Copo de 3: Janeiro 2006

31 janeiro 2006

PROVA Quinta da Leda 2000


Mais um vinho do Douro, da prestigiada Casa Ferreirinha é provado o Quinta da Leda 2000, como curiosidade foi a última edição deste vinho com a garrafa Borgonhesa que tão bem lhe ficava, na colheita de 2001 mudou-se para uma garrafa Bordalesa o que também levou a mudanças no rótulo.

Com 13,5% e elaborado com as castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca e Tinta Roriz. Mostrou uma bonita tonalidade granada escuro de concentração média/alta apresenta-se no nariz de intensidade média com aromas a fruto vermelho e negro compotado, aromas vegetais, baunilha, tabaco e ligeiro toque de fumo, chocolate e ligeiro balsâmico final a dar alguma frescura ao conjunto que se mostra afinado e muito elegante.

Na prova de boca temos um vinho de corpo mediano, equilibrado e fino na boca com presença de fruta, torrado, chocolate e cafe com ligeiro balsâmico no final de boca, acidez a dar uma frescura notável num vinho redondo na boca, sem arestas e muito polido. um pouco guloso e ao mesmo tempo elegante e extremamente apetecível com uma persistência final média. É colheita após colheita um vinho com uma qualidade consistente sempre ao mais alto nível... um belo exemplo do Douro, com um preço de 22€

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PROVA Quinta da Touriga Chã 2001

Do Douro sai este vinho do produtor José Rosas - Quinta da Touriga Châ que foi um caso de sucesso logo na primeira edição de 2001 aqui provada.
Elaborado com 80% de Touriga Nacional e 20% de Tinta Roriz, o vinho apresenta-se com 13,5% e uma tonalidade granada de concentração media/alta.
Mostrou-se com boa intensidade aromática com entrada de fruta em compota, floral (violetas), leve vegetal (chá), tudo muito bem interligado com as notas do estágio em madeira a aparecerem com o tempo, baunilha, tabaco, chocolate preto, leves torrados, num vinho que se mostra fresco de aromas e com um ligeiro balsâmico no final.
Na prova de boca mostrou-se com corpo médio, presença de fruta em compota, cafe, chocolate preto, tudo em muito boa harmonia de conjunto, suave e fresco com final balsâmico de persistência final média/alta, uma boa harmonia entre nariz e boca num vinho elegante e suave, a mostrar a categoria da zona que o viu nascer... com um preço a rondar os 22€
17,5

28 janeiro 2006

PROVA Quinta dos Carvalhais Reserva Bruto Rosé 2001

Do famoso produtor do Dão, Quinta dos Carvalhais, sai este espumante rosé feito com 60% Touriga Nacional proveniente da Vinha da Coleclão e 40% Encruzado vindo da Vinha das Mimosas sendo a vindima a 28 de Setembro de 2001, dia 12 de Julho de 2002 foi feito o engarrafamento e em 27 de Outubro o degorgement que é a operação que permite a eliminação das leveduras existente em garrafa e a substituição da cápsula metálica provisória pela rolha definitiva típica do espumante.
Com 12,5% a garrafa provada foi a nº 1122 de um total de 3000 produzidas.
Apresentou-se com uma tonalidade salmão pálido com bolha fina e sem ser constante, na prova de nariz mostrou-se frutado com presença de fruta vermelha (morangos), rebuçado, toque floral (violetas) acompanhado de algumas especiarias (canela) acaba com um final ligeiro e mineral.
Na boca mostrou-se ligeiro de corpo ligeiro, suave, com presença da fruta vermelha, leve mineral e alguma ponta de frutos secos.
Destaque para o bonito conjunto da garrafa/rótulo de um espumante que se mostrou muito certinho, com qualidade e muito afinado a dar uma prova interessante mas sem grandes euforias.
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PROVA Falcoaria Fernão Pires 2002

Das terras do Ribatejo, pelo produtor Casal Branco sai este Falcoaria elaborado com a casta branca Fernão Pires, sendo que uma percentagem do lote é fermentado em barricas novas de carvalho Francês com posterior estágio de 6 meses sobre as borras, acompanhado de batonnage.
Com 12,5% apresenta-se com uma tonalidade amarelo dourado de média concentração e ligeiramente glicérico .
No nariz mostrou boa intensidade aromática, com fruta e floral em destaque, surgindo baunilhas e leve torrefacção com um bom equilibrio entre madeira e fruta.
A prova de boca mostrou corpo médio/fraco, suave e delicado com fruta presente associado a uma leve untuosidade na boca, acidez presente a dar frescura com final de persistência média com final ligeiramente mineral.
Um vinho muito agradável, fino de aromas e a dar uma bela prova, com um preço de 3€ torna-se uma bela aposta para o dia a dia.
15,5

PROVA Dolium Escolha Antão Vaz 2004

Do produtor Eborae Vitis e Vinus e pelas mãos do enólogo Paulo Laureano, feito com a casta Antão Vaz sai este Dolium Escolha 2004.
Para quem não sabe Dolium significa talha de barro em latim, mas apesar do nome o vinho tem estágio em madeira nova de carvalho francês com 8 meses de bâtonnage que é uma técnica usada na elaboração dos vinhos brancos fermentados em cascos novos e que consiste no removimento periódico das leveduras que se depositam no fundo dos cascos após o desenrolar da fermentação alcoólica. Este processo, que se pode estender por alguns meses, enriquece o vinho aromaticamente, permite uma clarificação natural e previne a oxidação.
Apresenta-se como uma tonalidade amarelo dourado de rebordo levemente esverdeado e glicérico.
No nariz mostrou boa intensidade com entrada a fruta (ananás, pêra, melão) acompanhado de alguma baunilha, ligeiramente amanteigado no aroma, toffe, toque torrado de fundo em conjunto com alguma frescura presente e final ligeiramente especiado.
Na boca mostrou-se de corpo médio, suave no palato, untuoso e guloso e que apetece beber, equilibrado entre nariz e boca com acidez a dar alguma frescura ao vinho.
16,5

PROVA Grandjó Late Harvest 2002

Vinho elaborado pelo produtor Duriense , Real Companhia Velha este Colheita Tardia é feito a partir da casta Semillon, a mesma casta que serve de base aos famosos Sauternes sendo que a uva é atingida pela podridão nobre (Botrytis cinerea).
Este vinho com 13% de graduação, 20% do vinho teve estágio em barricas novas durante 8 meses, com uma bonita tonalidade amarelo dourado, leve cobreado e glicérico.
Mostra intensidade de aromas, com destaque para fruta onde a laranja se destaca em conjunto com mel e um toque floral, algumas notas de chá, líchias e um suave toque de verniz, tudo muito fresco e agradável.
Na prova de boca é de corpo médio, acidez a dar uma frescura muito bem colocada, fruta presente, um toque doce lembra mel, ligeiro mineral, final de boca longo e fresco com a lembrança de chá.
Mostrou-se em grande forma bastante equilibrado e muito bom nível, um grande Colheita Tardia de Portugal.
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27 janeiro 2006

