Copo de 3

17 abril 2015

Villa de Corullón 2003


Álvaro Palacios é nome de culto no mundo do vinho, desde a família na Rioja para o Priorato onde se lançou em 1990 e ganhou estatuto de lenda, depois juntou-se ao sobrinho Ricardo Perez e catapultou para as bocas do mundo uma casta e a respectiva região até então meio desconhecida, a Mencía na DOC Bierzo. A aposta foi claramente nas vinhas velhas daquela região, nomes como Fontelas, Las Lamas, Moncerbal, San Martin ou La Faraona cedo ganharam estatuto entre os mais grandes, disputados pelos sete cantos do mundo, caros e raros. De entrada de gama o Pétalos de Bierzo, seguido deste Villa de Corullón nascido de três velhas parcelas entre os 60-100 anos, cujo preço ronda os 35€.

Não tendo sido dos melhores anos deste vinho, destaca-se no imediato a limpeza de aromas, fresco e muito puro na fruta (groselha, cereja, framboesa) com lavanda, alcaçuz, tudo bem delineado com madeira plenamente integrada. Bem perfumado com notas de violetas, especiaria de fundo, algum caramelo de leite a conferir sensação de arredondamento. Boca com muita presença e frescura da fruta, cheio de sabor e vivacidade, coeso, especiado no fundo com leve bálsamo. Muita elegância e equilíbrio num vinho de grande classe. 93 pts

Bridão Private Collection 2012

Breve incursão pelos vinhos da Adega do Cartaxo, que hoje em dia o termo Cooperativa parece ter sido colocado debaixo do tapete. Esta Adega situada no Ribatejo, tem vindo a remodelar a imagem da sua gama de vinhos. Por entre algumas das novidades, cabe a este Private Collection 2012 ser o primeiro aqui a surgir, porque foi o que mais gostei e porque também pelo rótulo é o que mais se destaca. No lote a meias ficam a Touriga Nacional com Alicante Bouschet, vinho maduro, concentrado e opulento, carregado de fruta madura com toque especiado. Boa a frescura que o rodeia, boa a complexidade e a facilidade com que cativa, diga-se que é daqueles vinhos que facilmente agrada sem ter muito que pensar, porque quem bebe vinhos não tem de perder tempo a pensar, bebe porque sabe bem e este vinho sabe bem, sabe muito bem. Na boca envolve o palato, macio, guloso, a madeira fez o seu trabalho e deixa a fruta brilhar, carnuda e saborosa, com aquele apontamento de especiarias novamente em fundo. O que fazer, gostei deste vinho e pelo preço que ronda os 8€ vale bem a compra. 90 pts 

15 abril 2015

Caves São Domingos Blanc de Blancs Bruto 2011

Já tinha aqui escrito sobre a colheita anterior deste Caves São Domingos (Bairrada), um Branco de Brancas desta vez da colheita 2011 feito a partir de Bical e Maria Gomes. Como já foi dito, este não será dos exemplares mais elaborados ou complexos deste produtor, como por exemplo o Lopo de Freitas, mas é um espumante de qualidade que se mostra elegante e fresco, flores brancas e fruta madura (maçã, limão) juntam-se num conjunto repleto de vivacidade e harmonia, nada cansativo mostrando-se com boa presença de boca, acidez que revigora o palato tornando-o muito versátil à mesa com preço tentador que ronda os 6€. 89 pts

14 abril 2015

Ripanço Private Selection 2013

Voltamos à afamada Casa Agrícola José de Sousa (Reguengos de Monsaraz), propriedade da José Maria da Fonseca, de onde nos chega este Ripanço Private Selection 2013. Este vinho é o resultado da união entre a tradição e história com a moderna tecnologia, o resultado é uma mistura entre o antigo e o moderno onde o que faz toda a diferença neste caso é a ter-se utilizado uma técnica (ripanço) que remonta à era dos Romanos. Assim, a chamada técnica do ripanço consiste no desengaçamento das uvas à mão com auxílio de uma mesa de ripanço constituída por várias ripas de madeira. O movimento das mãos dos trabalhadores pressionando ligeiramente os cachos faz com que os bagos de soltem e fiquem separados do engaço, como se pode constatar no vídeo aqui colocado. Esta terá sido a primeira maneira de desengaçar a uva, evitando assim a presença dos taninos duros do engaço que podem originar um excessivo e indesejado amargor no vinho.

