aromático.
As castas fermentaram separadamente sem interferência de madeira de carvalho e foram posteriormente loteadas. A escolha de uma percentagem de 50% de cada uma das castas no lote final mostrou-se mais equilibrada e a mais reveladora do carácter das duas regiões.

Bucellas & Collares 2007
Castas: (50%) Arinto e (50%) Malvasia - Vinificação: Fermentação lenta a temperatura controlada durante um mês em cubas de inox - 12,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de rebordo esverdeado.

Nariz de belo recorte aromático, com fruta de cariz tropical com bastante citrino, alguma pêra e pêssego bem maduros. Desabrocha para notas de flores brancas e vegetal fresco, com bastante mineralidade em fundo, como que a servir de suporte a toda a estrutura, num conjunto que mostrar requinte, harmonia, delicadeza e frescura.

Boca a apresentar-se com uma estrutura mediana, de consistência suave e fresca ao nível da fruta, assente novamente numa bela dose de mineralidade. Nota-se uma acidez de sensações citrinas, que revigora e dá alguma secura ao vinho durante a sua passagem, drop de limão e um ou outro toque de vegetal fresco em companhia de flores brancas, colocando uma boa harmonia entre a prova de nariz e a prova de boca, com final de persistência média.

É caso para dizer Parabéns a você, nesta data querida, em que se teve a boa ideia de se lançar este belo vinho que tão condignamente representa as duas regiões. Um vinho onde as duas castas se abraçam numa união muito feliz, resultante um conjunto de fino recorte, fresco, harmonioso e com um ligeiro toque salgado derivado da influência Atlântica na casta Malvasia. Acompanhou umas postas de salmão grelhado com batata sauté.
16,5

Etiquetas: , , ,

18 Junho 2009

Soalheiro Primeiras Vinhas 2007

O vinho que agora coloco em prova é em meu ver um dos melhores vinhos brancos de Portugal, rivalizando com o que temos de melhor e obviamente que teria lugar marcado numa escolha tão apertada como por exemplo de 3 vinhos. O aviso já tinha sido feito com a colheita de 2006, com os resultados da primeira colheita de Soalheiro Primeiras Vinhas a mostrarem vontade e apetência para voos mais altos, assim o permitice a colheita, e em 2007 o pedido foi ouvido e a vontade tornou-se realidade.
Certamente não será obra do acaso, mas também vinhos com esta qualidade não é todos os dias que aparecem seja em que lugar for. Resta ao consumidor, regozijar-se com esta altíssima qualidade a um preço "louco" que ronda os 12-14€ em boas garrafeiras, e aqui convém lembrar que tantos outros vinhos que nem metade dos pergaminhos qualitativos que este apresenta, custam muito mais. Pode-se até mostrar o quão errado está a teoria defendida por muitos, que um vinho por ser "barato" não pode ter notas altas, em que aqui tudo é contrariado, o vinho em causa é na realidade mais barato que muitos outros e apresenta uma qualidade muito acima de tantos e tantos outros vinhos feitos em Portugal de preço bem mais elevado.
É de dizer que nunca o consumidor teve tanta facilidade de acesso a um vinho de alto gabarito como é este Soalheiro Primeiras Vinhas 2007.

Soalheiro Primeiras Vinhas 2007
Castas: 100% Alvarinho - Estágio: 15% fermentação em barrica usada - 12,5% Vol.


Tonalidade amarelo citrino de nuances esverdeadas.

Nariz de aroma refrescante e de belíssima intensidade, centrando-se numa fruta muito madura de altíssima qualidade, quase palpável, onde a tropicalidade do maracujá e abacaxi se misturam com a frescura dos citrinos. Todo o conjunto parece ser abraçado por uma fina e elegante mineralidade que balança com ligeiro vegetal fresco lá no segundo plano, desenvolvendo-se com tempo no copo e aumento da temperatura, uma sensação de untuosidade/cremosidade muito subtil. Um conjunto de belíssima sintonia e profundidade de aromas, mostrando uma complexidade fina e refinada, capaz de fazer as delícias dos menos atentos.

Boca de entrada fresca e mineral, com a fruta sumarenta a largar a alma de modo a que se entenda o que por ali vai passando. E se por um lado temos uma austeridade mineral a lembrar uma bancada de granito molhado, temos também o toque da acidez bem cítrica a acompanhar-nos durante toda a prova. Um vinho de aromas limpos e cristalinos, estruturalmente muito bem equilibrado e com uma animadora capacidade de evolução nos próximos tempos, revelando-se fresco e revigorante, saboroso e sedutor.