PROVA Mouchão 2000

Das terras de Sousel do produtor Ann W. Reynolds e Emily E. Richardson sai este vinho que dispensa apresentações tal a qualidade e fama que emana dos seus rótulos ano após ano. O vinho em prova é um Mouchão 2000 elaborado com 85% Alicante Bouschet, 10% Trincadeira e 5% de Aragonez, Castelão e Moreto, teve estágio em carvalho francês.
De tonalidade granada escuro de concentração média/alta e 13,5% mostrou-se com intensidade aromática mediana com entrada a fruta madura (amora, ginja, framboesa) com ligeira compota, leve vegetal aliado a um ligeiro e fresco balsâmico (eucalipto), presença de baunilha e com a evolução no copo surgem ligeiros torrados, caramelo, ligeiro tabaco (cachimbo) em conjunto com pequenos toques de café, chocolate e um final que lembra bombom de licôr com ligeiro mineral, tudo muito equilibrado e em grande harmonia sem que algo esteja em excesso, bem a nível de aromas mas um pouco tímido.
Na prova de boca entrada fresca, leve vegetal, presença de fruta madura, ponta de chocolate com algum bombom de ginja e balsâmico a dar frescura juntamente com ligeiro mineral de fundo, que dá uma persistência final média/alta ao vinho.
Apesar de proporcionar uma boa prova, o vinho mostra-se muito equilibrado e suave, tem bons aromas mas equilibrado e delicado em demasia, faltou algo mais na prova de boca que já mostrou em provas anteriores, esperava mais deste vinho que custou cerca de 23€ e não mostrou grandes atributos para o merecer.
16,5

26 janeiro 2006

Um Copo de 3 de Castelão

Castelão a Rainha das Areias
Um das variedades tintas mais amplamente cultivadas em Portugal, a Castelão encontra-se no Alentejo, Estremadura, Setúbal e Ribatejo onde é chamado pelo nome regional de João de Santarém.
Porém, esta casta nacional provavelmente é conhecida melhor pelo seu apelido Periquita nome que adquiriu devido à associação ao nome do vinho Periquita, uma marca do produtor José Maria da Fonseca.
Na recente revisão das castas em Portugal o I.V.V. decidiu por ordem na sinonímia das castas nativas portuguesas e ficou definido que a casta se chama Castelão, com excepção da sub-região Santarém, na região DOC Ribatejo onde mantém o nome de João de Santarém.
A uva e o vinho
Os melhores vinhos, provêm geralmente da Península de Setúbal e são carnudos, equilibrados, possuem armas quentes a frutos e ervas silvestres e apresentam um elevado potencial de envelhecimento.
É considerada uma casta com uma produção irregular: tanto produz muito, originando vinhos concentrados de cor ruby e com elevada graduação alcoólica, como produz pouco dando origem a vinhos com pouca cor, acídulos e delgados. Quando jovens, os vinhos desta casta apresentam frequentemente fortes aromas de framboesa, com o estágio os vinhos assumem por vezes uma característica metálica.
É uma casta que se costuma utilizar muitas vezes em vinhos de lote, mas algumas zonas elaboram varietais a partir da mesma. Os melhores vinhos, provêm geralmente da Península de Setúbal e são carnudos, equilibrados, possuem armas quentes a frutos e ervas silvestres e apresentam um elevado potencial de envelhecimento.
Como bons exemplos desta casta temos os vinhos dos produtores Casa Ermelinda Freitas e Hero do Castanheiro, ambos da zona de Setúbal.
SINONÍMIA
Bairrada: Periquita, Trincadeira
Ribatejo: Periquita, Trincadeira, João de Santarém, Castelão Francês
Alentejo: Periquita, João de Santarém
Algarve: Periquita, Trincadeira
Cartaxo: Mortágua de Vide Branca
Torres Vedras: João de Santarém e Setúbal
Santa Marta de Penaguião: Tinta Merousa
Alenquer: Bartolomeu
Madeira: Bastardo Espanhol


Características Ampelográficas
FONTE: Catálogo das Castas da Região do Alentejo

Abrolhamento: 2.ª Quinzena de Março, no Concelho de Reguengos de Monsaraz.

Ramo Jovem: aberto; pigmentação antociânica na orla, de fraca intensidade; média densidade de pêlos aplicados e nula densidade de pêlos erectos.

Folha Jovem: página superior verde; média intensidade média da pigmentação antociânica das seis primeiras folhas; página inferior com forte densidade de pêlos aplicados entre as nervuras e média sobre estas; nula densidade de pêlos erectos entre e sobre as nervuras.

Flor: hermafrodita.

Vigor: forte.

Porte: semi-erecto.

Pâmpanos: verdes nas faces dorsal e ventral dos entre-nós e nós; pigmentação antociânica dos olhos nula.

Gavinhas: comprimento curto; distribuição regular descontínua com fórmula 02.

Folha Adulta média, limbo pentagonal com cinco lóbulos; página superior verde médio, de perfil irregular; fraco empolamento; sem enrugamento; ausência de ondulação do limbo entre as nervuras principais; dentes médios e médios em relação à largura da base, convexos; seio peciolar pouco aberto com a base em U e sem particularidade; seios laterais superiores abertos com a base nula; nervuras principais da página superior sem pigmentação antociânica, bem como as da página inferior; nervuras principais da página superior sem pilosidade erecta; página inferior com muito forte densidade de pêlos aplicados entre as nervuras e nula densidade de pêlos erectos; página inferior com forte densidade de pêlos aplicados das nervuras principais e nula densidade de pêlos erectos das mesmas; pecíolo de comprimento igual ao da nervura principal mediana, com fraca densidade de pêlos aplicados e nula densidade de pêlos erectos.

Cacho: muito pequeno, piramidal alado, medianamente compacto; pedúnculo muito curto e de fraca lenhificação.

Bago: pequeno, não uniforme; forma arredondada; secção transversal regular; epiderme preta azul, de cor não uniforme; forte pruína; película de média espessura, hilo pouco aparente; polpa não corada, medianamente consistente, suculenta, sabor sem particularidades; pedicelo curto e de difícil separação.

Grainhas: com forte dureza dos tegumentos; peso de 100 grainhas muito elevado; 0,60 mm de comprimento.

Sarmentos: secção transversal elíptica; superfície estriada; cor castanho amarelado; lentículas ausentes; nula densidade de pêlos erectos dos nós e nula extensão da pilosidade erecta dos entre-nós.
Revista dos Vinhos

PROVA João Portugal Ramos Antão Vaz 2004

Pelas mãos de um senhor do vinho de seu nome João Portugal Ramos, sai da adega na zona de Estremoz este branco feito com a casta branca de excelência no Alentejo, a Antão Vaz.
Com fermentação a decorrer em meias pipas de carvalho francês, este vinho apresenta-se com 13 % e uma tonalidade amarelo de leve tonalidade com ligeiro toque esverdeado no rebordo do copo.
Nariz com aromas de intensidade média, frutos tropicais e citrinos (ananás, lima, tanjerina), leve baunilha e alguns torrados derivada do contacto com a madeira que se combina muito bem com o restante conjunto com um final ligeiramente mineral.
Na prova de boca mostra-se com estrutura média, harmonioso, fresco e suave na boca, com acidez a dar frescura e um final de boca mineral com persistência final média.
Com um preço a rondar os 6€ o vinho é fresco e agradável, dando uma bela prova e mostrou-se uma referência para varietais desta casta.
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25 janeiro 2006

A maneira BLUE de ver o WINE... em Março nas bancas.

Parece que vamos ter uma nova Revista sobre vinhos, segundo o mail recebido podemos ler que:

Caros Senhores

É chegada a hora de vos apresentarmos formalmente “blue Wine, a essência do vinho”, fruto
da experiência e capacidade de criar produtos editoriais inovadores por parte da blue Media e da qualidade técnica e capacidade de mobilização do sector, por parte da Essência do Vinho.