O vinho foi elaborado a partir do blend das castas Syrah (48%), Aragonês (32%) e Alicante Bouschet (20%) que tiveram direito a estagiar durante 6 meses em barricas de madeira nova de carvalho francês e americano. O que se destaca no imediato é o seu aroma com muita fruta madura, muitas notas de groselha preta e ameixa, com algum tempo no copo evolui e ganha alguma complexidade com ervas de cheiro, café expresso num fundo onde a baunilha derivada da barrica aparece bem instalada. O conjunto é fresco e solto, com ligeiro nervo que lhe dá alguma garra para conseguir acompanhar pratos mais temperados, como por exemplo uma Lasagne Bolognese. De resto nada complicado neste tinto com boa presença de boca, sempre cheio de frescura, fruta que explode de sabor e se prolonga até ao final, onde a compota e a especiaria se despendem de nós. 89 pts

Publicado em Blend - All About Wine

11 abril 2015

Esporão Reserva 2012


São poucos os produtores de vinho de mesa em Portugal que se podem orgulhar de ter uma marca de sucesso com quase três décadas de presença constante no mercado, de facto vinhos como os da Herdade do Esporão são nos dias que correm verdadeiros clássicos da mesa dos Portugueses. Aqui na mais recente colheita que chegou ao mercado, o Reserva tinto 2012 mostra-se cheio de energia e vigor, fruta muito densa e bem madura envolta em frescura, a madeira por onde passou faz-se notar ligeiramente e a complexidade está ainda a começar a desenvolver-se. Na boca o vinho é amplo, conquistador, embora com taninos algo presentes que o remetem para um descanso na garrafeira por mais algum tempo. Para os que gostam destes encontros mais aguerridos então é abrir e servir a acompanhar prato de tempero forte, como um pernil de porco assado no forno. 92 pts

10 abril 2015

Pacheca branco 2014

Por vezes sem conta ouvi as histórias desta Quinta contadas pelo avô materno da minha mulher, homem do Douro com brilho nos olhos quando conta as histórias de outrora enquanto feitor da Quinta da Pacheca. Por lá viu como se foram plantando castas estrangeiras e sobre o seu olhar e as suas mãos, contou e tratou de inúmeras pipas de vinho do Porto que seguia para Gaia. Este branco serviu para recordar todas essas conversas, um branco na senda da renovação da imagem dos vinhos desta Quinta da responsabilidade da enóloga da casa Maria de Serpa Pimentel.

Um vinho da colheita 2014 que resulta de um alargado lote de castas do Douro, com frescura e muita fruta em tom tropical e citrino, algo limitado pelo espaçamento de aromas mas que acaba por ter boa presença. Na boca domina a acidez em harmonia com a fruta, leve rebuçado de limão com espevitar no final de boca. Apesar de tudo e face ao preço apresentado que ronda os 5€ esperava algo mais deste branco. 87 pts

09 abril 2015

simplesmente... Vinho 2015


Realizou-se nos dias 27 e 28 de Fevereiro a terceira edição do simplesmente Vinho. simplesmente… Vinho 2015 é um salão off, manifestação de nicho, independente e alternativa, que reúne na Ribeira do Porto, produtores unidos simplesmente… pelo Vinho. Num total de 36+1 vignerons que "invadiram" a Galeria Gadus Morhua, lugar pleno de inspiração e criação, juntamente com a Oficina de Arquitetura Integrada - SKREI de gente inspirada e inspiradora, onde conheci uma muito interessante reciclagem construtiva aplicada aos mais variados contextos.

Os produtores presentes, puros vignerons de respeito tanto pelas crenças como pela qualidade dos vinhos, dos mais variados terroirs, vinhas e castas, de Norte a Sul de Espanha e Portugal. Foram muitas e boas as surpresas, os reencontros e os encontros, tudo envolto em ambiente cool e num culminar de sonoridades pop e rock (Leo Parda e os Daltónicos, The Magnets) que nos ajudam a libertar o espírito em plena folia com os amigos presentes.

