Copo de 3

25 junho 2015

BSE branco seco especial 2014

Este ícone das nossas mesas viu a imagem ser renovada e surge agora mais fresco que nunca, será até à data a melhor versão deste branco produzido desde 1947 pela empresa José Maria da Fonseca. Curiosamente este foi o primeiro branco da empresa, o lote tem sofrido os necessários ajustes face às exigências do mercado, sendo hoje composto pelas castas Antão Vaz, Fernão Pires e Arinto. O preço é uma das aliciantes a rondar os 4€, num vinho alegre e bem disposto, muita fruta embrulhada numa bela frescura de boca com final seco. Uma das suas mais valias é a polivalência que este vinho consegue ter à mesa. 88 pts

Covela Edição Nacional Avesso 2014

Este Covela Edição Nacional Avesso 2014 destaca-se pelos seus aromas muito puros e quase cristalinos, num toque floral muito perfumado onde a fruta se mostra em plano de destaque, muita frescura com nervo e mineralidade em fundo. Conjunto coeso, descomplicado, boca com grande vida e muito sabor, secura final a pedir mesa que foi o que sucedeu acompanhando com galhardia umas Ameijõas à Bulhão Pato. 90 pts

11 junho 2015

Covela Rosé 2014

Um dos melhores rosados feitos em Portugal já tem nova colheita colocada no mercado, o Covela Rosé 2014, feito a partir de Touriga Nacional que se vindima precocemente apenas para dar origem a este vinho. É um caso de sucesso que conquista pelo conjunto jovem, fresco e delicado, repleto de aromas e sabores muito detalhados, delicado floral com aquela frescura marcante. Palato equilibrado com o duo fruta/acidez com muito boa presença  e com aquela secura em final de boca que revigora o palato e lhe confere uma tão boa apetência gastronómica. 93 pts

29 maio 2015

Como nasce uma medalha...

É aqui que tudo se decide...
Muito se tem escrito e debatido sobre as famigeradas medalhas que habitam em rótulos e garrafas das mais variadas regiões. Durante este texto o que pretendo é contar a minha experiência e contributo num concurso que se realizou recentemente. Se a subjectividade da prova estará sempre presente da parte de quem prova com o gosto pessoal a ser determinante, o grau de exigência e responsabilidade exige que sejam tidos em conta factores como a coerência ou seriedade.
As duas salas estavam repletas de provadores, cinco por mesa onde um assume o papel de presidente de mesa e fica responsável por orientar o debate e recolher as respectivas folhas de prova de cada um dos elementos. Na mesa que me calhou apenas iríamos provar 23 vinhos entre brancos, tintos e vinho do Porto, para além de todas as mesas provarem também os três finalistas de cada categoria. Era cedo e o relógio já apontava para as 9 horas da manhã, à espera de serem provados estavam mais de 100 vinhos, daqui iriam sair os grandes vencedores com as respectivas medalhas do 4º Concurso de Vinhos do Douro Superior nas categorias de vinho Branco, Tinto e Vinho do Porto.

Em prova cega foram sendo servidos seis vinhos de cada vez, fomos entretanto informados que uma vez que havia pouco vinho para ser provado teríamos mais tempo para dedicar a cada ronda, óptimo. Para avaliar os vinhos que iam caindo nos copos apenas teria de utilizar o meu critério e pontuar mediante a escala colocada à disposição, sem necessidade de andar a somar pontinhos de visão, olfato... o que a meu ver dispersa a atenção de quem prova. Será normal que em mesas onde o critério seja mais amplo as notas sejam elas mais altas face a mesas onde o cunho apertado e exigente dos provadores se contrasta nas notas finais.

Os primeiros seis vinhos foram brancos, as evidentes diferenças entre eles dariam azo a grande discussão entre os provadores da minha mesa com as diferenças pontuais no final a não divergirem muito face aos vinhos que tinham sido apresentados. Discussão que se iria prolongar pelas restantes rondas, duas de tintos e uma de Porto com quatro Vintages. Com os dados lançados e as pontuações atribuídas, seria altura de uma pausa e no regresso estavam à nossa espera a ronda dos finalistas, os três melhores vinhos apurados de cada tipo. Desta vez apenas se pediu para colocar na folha de prova por ordem de preferência, colocando o número 3 para o que se gosta mais e o 1 para o que se gosta menos. Os resultados apenas seriam divulgados no dia seguinte, com algumas surpresas e outras confirmações, desta forma nasceram os grandes vencedores do 4º Concurso de Vinhos do Douro Superior organizado pela Revista de Vinhos.