A ideia de criar esta revista, surgida da vontade de um grupo de pessoas que partilham uma paixão comum – o vinho – incorpora o desafio de alargar este sentimento a todos os leitores, tornando-os mais informados, mais conhecedores e, assim, mais exigentes.

A blue Wine será uma revista claramente direccionada para o consumidor final, retratando, mais
do que o vinho, momentos de lazer para serem degustados e partilhados por todos!

Esta revista apresenta-se também com a ambição de ter uma relação próxima e forte com o sector, assente em valores como o rigor e a transparência, para que os seus protagonistas se revejam na revista de uma forma verdadeira e prestigiante. Para tal, poderão desde já encontrar, em documento anexo, informação relevante em relação aos compromissos e critérios que irão nortear a revista, salvaguardando sempre os interesses dos nossos leitores e dos V/ consumidores.

A partir deste momento este projecto é também vosso. Por isso contamos com todos, no sentido não só de promover o vinho, mas também de o posicionar ao nível que ele realmente merece.

Convosco a 25 de Março.

Compromissos blue Wine

A blue Wine é uma revista especializada em vinhos que pretende afirmar-se como produto editorial de referência nos planos nacional e internacional.

A blue Wine orienta-se por critérios de ordem jornalística, segundo formas inovadoras e surpreendentes na abordagem do universo dos vinhos e dos seus protagonistas.

A blue Wine dirige-se primordialmente aos consumidores, com quem pretende partilhar a paixão pelo vinho através de uma abordagem editorial credível, atractiva e sofisticada.
A blue Wine é um meio privilegiado de divulgação do vinho português. Todavia, perfilha uma visão cosmopolita do universo dos vinhos, pelo que dará particular atenção aos vinhos estrangeiros, especialmente aos que estão disponíveis no mercado nacional.
Na blue Wine, a estrutura jornalística, o painel de provas e o sector comercial funcionam autonomamente, na dependência directa da Direcção e sem quaisquer ligações entre si, em nome do rigor, da independência e da credibilidade.

Atenta às necessidades dos leitores e às exigências do consumidor moderno, a blue Wine abordará ainda os múltiplos domínios relacionados com o vinho, designadamente a gastronomia, os restaurantes, os grandes chefes de cozinha, os produtos “gourmet” e o enoturismo.

24 janeiro 2006

PROVA Portal de São Bráz 2002 Branco

Vinho da Coop da Granja, de côr amarelo dourado de média intensidade com 12%. Mostrou-se com fruta muito madura, aroma a lembrar palha seca, leve toque de mel e algum rebuçado, tudo num conjunto um tanto pesado. Na prova de boca mostrou-se bem melhor, de corpo médio/fraco e suave na boca, fino com alguma elegância e ligeira presença de fruto com um final ligeiramente mineral e persistência final média com alguma frescura. Um vinho que se mostrou algo pesado, e que não deixou grandes saudades dando a impressão que já teve melhores dias. 12,5

PROVA Azamor 2003

É mais uma novidade no mercado este Azamor Tinto 2003, e mais um vinho da zona de Vila Viçosa pelas mãos do produtor Alison Luis Gomes.
Situada entre Borba e Elvas no concelho de Vila Viçosa, a propriedade é composta por duas herdades adjacentes, Herdade do Rego e Herdade do Zambujal, que perfazem um total de 260 hectares, assim repartidos: 27 hectares de vinha, 140 hectares de olival e 93 hectares de montado destinados à criação de cavalos de raça Lusitana.
Com a plantação da vinha em 2001 e 2002 sob a orientação do Engº Luís Elias Carvalho a equipa é orientada pelo consultor David Baverstock e dirigida no dia a dia pela Alison Luiz Gomes, enólogo e gestora que tem o apoio dedicado de uma encarregada de viticultura, um adegueiro e uma administrativa.
As vinhas encontram-se a 350 metros de altitude e oferecem ampla escolha de castas, todas tintas, quatro nacionais e quatro internacionais, Bordéus representado com Merlot e Petit Verdot, Côtes du Rhône com Syrah e Mourvèdre, o Douro com Touriga Nacional e Touriga Franca e o Alentejo com Alicante Bouschet e Trincadeira.
Este Azamor, nome de uma cidade do norte de Marrocos, é composto pelas castas, Merlot, Touriga Franca e Syrah tendo estagiado em barricas de carvalho francês e americano, apresenta-se com uma tonalidade ruby escuro de concentração média/alta e com 13,5%
No nariz mostra-se fresco com destaque para fruta madura (ameixa, amora) seguida de muito perto por algum vegetal e floral, acompanhado de ligeira baunilha, algum fumo, com o tempo surgem tímidas notas de café, tabaco, caramelo, leves torrados em conjunto com especiarias e um final ligeiramente balsâmico.
Na boca é de corpo mediano, presença de fruta e algum vegetal, redondo e fino na boca, macio no palato, equilibrado com acidez a dar uma frescura agradável ao vinho, ligeiro balsâmico no final que se mostra de persistência média/alta.
Uma boa surpresa este Azamor 2003, mostra-se afinado e pronto a beber, muito equilibrado e elaborado a partir de um curioso lote, custou 8,50€
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23 janeiro 2006

PROVA Coop Borba Rótulo de Cortiça Reserva 2001

Este famoso vinho da Cooperativa de Borba tem fama de envelhecer bem em garrafa, sofreu uma ligeira alteração no seu aspecto com a mudança do design da garrafa e também com a ausência do lacre preto que tapava a cápsula.
Elaborado com as castas Aragonez, Trincadeira, Castelão e Alicante Bouschet teve estágio de 12 meses em barricas de um ano de carvalho Francês, apresentando uma tonalidade granada escuro com notas de ligeira evolução com 13%.
Nariz com intensidade mediana, fruta vermelha e negra em compota (amora, ameixa), passas de uva, fumo, torrados ligeiros com presença de vegetal e floral, ligeira baunilha, algum caramelo e final levemente especiado.
Na prova de boca apresenta-se com corpo médio, presença de fruta em compota, algum vegetal, dá uma boa prova de boca mostrando-se equilibrado, redondo e suave no palato, ligeiro torrado, frescura presente com final de boca médio e ligeiramente especiado.
Um vinho que se mostra equilibrado, suave na boca a dar uma boa prova mas longe do nível de colheitas como o Reserva 1996 ou o Reserva 1999.
15,5

17 janeiro 2006

Gouvyas Reserva Branco 2003

Vinho do produtor Bago de Touriga, das mãos de João Roseira e de Luís Soares Duarte sai este Gouvyas Reserva elaborado com as castas Códega do Larinho, Rabigato e Malvasia Fina, com estágio de 16 meses em barrica de carvalho com bâttonage. Foram engarrafadas 4140 garrafas sendo esta o nº2828, apresentando-se com uma tonalidade amarelo dourado de média intensidade e ligeiramente glicérico, com 13,5%.
Nariz a mostrar-se com fruta bem madura (ananás, laranja) acompanhados por algum mel de fundo, ligeiro perfume floral, presença de madeira, ligeira baunilha, torrados presentes dando a impressão de alguns frutos torrados (amendoim, amêndoa), ligeiro fumo e um toque vegetal, equilibrado e elegante na prova de nariz aparecem com algum destaque as notas do estágio em madeira.
Boca a mostrar-se de corpo médio/encorpado, fruta suave e discreta com leve melado, destaque para os torrados que ficam instalados na boca juntamente com notas de baunilha, acidez a dar frescura necessária ao vinho que se mostra equilibrado, gordo, dá uma belo final de boca com persistência final alta e muito gulosa, dando a noção de uma ponta mineral.