A qualidade está patente por todo o lado no que toca à prova deste Alvarinho de luxo, podendo ser consumido desde já ou guardado durante mais uns bons anos, a exemplo do Soalheiro Alvarinho. É uma compra mais que obrigatória, que se portou muito bem na companhia de uma boa variedade de bichos do mar.
18

Etiquetas: , , ,

17 Junho 2009

600 Altas Quintas 2007

É o novo vinho do produtor Altas Quintas (Portalegre), que invoca no seu nome a altitude onde estão situadas as vinhas que lhe dão origem, neste caso 600 metros.

600 Altas Quintas 2007
Castas: Aragonês e Alicante Bouschet - Estágio: n/d - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média.

Nariz perfilado nos aromas de fruta bem madura (morango, framboesa, amoras) e fresca, com toques de ligeira compota. No plano vegetal/floral surge mato rasteiro da Serra, rosmaninho, alfazema, alguma especiaria e um toque de caramelo de leite, com folha de eucalipto em fundo. Tudo bem ligado em mediana complexidade, num conjunto aprazível e bastante bem conseguido como tem vindo a ser apanágio da casa.

Boca de mediana estrutura, sente-se de imediato o toque macio da fruta ao lado do vegetal e das especiarias. Frescura que se interpõe entre as variadas sensações, com ligeiro toque de fumo em fundo e sem esconder uma pitada de bálsamo vegetal, em final de boca de persistência média.

Situado num patamar de entrada de gama, colocando-se abaixo do Crescendo, nota-se que o vinho não tem todo o potencial do referido, faltando-lhe mais "substância" mas que não inviabiliza uma belíssima prestação a sensivelmente metade do preço (4-5€).
15

Etiquetas: , ,

Casa de Canhotos Alvarinho 2008

Em tempos longínquos, num lugar chamado ''Canhotos'', foi construída uma casa que durante muito tempo foi a única a existir nesse lugar, e que a população apadrinhou de ''Casa de Canhotos''. Inicialmente a área adjacente, a esta casa, era formada essencialmente por campos agrícolas, mas com o passar do tempo, e com o aparecimento das várias Adegas Cooperativas, resolveu-se plantar vinhas como meio de subsistência para a região.
É com o decorrer dos anos que as próprias Adegas Cooperativas, tiveram que arranjar forma de ''bloquear'' quer a inscrição de novos sócios, como também a elevada oferta que tinham, e começaram a retrair nos preços que ofereciam às uvas.
Foi a partir deste momento que em Agosto de 2006, Fernando Rodrigues, avançou com uma marca de alvarinho, e pelo facto de a maioria das vinhas serem circundantes à Casa de Canhotos, viria a atribuir-lhe o mesmo nome da casa.
Em prova a terceira edição do Casa de Canhotos Alvarinho.

Casa de Canhotos Alvarinho 2008
Castas: 100% Alvarinho - Estágio: inox - 13% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de concentração média/baixa

Nariz fino e pleno de juventude, fresco com as notas maduras da fruta (maracujá, maçã, nêspera e citrinos) a integrarem-se com flores brancas, vegetal fresco (rama, erva). Complementa-se com um suave rebuçado/drop, em conjunto aprumado e com elegância, mostrando até com alguma sobriedade, com ponta mineral em fundo.

Boca de espacialidade mediana com entrada fresca, acidez limonada a proporcionar bela dose de frescura, sentindo-se ao mesmo tempo a fruta presente, e os toques da mineralidade. Mais uma vez o estilo é sóbrio e elegante, com frescura e um final de boca de persistência média.

Um Alvarinho que se mostrou um pouco melhor que na anterior colheita, um pouco mais expressivo por assim dizer. O preço torna-o muito convidativo, pois ronda os 5€. É sem dúvida uma boa aposta para os tempos quentes que se avizinham, onde a prova de nariz se complementa com a prova de boca. Com 10.000 garrafas produzidas, é pena que não se encontre mais acessível ao público em geral.
16

Etiquetas: , , ,

10 Junho 2009

Redoma Reserva branco 2006

Desde que apareceu no mercado na colheita de 1995, o Redoma Reserva tem vindo a marcar colheita após colheita a sua posição como referência de qualidade na região (Douro) e mesmo a nível nacional. O segredo reparte-se entre a mestria da equipa de enologia e as vinhas, situadas entre os 400 e os 800 metros, esta altitude fornece à vinha um crescimento mais fresco, (em particular durante a noite), e uma maturação mais longa. Todas estas vinhas têm mais de 60 anos, e três delas têm mesmo mais de 100 anos de idade.
Um vinho de culto, com produção a rondar as 6.000 unidades, com preço na casa dos 30€, tornam este vinho uma compra mais que obrigatória.