Os grandes vencedores: Bons Ares branco 2013, Duorum Reserva 2012 e Ramos Pinto Ervamoira Vintage 2005

27 maio 2015

Volúpia branco 2014

É a faceta mais inovadora deste produtor, o Volúpia 2014, que vem embrulhado numa das obras da poetisa calipolense Florbela Espanca. Invocando a voluptuosidade e sedução, desejo e sabor, busca de harmonia e prazer de beber uva branca. Um desejo de amar perdidamente, amar só por amar, aqui e além. Seria assim que Florbela Espanca definiria este vinho branco cheio de poesia, carregado de sensualidade e irreverência, profundamente pessoal e feminino. Composto por Sauvignon Blanc (50%), Chardonnay (35%) e Maria Gomes (15%) provenientes da Carregosa com apenas passagem por inox. O resultado é diferente, de aroma complexo e muito fresco, perfumado e cheio de notas de fruta muito madura, limpa e que apetece trincar. É acima de tudo um vinho de perfume delicado, cativador, com uma prova de boca onde conjuga volume com frescura de forma graciosa. Custa coisa de 4€ e tem acidez e estrutura que lhe dão a capacidade de acompanhar pratos de tempero mais oriental, ou que se deixe brilhar a acompanhar as mais variadas tapas ao final de tarde no terraço. 90 pts

São Domingos branco 2014

O São Domingos branco 2014 mostra-se fiel ao perfil Bairradino com o lote a ser dominado pelas locais Maria Gomes (80%) e Bical (20%). As uvas oriundas de S. Lourenço do Bairro, Vilarinho do Bairro e Ventosa do Bairro, criadas em solo areno-argiloso deram origem a um branco apenas com passagem pelo frio do inox. Aroma muito limpo com fruta em evidência, citrinos, polpa branca, flores a dar perfil cheiroso em muito boa envolvente tanto em nariz como na boca. Boa presença no palato, fruta limpa a fazer-se sentir, mostra alguma garra com alguma secura mineral de fundo. O preço ronda os 2,50€ , acompanha marisco, um peixe-espada no carvão ou até mesmo uma sopa de peixe. 88 pts

26 maio 2015

Real Companhia Velha Séries Samarrinho 2013


Após um aprofundado estudo, liderado pela equipa de viticultura, descobriu-se que a casta Samarrinho era uma presença incontornável nas Vinhas Velhas do Alto Douro. Pedro Silva Reis, presidente da Real Companhia Velha, acredita que a Samarrinho pode mesmo tornar-se numa referência para os brancos da região, pelo que a empresa decidiu já avançar para um processo de apuramento clonal que está a ser desenvolvido com o Instituto Superior de Agronomia. O problema é, para já, o material genético existente — que se encontra em acelerado processo degenerativo — se mostrar muito sensível a doenças como o desavinho e bagoinha, o que fez com que se perdesse toda a colheita de 2014.

Um vinho único e raro, apenas foram produzidas 860 garrafas, de uma uva até hoje desconhecida e que nos vem demonstrar todo o potencial que Portugal tem para se afirmar no mundo dos vinhos pela diferença e identidade muito própria dos seus vinhos. Este Samarrinho prima pela diferença com um carácter vincado, nariz de grande definição que mistura fruta de polpa branca com fruta de caroço, mel, muita frescura, flores, com algumas semelhanças a exemplares da casta Riesling. Na boca é marcado pela frescura, em corpo mediano que se funde com boa untuosidade, fruta em calda, fundo mineral e seco a mostrar-se com nervo e sem esconder boa apetência para evoluir em garrafa. Difícil encontrar face à escassa produção, com preço a rondar os 14€. 93 pts.

Colecção Privada Domingos Soares Franco Moscatel de Setúbal 2004


Nasceu na José Maria da Fonseca fruto de uma investigação que durou cinco anos de ensaios com quatro tipos distintos de aguardente: neutra, Cognac, Armagnac e 50/50 Cognac Armagnac. Resultado foi que prevaleceu a escolha no Armagnac pela subtileza, frescura, complexidade e harmonia que mostra durante a prova. O envelhecimento é feito em cascos de madeira usada, sem estágio posterior em garrafa pois não evolui após o engarrafamento.

Sem ter todo aquele porte mais denso e melado que os exemplares mais velhos e de categoria Superior, este Coleção Privada Domingos Soares Franco 2004 banhado em Armagnac mostra-se fresco e delicado, ao mesmo tempo que desperta o lado mais guloso. Muita tangerina, caramelo, alperce, tília, muito bem composto com um palato forrado de sabor, elegante e suavidade da fruta com caramelo e calda de laranja, acidez muito presente até final. Despedida longa e persistente, numa belíssima harmonia entre as sensações tanto do aroma como do palato. Para mim que sou guloso é parceiro ideal com uma torta de laranja. 94 pts

21 maio 2015

Em semana cheia de comemorações das mais variadas, fica aqui a modo de pequeno lembrete que o Copo de 3 comemora o seu 10º Aniversário Online.

Uma nota de agradecimento a todos os que durante estes 10 anos por aqui passam e a todos aqueles com quem tenho o gosto de partilhar umas garrafas à mesa. Obrigado.
 
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