Um vinho que mostrar que o Douro está a acordar para o Branco de qualidade, temos aqui um Douro Branco com muito nível.
16,5

PROVA Monte dos Seis Reis Bolonhês 2003

O segundo vinho da casa Monte Seis Reis, em Homenagem a D. Afonso III, 5º Rei de Portugal, que fundou a vila de Estremoz em 1258. Este vinho é feito a partir das castas Aragonês, Alicante Bouschet, Trincadeira e Tinta Caiada com estágio de 8 meses em barricas, apresenta-se com 13,5% e uma tonalidade ruby escuro de concentração média.
No nariz tem uma intensidade média, com fruto negro em compota, algum vegetal, ligeiro toque floral, baunilha, fumo, tabaco e leve chocolate dando em conjunto uns aromas doces ao vinho.
Na prova de boca mostrou-se de corpo médio, equilibrio entre nariz/boca, acidez a dar uma frescura necessária para que não se torne enjoativo o vinho, presença de fruto negro compotado, chocolate, torrados da madeira, um toque vegetal com final ligeiramente balsâmico, um vinho redondo muito bom de beber com uma persistência final média/alta.
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15 janeiro 2006

Copo de 3 no Jantar de Ano Novo 2006 de os5as8 na York House

Sábado dia 14 de Janeiro realizou-se o Jantar de Ano Novo 2006 de os5as8, o lugar escolhido foi a carismática York House em Lisboa, e o Copo de 3 esteve presente.
Com prova marcada para as 18.30 os convivas foram chegando aos poucos, alguns já conhecidos outros nem tanto, foi bom conhecer as caras de alguns nomes bem conhecidos do fórum com destaque para o Luís Camisão, Luís Paiva e esposa, Paulo Rodrigues e Margarida Rodrigues, Abílio Neto e esposa, Leitão, JMS e esposa, José Nero, João Roseira, Francisco Bento dos Santos, Luís Ferreira, Rui Falcão, Tiago Teles, Pedro Gomes e claro, está o sempre bem disposto José Tomaz Mello Breyner.

Feitas as apresentações, foi altura de começar a prova, arranjando lugar a mesa acabou por ficar muito bem composta, com a esposa do Mlpaiva, José Nero, Paulo Rodrigues e Margarida Rodrigues, Abílio Neto e esposa.

Os vinhos em prova cega, sendo servidos pelo anfitrião José Tomaz, pelo Rui Falcão e Pedro Gomes.
Aqui ficam os vinhos provados pela sua ordem, com a apreciação possível no momento:

Montevalle branco (Douro) 2004 : Do produtor Bago de Touriga, tem uma tonalidade quase incolor, revela um vinho de estágio em inox, muito leve de aromas com alguma fruta, floral e leve mineral no fundo. Suave de corpo, acidez bem marcada, fino e muito equilibrado, final mineral com final médio/curto. Melhor na boca que em nariz, um vinho simpático sem muito que contar.

Casal Figueira Tradition (Estremadura) 2004 : Amarelo palha com reflexos esverdeados, no nariz no que toca a aromas mostrou-se fraco, leve floral (rosas), fruta (pêssego) tudo muito escondido e com um nariz estranho que não faz as minhas preferências. Na boca mostrou-se bem melhor, lembra um Esporão Private Selection Branco em ponto mais pequeno e menos concentrado, untuoso, com a madeira e a battonage a notarem-se bem. Tem as suas virtudes apenas para os seus seguidores nos quais eu não me incluo.

Quinta de Carvalhais Touriga Nacional (Dão) 1995: Cor granada com rebordo a revelar já evolução, muito aroma animal, não deu grande prova neste momento, mas seria provado mais tarde no jantar.

Vinha da Nora (Estremadura) 1998: Com uma boa côr, não indica a idade que tem... mostrando-se fresco de aromas, com fruta presente em ligeira compota, leve vegetal e alguma especiaria em conjunto com aromas da madeira a marcarem presença. Tem corpo médio, fruta e acidez a dar frescura, mostrou-se no final de boca um pouco vegetal. É vinho que não merece mais tempo de garrafeira.

Quinta do Perdigão (Dão) 2000: Tonalidade granada de boa concentração, aromas a evoluir bem no copo, com fruta a marcar presença em ligeira compota, floral (violetas) leve chocolate e café em companhia de algum tabaco, baunilha, aromas balsâmicos. Na boca tem bom corpo, equilibrado, fruta presente, fresco e muito agradável, com final mentolado.

Terroso (Douro) 2003: Mais um vinho da Bago de Touriga, surge com uma tonalidade granada escuro de mediana concentração, apresenta de principio ligeiro sulfuroso, dando lugar depois a fruta, aromas frescos, madeira ligeiramente presente acompanhada de balsâmico. Na boca mostrou-se leve e de bom corpo, com bom final de boca e ligeiramente balsâmico.

Quinta do Infantado (Douro) 2003: Granada escuro, mostrou-se frutado com leve vegetal no aroma, e final mentolado. Corpo médio, frescura média e balsâmico no final, mostrou-se correcto sem nada de mais.

Aurius (Estemadura) 2002: Uma surpresa ou melhor uma novidade, com boa concentração e entrada com fruta de boa qualidade e leve floral, madeira presente e de boa qualidade, baunilha, tabaco, mostrou-se como um dos melhores vinhos em prova, ainda com ligeira adstringência no final de boca que se mostrou médio/longo dando uma bela prova.

Quinta de Lemos (rótulo branco) Dão 2003 : Ruby de intensidade média de boa concentração, mostrou-se muito aromático com destaque para frutos silvestres muito maduros lembrando compota (bagas) e floral (violetas), muito fresco de aromas um vinho diferente, leve baunilha tudo num bouquet muito concentrado.
Na prova de boca tem boa estrutura, fresco, fruta presente, bem cativante, ligeiro chocolate e um final de boca balsâmico de boa persistência. Uma surpresa este vinho que como foi dito é vinho para se beber um copo e não para acompanhar uma refeição que se torna enjoativo.

Herdade dos Grous Reserva (Alentejo) 2004: Granada escuro, muito bom de aromas com fruta vermelha e negra madura presente, em conjunto com um bom trabalho de madeira dando aromas logo de entrada a lembar baunilha, cafe, chocolate, fumo, tabaco, tudo muito bem ligado com um final ligeiramente balsamico. Na boca é mais do mesmo, com acidez a dar uma frescura mais que precisa de maneira a não tornar o vinho pesado, mostrou um final com grande qualidade e de boa persistência. O melhor vinho da prova cega na minha opinião, vale a pena esperar por ele.

Quinta da Palmirinha (verde tinto) Minho 2004: Quando servido mais parecia um vinho em amostra de cuba, tal a tonalidade que apresenta este vinho, grande concentração, paredes dos copos com lágrima muito intensa e que pinta completamente as paredes do copo, muita fruta com ligeiro carbónico, mas que se revelou um verde tinto.

Durante toda a prova cega, foram sendo revelados os vinhos provados, sempre com um pequeno e saudável confronto de ideias entre provadores.
Finalizada a prova cega foi altura de seguir para o Restaurante da York House onde tudo estava a postos para continuar o excelente convívio até agora vivido.
Preparados os vinhos que seriam servidos durante o jantar, e sentados os convivas, a refeição foi servida:

O primeiro vinho a ser servido foi:
Trimbach Riesling Clos Saint Hune 1997 , da região da Alsácia Francesa. Mostrou-se muito bom este vinho, muito floral, fruta presente (pêssego com acidez marcante, fresco e final mineral. Na boca tem um recorte de grande nível, corpo médio muito afinado e bem equilibrado, dando uma bela prova com um final persistente e mineral. Dos brancos provados foi o que me deu mais prazer a provar.