Redoma Reserva branco 2006
Castas: Codega, Rabigato, Viosinho, Donzelinho, Arinto e outras - Estágio: 8 meses em barricas - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo dourado de média intensidade com leve reflexo esverdeado

Nariz a mostrar um conjunto delicado, de boa intensidade aromática, onde a fruta madura (presença tropical com fundo citrino e alguma fruta de caroço) e fresca se combina em plena harmonia com uma madeira acolhedora e muito prazenteira, a dar uma sensação de cremosidade a todo o conjunto (baunilha suave, amanteigado, torrada), desenvolvendo para vegetal fresco, floral , chá branco em final ligeiramente a recordar pederneira.

Boca de entrada fresca, com a acidez bem encastrada no conjunto de boa espacialidade, dando uma frescura que acompanha toda a passagem de boca repleta de finesse, numa forma harmoniosa e prazenteira. Equilibrado em todos os aspectos, sedutor é o que se costuma chamar, apelativo e a juntar fruta de qualidade com vegetal fresco, alguma especiaria (pimenta branca) e um final com boa persistência em toques de mineralidade.

Quem provou a anterior colheita, não consegue ficar indiferente ao provar este 2006, que a meu ver se mostrou um pouco mais afagado no seu conjunto. Continua apesar disso, um belíssimo vinho, cheio de requinte e de detalhes que fazem dele um vinho delicado e muito apetecível. Mas se a dupla Dirk Niepoort/Luís Seabra em anos de excepcional qualidade já se sabe como trabalha, em anos menos bons o resultado é este.
17

Etiquetas: , ,

08 Junho 2009

Soalheiro Primeiras Vinhas 2006

Nos dias de hoje já se contam como mais de 25, os anos em que a marca Soalheiro surgiu no mercado, com as primeiras vinhas a serem plantadas nos anos setenta, por João António Cerdeira e seu pai António Esteves Ferreira, em solos graníticos a uma altitude que varia entre os 100 e os 200 metros.
Símbolo de qualidade e invejável consistência colheita após colheita, piscando sempre o olho a uma boa evolução em garrafa, a marca Soalheiro é hoje em dia uma referência no que toca a Alvarinho e mesmo quando toca a falar em brancos de qualidade produzidos em Portugal.
Foi no ano de 2006 que em resposta a um pedido de colaboração na elaboração de um Alvarinho com madeira, feito pelo produtor Luís Cerdeira da Quinta do Soalheiro, a Dirk Niepoort, que este aceitou com a condição de o fazer ao seu jeito.
E foi pegando nas uvas das primeiras vinhas plantadas na Quinta do Soalheiro, que surge no mercado pela primeira vez este Soalheiro Primeiras Vinhas 2006, um vinho que já conta com a colheita 2007 no mercado nos dias que correm. Por enquanto deixo a nota deste 2006:

Soalheiro Primeiras Vinhas 2006
Castas: 100% Alvarinho - Estágio: 15% fermentação em barrica usada - 13%

Tonalidade amarelo citrino de média intensidade com ligeiro rebordo esverdeado.

Nariz assente em boa dose de mineralidade, com fruta de qualidade e bem madura (pêssego, lichia, e algum citrino em vertente mais limonada) a surgir de imediato, ao lado de um rasgo de flores brancas que se juntam ao conjunto, de moderada exuberância. O vinho mostra-se com algum vigor, pleno de harmonia e frescura, com toque petrolado a contribuir para a delicada complexidade que apresenta. Com tempo vai-se acomodando no copo, parece que nos quer bindar com sensações de arredondamento, direi até de algum cheiro a torradas, mostrando sinais de fumo em fundo com sensações de pederneira.

Boca de entrada focada na mineralidade e na fruta, destacamdo-se bem mais os citrinos (laranja, limão), com a fruta de polpa branca a recair para o segundo plano. Mostra uma boa espacialidade, com passagem de boca revigorante e plena de jovialidade, em final de boca de persistência média/alta com apontamento mineral.

Para todos aqueles que já conhecem o vinho Soalheiro Alvarinho, encontram neste Primeiras Vinhas um conjunto mais delicado e um pouco menos directo, onde se constata uma maior profundidade de aromas e mesmo um refinamento mais delicado dos mesmos. O resultado é um Alvarinho luxuoso, que apetece beber mas que nos avisa que com o tempo em garrafa pode ficar ainda melhor, como é apanágio deste produtor.
Com um preço a rondar os 15€, este vinho torna-se uma compra mais que obrigatória, para a mesa ou para guardar.
17

Etiquetas: , , ,