Quanto aos produtores e vinhos ali encontrados/provados/bebidos/descobertos irei dando conta calmamente e a seu devido tempo aqui pelo Copo, porque cada um deles merece ser falado como aquilo que é, simplesmente... Vinho.

Agradecimento especial ao João Roseira e ao Mateus Nicolau de Almeida pelo convite, acolhimento e pelo fantástico evento que criaram. Sois grandes.

Manual Técnico de Vinhos


Manual Técnico de Vinhos
(Turismo de Portugal, 2014, 15€)
Muitos vão dizer que todos os livros fazem falta, eu direi que uns mais que outros e que neste caso este Manual Técnico de Vinhos é daqueles exemplares que fazia e faz falta na biblioteca dos apreciadores de vinho.

Uma edição elaborada pelo Turismo de Portugal (Luís Lima, da EHT Estoril, João Covêlo, da EHT Porto, Paulo Pechorro, EHT Coimbra, e Luciano Rosa, da EHT Algarve) em parceria com a ViniPortugal contando com a colaboração técnica da enóloga Marta Galamba e do enólogo Carlos Freire Correia, este livro reúne informação técnica e prática sobre a produção e apresentação de vinhos, metodologia e técnicas de vinificação, a videira e o seu fruto, variedade de castas onde se faz uma abordagem às principais castas nacionais e estrangeiras, caracterização das Regiões Vitivinicolas Portuguesas...

Uma tiragem de 2.500 exemplares colocados à venda por cerca de 15€ apenas no Turismo de Portugal e nas Escolhas de Hotelaria, aqui apenas peca por escassa ou deficitária a maneira de como se pode aceder à sua compra. Uma loja online facilitaria em muito o acesso de todos os apreciadores de vinho a este livro que tanto tem para ensinar aos seus leitores.

31 março 2015

Gonzalez Byass Pedro Ximénez Muy Viejo

A Gonzales Byass foi fundada em Jerez no ano de 1835 por Manuel Maria Gonzalez quando tinha apenas 23 anos de idade. Uns anos depois entra na empresa um novo sócio então distribuidor no Reino Unido de seu nome Robert Blake Byass. O tempo passou e hoje a Gonzales Byass é apenas comandada pela quinta geração da família Gonzalez cujo grande legado dos seus antepassados resulta numa enorme quantidade de vinhos velhos de enorme qualidade. A empresa detém cerca de 800 ha de vinhedo com 95% Palomino e 5% de Pedro Ximenez, sendo este o único produtor de Jerez a produzir esta variedade. O processo de elaboração começa numa vindima tardia das uvas Pedro Ximenez que são submetidas ao processo do "soleo" onde se deixam as uvas sobre esteiras ao sol, neste caso foram 20 dias. O resultado final é um vinho extraordinariamente denso que irá passar mais de 30 anos na centenária Solera de Noé. Por ano apenas 2000 garrafas vêm a luz do dia, com preço de 55€ na loja do produtor. 

A pergunta inicial é quase sempre a mesma, o que esperar de um vinho com mais de 400 g de açúcar por litro? O melhor é apertar o cinto pois a experiência é sempre intensa, num vinho que se entranha e conquista de forma arrebatadora a nossa boca, todo o palato fica imediatamente refém. A complexidade aumenta conforme a qualidade e idade do vinho em questão, neste caso é um vinho com grande definição de aromas e sabores, com um balanço extraordinário de todas as componentes. Os aromas surgem por camadas com muito Bolo Inglês, as mais variadas frutas passificadas, caramelo líquido, café, caixa de charutos, muitas especiarias, muita frescura que aguenta todo o peso de forma brilhante. Boca poderosa, concentrado, muito saboroso, forra o palato, algum caril, toque do nougat, nozes, a doçura bem acompanhada por uma muito boa acidez, suave toque de nozes no fundo, longo e interminável final. Para acompanhar nada melhor que um fondant de chocolate ou uma bola de gelado de baunilha. Arrebatador. 95 pts
 
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