Para acompanhar uma maravilhosa Sopa de Peixe foram servidos os vinhos
Casal Figueira Tradition 2004 já provado anteriormente e o Gouvyas Reserva 2003 alvo de prova mais atenta em breve no Copo de 3.

Com o Pato com Azeitonas, e de destacar as Cheróvias trazidas pela Margarida Rodrigues que ligaram muito bem com o pato, foram servidos os vinhos:
Quinta das Castas Touriga Nacional 2005 :Foi decantado 4 horas antes para um vinho com 10 anos e algo mais, decantado fazia já 4 horas, simplesmente estava com grande nível. Mostrava-se um vinho já com a marca da idade, mas ainda fresco de aromas, madeira bem ligada com a fruta, na boca dava prazer a ser bebido, tudo bem ligado entre si, com aromas de chocolate, café, baunilha e leve floral muito bem presentes, digamos que aromas terciários a dizer presentes.

Altas Quintas 2004 : Vem da Serra de São Mamede em Portalegre, com as suas vinhas situadas a 600 metros de altitude, tem um perfil diferente dos normais Alentejanos. Mostrou-se concentrado de côr, intensidade média com fruta presente e bem ligada com a madeira, chocolate, baunilha, café, torrados com tudo bem ligado e fresco nos aromas. Dá uma boa prova de boca, com boa estrutura, equilibrado, fruta, chocolate, frescura com os taninos bem afinados e dando uma bela prova de boca. Um vinho que precisa de algum tempo de garrafeira mas esperava algo mais de um vinho tão badalado.

Campolargo Pinot Noir 2004 : Ruby de intensidade média, delicado no nariz com fruta madura bem ligada com a madeira, leve balsâmico, muito interessante, pelo primeiro impacto lembrou-me um vinho da zona da Borgonha. Na prova de boca está equilibrado, delicado com corpo médio, fino e com final de boca agradável e persistência média aliado a um ligeiro mentolado.

Montevale 2003, Gouvyas 2003 e f
oi provado também um vinho de Bordéus que no meio da conversa me esqueci de anotar. Com uma entrada de nariz muito aromática, lembrava chocolate leves torrados e algum cafe, na boca tinha estrutura mediana com final ligeiramente especiado e persistência média.

Com a Sopa de Frutos do Bosque com Gelado de Natas foram servidos um
Quinta do Infantado LBV 2001 e um Casal Figueira Vindima Tardia 2002: feito com Petit Manseng, mostrou-se tímido de aromas, pouca fruta e algum floral acompanhados de algum mel, tudo muito afinado e sem se mostrar muito, na boca falta um pouco mais de estrutura e de frescura, tem pouco para dizer este Vindima Tardia que se mostrou pouco exuberante.

Foi uma noite bastante agradável e que espero se volte a repetir, um abraço a todos os presentes.
Espero os vossos comentários.
Copo de 3

12 janeiro 2006

Os vinhos de 2005

Passado quase um ano, é altura de rever os vinhos que mais me marcaram durante 2005.

Os tempos são de crise, pelo menos é o que se diz, mas quando se vê os topo de gama seja do que for a esgotar sinceramente não entendo onde está a crise, com tudo isto cada vez mais aparecem no mercado vinhos muito bem feitos, com qualidade acima da média e com bom preço, o que é sempre de agradecer.
Coloco então as minhas escolhas, apenas de vinhos já no mercado, de fora ficaram as amostras:

Rosés: Frescos e excelentes companheiros dos calores de Verão, o boom dos rosés invadiu este ano as prateleiras dos Hiper, muitos confirmam a boa colheita anterior, outros são novidade, aquele que para muitos não é vinho feito de uvas deu este ano um grande salto e parece que se vai manter a tendência para 2006.

Rosé da Peceguina 2004: Pela novidade, pelo estilo jovem, fresco e diferente, com a qualidade desta casa, um dos rosés que mais gostei durante este ano.

Enate Rosado 2004: Um Rosado diferente, com estrutura mais firme, e para ser levado mais a sério, um Rosado de respeito e considerado um dos melhores de Espanha.

Rosé de La Chavaliere 2004: Elegante e com uma prova de boca muito distinta. Rosé muito harmonioso e cheio de classe.

Brancos : É mais difícil fazer um grande branco do que um grande tinto, pois a verdade é que os vinhos brancos de qualidade estão a aparecer em força por terras Lusas e ainda bem...

Anta da Serra Branco 2004 : Porque o preço não faz um vinho ser bom ou mau, e porque a qualidade aliada a um preço mais que aliciante é uma enorme tentação, este Arinto com Fernão Pires, foi Talha de Prata e o melhor Branco do Alentejo para a Confraria dos Enófilos do Alentejo visto que o Ouro não foi atribuido... foi o vinho branco deste Verão. Uma das grandes relação preço/qualidade.

Esporão Verdelho 2004 : Um Verdelho no Alentejo, pode-se dizer que é estranho, mas é a verdade, uma grande novidade com grande qualidade. O melhor exemplar em Portugal que eu tenha provado, vinho de belo recorte que lutou muito bem com um dos grandes de Espanha.

Esporão Private Seleccion Branco 2004 : Para quem o procura, encontrar este vinho vai ser um pouco difícil devido a estar quase esgotado. É um grande vinho, ao nível da primeira colheita, que com todo o mérito ganhou Concurso «Escolha da Imprensa» no ECVS na Fil.
Redoma Reserva 2004 : Um dos melhores brancos de Portugal, com a mão da Niepoort este Reserva consegue dar um prazer enorme durante a sua prova.

Quinta Monde D´Oiro Colheita 7 de Outubro : Falar de Viognier parece estranho, casta muito utilizada por terrras de França, mas é uma casta recomendada em algumas regiões de Portugal. Pois bem este vinho é o melhor exemplar desta casta em Portugal, melhor entrada no mundo da Viognier não podia ter tido, ficando uns pontos à frente do seu irmão mais novo Madrigal.

Faiveley “Georges Faiveley” Bourgone Blanc 2002 : Posso dizer que entrei com o pé direito nos vinhos brancos da Borgonha, a mostrar a fama dos Chardonnay da Borgonha com grande nível.

Pewsey Vale Vineyard - Eden Valley Riesling 2003 : Uma nova maneira de vêr o Riesling, vindo directamente da Austrália, um vinho que deu grande prazer a beber.

Geyser Peak Alexander Valley Chardonnay Reserve 2000 : Chardonnay, desta vez com origem na Califórnia, na zona de Alexander Valley, amanteigado, rico e cremoso, com final cheio e bastante persistente.

Schloss Gobelsburg 2003 Grüner Veltliner Steinsetz : Mostrou-se muito mineral e fresco com nível de acidez bem marcado... tem um corpo que aguenta o vinho durante toda a prova, belos aromas, um tipo de vinho completamente diferente dos nossos, de grande categoria e que me agradou muito.

José Pariente Verdejo 2004: Falar de Verdejo, é falar de Rueda, e neste caso temos um vinho que é considerado como um dos melhores exemplares desta casta por terras de Espanha. Não deixou os créditos por mãos alheias e mostrou toda a sua raça. Um vinho, uma casta, uma referência...

Valle Pradinhos Branco 2004: Uma excelente surpresa, original, fresco e muito perfumado, uma excelente compra atendendo ao preço praticado de 3,50€. Ainda vai durar em garrafa, mas é quase impossível resistir-lhe.

Tinto: O ano de 2003 deu origem a excelentes vinhos em todas as zonas de Portugal, desde o Douro ao Alentejo os vinhos de 2003 estão a dar que falar...

Coop Borba Syrah 2003 : Foi vinho que esgotou rapidamente, com boa qualidade e um preço ainda melhor, mostra-se fiel à casta, foi companheiro mais que uma vez durante todo o ano. Entrou com o pé direito, a colheita de 2004 está melhor que este 2003.

Coop Borba Cinquentenário - Grande Escolha 2003 : Era o salto que faltava para a Coop de Borba, conseguir colocar um vinho entre os grandes do Alentejo, conseguido e bem com este Grande Escolha 2003. Esperemos que continuem com este patamar de qualidade, pois vinhos destes fazem falta.

Malhadinha 2003 : Entrada com o pé direito nos topos de gama, um vinho que ganhou tudo o que tinha para ganhar na sua primeira colheita... principalmente ganhou um lugar entre os grandes do Alentejo e de Portugal.

Zambujeiro 2002 : É pouco visto em terras Lusas, vai quase todo para fora, este vinho com grande concentração de aromas e sabores, mostrou-se muito bem quando provado, talvez o senão o preço de 40€ mas por vezes a qualidade tem o seu preço.

Quinta do Monte D´Oiro Reserva 2001: Colocando de lado o Homenagem, este é o vinho provado desta casa que mais prazer me deu a beber, sem dúvida um grande vinho.
Vale de Ancho Reserva 2003: Da casa Couteiro Mor, este novo Vale de Ancho soma e segue na sua gloriosa caminhada entre os melhores vinhos do Alentejo. Onde pode chegar não sei, mas vale a pena estar muito atento.

Pintia 2002: Pela mão da Vega Sicília, surge na região de Toro este Pintia... melhor que a colheita de 2001, mostra-se mais perto do seu melhor, menos fechado, um vinho diferente mas onde a qualidade diz presente.

Alion 2001 : Não vale a pena falar muito sobre esta maravilha, um vinho que está muitos pontos acima, com pleno equilíbrio entre boca e nariz, madeira e fruta, é um prazer beber este excelente vinho que merece uma prova muito atenta... se não o provou ainda o que está à espera ?

Joseph Drouhin Clos de Vougeot Grand Crú 2000 : Um Grand Crú que na Borgonha significa um topo de gama, feito a partir da casta Pinot Noir, sem dúvida um grande vinho que me marcou muito na estreia dos grandes da Borgonha.

Marchesi Antinori The Pian delle Vigne - Brunello di Montalcino - 1999 : Mostrou-se na boca equilibrado, elegante e bem feito, taninos presentes e sedosos, tudo muito bem colocado, num vinho de alto nível, com final muito longo. Um grande vinho que me agradou bastante, bela estreia nos vinhos Italianos.

Xisto 2003: Mais um vinho de alto nível do produtor Quinta do Crasto, é fruto de uma ligação Douro/Bordéus, aqui respira-se alta qualidade, foi um dos grandes vinhos provados.

Herdade das Servas Touriga Nacional 2003: A chamada rainha das castas lusas, veio do Douro e Dão, instalar-se no Alentejo onde surgem cada vez mais alguns dos melhores exemplares desta casta. Este Servas é mais um exemplo disso, naquele que pode ser considerado como um dos melhores Touriga Nacional do ano 2003.

Penfolds RWT 1999: RWT, que quer dizer Red Winemaking Trial, é o terceiro vinho da casa Penfolds, a contar com o Grange e depois o BIN 707. Este RWT é um vinho de nível mundial, se não fosse o Grange talvez este fosse o melhor Syrah do Mundo.

Pêra Manca 1997: Mostrou qualidades que só alguns vinhos conseguem atingir, justificando o motivo do seu estatuto de ícone da enologia em Portugal.
Queria ainda deixar com breves referências para:
Château Rieussec - Sauterne- 1999
Kracher Beerenauslese Cuvée 2003
Royal Tokaji Blue Label, Aszú 5 puttonyos 1996
Ramos Pinto 10 anos - engarrafado em 1977

09 janeiro 2006

PROVA Modelo - Aragonês 2003

Este vinho é engarrafado para o Modelo, pelo produtor PLC Companhia de Vinhos do Alandroal Lda, tem um estágio de 8 meses em barrica de carvalho americano, com 13% e uma tonalidade granada escuro de concentração mediana. No nariz tem uma intensidade média, mostra-se fresco de aromas, fruta vermelha (bagas) com ligeira compota, especiaria, baunilha, tabaco, torrados, madeira bem ligada com a fruta. Na prova de boca tem corpo médio ligeiramente frutado com final médio/longo alguma secura no final e ligeiro balsâmico. Mostrou-se uma bela surpresa este vinho, com um preço de 4€. 15

PROVA Domini 2001

Este vinho é fruto da união entre dois grandes, Domingos Soares Franco & Cristiano van Zeller, sendo um produto do Douro da colheita de 2001, elaborado com as castas Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz com 13%.
O vinho apresentou-se com uma tonalidade granada escuro, mostrando-se de nariz com aroma fino, fruta vermelha e negra madura (leve compota), tem algumas notas de fumo aliadas a madeira, torrados em conjunto com baunilha e ligeiro chocolate.
Na boca tem estrutura média, muito polido e equilibrado com fruta presente, fresco e ligeiramante mentolado no final, persistência final média/curta.
Um vinho que não deu grande mostras da zona de onde veio, mostrando-se um vinho um pouco apagado, dando uma prova sem grandes pretensões, com um custo de 5,40€.
14,5

PROVA Sémillant - Vin Blanc Sec

Este vinho sem data de colheita elaborado com 50% Clairette e 50% Farana, vem de Marrocos, sendo a estreia do Copo de 3 por terras de África.
Apresenta-se com uma tonalidade amarelo dourado de leve concentraçao e 12,5%. No nariz mostrou uma intensidade média com fruta branca (melão, pêra) e algum ananaz bem presente em conjunto com toque floral, sendo muito fresco de aromas, alguma goma com final mineral. Na boca tem corpo médiano, dando uma boa prova de boca, acidez marcante, fruta presente, final mineral com persistência média. 14,5

PROVA Quinta de Saes Colheita Exclusiva 2004

Vinho oriundo do Dão, produzido por Álvaro de Castro, este Quinta de Saes Colheita Exclusiva 2004 que se apresenta com 13% e uma tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.
No nariz tem uma intensidade média, com fruta (amora, framboesa) bem madura presente, algumas notas de compota aparecem no conjunto juntamente com um ligeiro aroma vegetal e floral, sendo que o vinho vai abrindo e surgem notas de fumo, leve chocolate, tabaco (charuto) e leve especiaria, tudo muito bem afinado e elegante dando uma prova de nariz interessante, fresca e de bom nível a que este produtor nos tem acostumado.
Na prova de boca o vinho mostra-se equilibrado e de corpo médio, com fruta, leve vegetal e ligeiro chocolate mostrando-se muito bem na boca com frescura cativante num perfil muito apelativo, no final tem um ligeiro toque a pimenta, dando um final de boca médio/longo.
É um vinho que cresce no copo com um belo perfil, algo guloso, que se revelou uma excelente aposta para o dia a dia, com um preço de 3,40€.
15,5

06 janeiro 2006

PROVA Calhau Rolado Vinho Licoroso Abafado

Produzido pela Quinta da Alorna, este licoroso de nome Calhau Rolado foi comprado no Lidl por um preço de cerca de 3€.
Feito a partir de castas brancas, apresenta-se com 17,5% e com uma tonalidade âmbar de concentração média.
No nariz tem uma intensidade média, fresco de aromas com presença de frutos secos, leve laranja, figo, floral, e algum mel.
Na boca mostra uma estrutura média, suave na boca, fino e arredondado, agradável com final fresco e persistente com recordação a frutos secos e algum mel.
Um licoroso que se revelou uma boa aposta sem se gastar muito dinheiro.
15

PROVA Quinta de Cabriz Colheita Seleccionada Branco 2004

Pelas mãos da Dão Sul, sai este Quinta de Cabriz Colheita Seleccionada Branco 2004, elaborado com as castas Malvasia Fina, Encruzado, Cerceal e Bical, com 12% e tonalidade amarelo de fraca concentração e rebordos esverdeados.
No nariz revela-se leve e fresco de aromas, com fruta tropical presente, aromas florais acompanhados de leve vegetal, e um fundo mineral.
Na boca tem corpo mediano, afinado, acidez presente a dar boa frescura ao conjunto, leve mineral e com boa persistência final.
Mostrou-se agradável quanto baste, um vinho entre tantos, custando cerca de 3€
13,5

PROVA Moinho da Asseiceira Branco 2004

Da Herdade do Pinheiro em Ferreira do Alentejo, sai este branco de entrada de gama, Moinho da Asseiceira 2004, elaborado com as castas Roupeiro, Perrum e Fernão Pires, apresentando-se com 12%.
Tonalidade amarela de fraca intensidade com tons esverdeados.
No nariz apresenta-se tímido de aromas, leve fruta tropical, algum floral, mostrando-se fresquinho de aromas com um pequeno toque mineral no fundo.
Na boca tem um corpo muito suave, acidez presente dando alguma frescura, passa algo despercebido na boca, alguma lembrança a limão com persistência final média/fraca.
Mostrou-se um vinho simples, frágil e pouco exuberante de aromas e concentração com um preço a rondar os 2,80€.
13,5

PROVA Labouré-Roi Bourgogne Rouge Pinot Noir 2004

Vinho da região Francesa da Borgonha, feito a partir da casta Pinot Noir (a famosa casta que esteve em destaque no filme Sideways), teve estágio durante 6 meses em barrica de carvalho francês, apresentando-se com 12,5% e uma tonalidade ruby de fraca concentração.
No nariz, tem intensidade média de aromas, com fruta madura (bagas) em destaque , com leves notas de baunilha, especiaria, fumo, ligeiro fundo com floral, tudo muito bem colocado com perfil muito suave.
Na prova de boca mostrou-se fresco, muito ligeiro de corpo, fruta presente, bem equilibrado com algum balsâmico no final de boca e ligeira especiaria.
Um vinho com perfil diferente, suave e muito harmonioso, dá uma prova interessante mas sem grandes alaridos, vale como curiosidade e é uma pequena amostra do mar de vinho que é a Borgonha e claro está a França, com um preço de 4€.
14

Conversa na Adega com...

Mais uma novidade apresentada no Copo de 3, desta vez a secção onde vão ser entrevistados enólogos e responsáveis pelo vinho, são as pessoas que estão por detrás das garrafas, espero que gostem.
Para primeira entrevista, estive de conversa com Tiago Miguel Cuco Garcia, 28 anos, é enólogo residente da empresa Serrano Mira, Soc. Vinícola, S.A. de nome comercial Herdade das Servas desde, 2002, praticamente o ano de nascença da empresa. Licenciado em Enologia na UTAD, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em 2001. Posteriormente fez um estágio de 6 meses na Quinta do Carmo e no início de 2002 entrou nesta empresa onde segundo as sua palavras: « tenho a felicidade de trabalhar com «grandes» pessoas e fazer parte deste projecto ambicioso com objectivo de produzir vinhos de qualidade, queijos e enoturismo o qual pretende a pouco tempo ser um projecto de referência no Alentejo e em Portugal. »

- Copo de 3 : Como entraste no mundo do vinho ? E o gosto pela prova quando foi ?
- Tiago Garcia : Entrei no mundo do vinho por gosto…Quando chegou à altura de concorrer à faculdade pensei «já que gosto tanto de um bom vinho, porque não seguir essa carreira» e assim foi, concorri ao curso de Enologia em Vila Real, na UTAD e apesar de ser longe de casa, é o único sítio do país onde há essa licenciatura, arrisquei.
Fui lá muito feliz, terminei o curso e hoje posso dizer que cada dia que passa sinto mais «amor» pelo vinho. O gosto pela prova veio-se acentuando cada vez mais e hoje em dia sinto um prazer enorme quando estou a provar vinhos.

- Copo de 3 : Já alguma vez bebeste um copo de 3 ?
- Tiago Garcia : Já…e hoje até sinto alguma nostalgia…as tascas estão todas com tendência a desaparecer e foi em algumas tascas que tive o prazer de beber uns copos de 3.

- Copo de 3 : O que te levou a seguir enologia ?
- Tiago Garcia : Como já referi anteriormente foi por gosto…apesar de ninguém da minha família mais próxima estar relacionada com a área agrícola, o mundo da vinha e do vinho, mais propriamente, o do vinho sempre me fascinou e por isso decedi que essa era a carreira que devia seguir e felizmente em boa hora o fiz.

- Copo de 3 : É melhor provar sozinho ou em grupo ?
- Tiago Garcia : Eu prefiro em grupo…há sempre mais «discussão» no bom sentido e como se costuma dizer, «duas cabeças pensa melhor…» neste caso eu penso que na discussão da prova entre os vários provadores estamos sempre a aprender entre nós e estas «discussões» são sempre salutares. Mas também digo que há momentos em que gosto de me abstrair de tudo e provar sozinho e em que tiro as minhas próprias ilações em relação ao vinho em prova.

- Copo de 3 : Que opinião tens dos críticos nacionais ? E estrangeiros ?
- Tiago Garcia : Sobre a crítica estrangeira não me posso pronunciar muito porque não tenho muitas referências, mas sei que há grandes críticos internacionais e que têm hoje em dia uma grande importância no sector vinícola a nível mundial, nomeadamente o Parker e as Jancis Robison, só para dar 2 exemplos. Quantos aos nacionais acredito que há bons críticos e menos bons… Em Portugal penso que os críticos estão cada vez mais exigentes e penso que com razão pois sem qualidade não se vai a lado nenhum e hoje em dia o consumidor normal também está cada vez mais exigente e não pode haver lugar a erros.

- Copo de 3 : Qual a relação no teu ver de produtor/crítico ?
- Tiago Garcia : Penso que o produtor tem de ser cada vez mais critico nomeadamente em relação aos seus vinhos e sempre com criticas construtivas. O produtor nunca deve pensar que o vinho já esta bom…o objectivo tem de ser sempre a melhorar a qualidade e para isso é necessária a crítica, mas apesar de tudo criticarem-se primeiros eles próprios e só depois os outros.

- Copo de 3 : Achas a crítica de vinhos isenta e imparcial ? Porquê ?
- Tiago Garcia : Quero acreditar que sim…não digo que como em tudo não haja uma tendência para este ou para aquele, mas acredito que a crítica seja isenta e imparcial.

- Copo de 3 : Que vinho escolhias para beber agora ?
- Tiago Garcia : Essa é uma pergunta complicada…Mas penso que um Touriga Nacional, de preferência da Herdade das Servas !!

- Copo de 3 : Com que tipo de vinho te identificas mais ?
- Tiago Garcia : Penso que há alturas para tudo… Não quero aqui estar a referir que prefiro este ou aquele ou que me identifico mais com este ou o outro, por que dependendo das ocasiões faz-se a escolha, mas não posso negar que prefiro os tintos vigorosos, muito concentrados, com estrutura, com aromas delicados e persistentes.

- Copo de 3 : Existe o vinho perfeito ?
- Tiago Garcia : Penso que esse é o objectivo de qualquer produtor, mas a perfeição é uma coisa difícil em qualquer situação….principalmente nesta área em que é complicado fazer vinhos que seja perfeito para «gregos e troianos» mas trabalhamos sempre nesse sentido de conseguir atingir a perfeição.

- Copo de 3 : O nosso é que é bom ou lá fora também se bebe bom vinho ?
- Tiago Garcia : O nosso é bom…mas lá fora também se bebem muitos e bons vinhos, há países como a Espanha, o Chile, a Austrália, França... que têm vinhos de topo a nível mundial e que tive ocasião de provar alguns desses em que deu para confirmar a grande qualidade. Mas nós que temos a mania de criticar tudo o que é nosso, também temos grandes vinhos, penso até que temos alguns vinhos de topo a nível europeu e mesmo mundial.

- Copo de 3 : Achas que o vinho esta a ficar todo igual ? O que fazer para mudar ?
- Tiago Garcia : Penso que não… Cada produtor tem a sua filosofia, se bem que o objectivo seja agradar o consumidor final, mas não creio que o vinho esteja a ficar todo igual.

- Copo de 3 : O vinho está caro ?
- Tiago Garcia : Penso que houve uma altura em que houve uma grande especulação e realmente houve preços que estavam completamente exagerados, mas hoje em dia penso que esta tudo muito mais normal e até hoje em dia como se pode verificar, há muitos bons vinhos com grandes relações qualidade/preço.

- Copo de 3 : Enólogo que mais gostas ? De referência ?
- Tiago Garcia : Tenho uma grande admiração pelo Eng.º Nicolau de Almeida quer como pessoa, que tive oportunidade de conhecer e trocar umas palavras por diversas vezes e profissionalmente, pelos grandes vinhos que fez e faz no Douro, região pela qual também tenho uma grande paixão. Mas também tenho outras grandes referências, como por ex. o Eng.º Luís Duarte, com o qual tenho o prazer de trabalhar, o Eng.º António Saramago e o Eng.º Anselmo Mendes também são pessoas por quem tenho grande admiração.

- Copo de 3 : Melhor e pior vinho provado ?
- Tiago Garcia : Essa questão é sempre complicada…nunca gosto muito de falar sobre o melhor e o pior, porque há vinhos que podem ser grandes vinhos e por vezes pela situação em si ou por qualquer outro aspecto não nos pareceu tão bom, por isso prefiro falar no vinho que mais me deu prazer beber e que posso referir dois que me ficaram marcados, um Quinta do Zambujeiro 1999 e um Vinho Espanhol, o Calvário 2001 só para referir 2 entre muitos, mas estes ficaram realmente marcados, quanto ao pior prefiro não responder.

- Copo de 3 : Qual a garrafa mais cara que compraste ?
- Tiago Garcia : Penso que foi um Vintage da Taylors…o Vargelas 88.

- Copo de 3 : Quantas garrafas tens em casa ?
- Tiago Garcia : Devo ter aí umas 300.

- Copo de 3 : Com que castas gostas mais de trabalhar ?
- Tiago Garcia : Prefiro as castas nacionais, entre as quais destaco a Touriga Nacional que tem dado grandes resultados aqui na nossa empresa, mas também trabalhamos muito bem algumas castas internacionais, como por ex. o Shyraz e o Cabernet Sauvignon e plantamos este ano um pouco de Petit Verdot, que penso que é uma casta com grandes potencialidades, nesta zona do Alentejo. Quanto aos brancos sou muito apreciador da casta Alvarinho, Viogner, Semillon e o Antão Vaz que penso ser a casta branca de referência no Alentejo.

- Copo de 3 : Madeira ou inox ?
- Tiago Garcia : As duas, cada uma à sua maneira. Mas sempre preservando o vinho e a sua fruta.

- Copo de 3 : Monovarietal ou Lote ?
- Tiago Garcia : Penso que os vinhos de lote são mais «completos», mas também há grandes vinhos monovarietais, mas pessoalmente sou defensor dos vinhos de lote.

- Copo de 3 : Projectos de futuro ?
- Tiago Garcia : Continuar a fazer sempre melhor…Nunca estarmos satisfeitos connosco próprios e tentar fazer que o próximo seja sempre melhor que o primeiro… Nesse sentido apostamos sempre nas melhorias possíveis quer a nível da viticultura, quer a nível da Enologia, no sentido que o consumidor fique totalmente satisfeito. Apostar também no Enoturismo que penso ser hoje em dia uma «ferramenta» essencial para os que gostas deste mundo e que possam conhecer todos os passos que a uva dá até chegar ao copo onde é bebido, penso que é importantíssimo este sector para haver uma maior interacção produtor/consumidor.

- Copo de 3 : Achas que os vinhos como o DADO têm futuro ? Se sim , que região escolhias para associar com o teu ?
- Tiago Garcia : Penso que sim…São projectos interessantes, que quando bem estruturados e quando se juntam duas empresas de qualidade só pode dar bons resultados. Como já referi anteriormente tenho uma grande paixão pela região do Douro e por esse aspecto dava-me um gozo imenso fazer essa «parceria» com uma empresa de referência no Douro.

- Copo de 3 : No teu ver quem tem puxado pelo vinho do Alentejo para ser a máquina de vendas que se conhece ? Achas que no estrangeiro estamos bem representados ?
- Tiago Garcia : A CVRA tem feito um trabalho meritório e tem realmente dado uma grande ajuda na promoção dos vinhos do Alentejo, mas também vem dos grandes progressos que tem sido feitos no Alentejo em termos de qualidade quer na viticultura quer da enologia e hoje o Alentejo é reconhecido pela grande qualidade dos seus vinhos e com vinhos de grande relação qualidade / preço o que faz com que se note nas vendas a nível nacional.

- Copo de 3 : Depois dos resultados da CVRA de 2004 em que o Alentejo domina as vendas o que pensas ?
- Tiago Garcia : Penso que é o resultado da qualidade e do bom trabalho que se tem vindo a desenvolver tanto a nível da viticultura e da enologia no Alentejo e só nos podemos congratular por esses resultados e que continue assim por muitos e bons anos.

- Copo de 3 : Nao achas que temos demasiados produtores e demasiado vinho ? Como encaras o futuro ?
- Tiago Garcia : Penso que acima de tudo há que apostar na qualidade, e qualquer projecto ambicioso e com qualidade tem tudo para vingar no mercado, se há produtores a mais ou não, quem pode responder melhor a isso é o consumidor e isso irá reflectir-se… pois se não tiver qualidade não se irá vender e será posto de parte.

- Copo de 3 : Qual a tua opinião sobre cada uma das Regiões de Portugal ?
- Tiago Garcia :Alentejo – A minha eleita pela sua grande consistência na qualidade o expoente máximo em Portugal !!
Douro – A outra paixão… Região de Top com vinhos de grande personalidade
Minho – A frescura dos Verdes e alguns brancos com elegância.
Dão – Enorme potencial, tem melhorado muito, com grandes vinhos de guarda ou para consumir no ano.
Bairrada – A mãe da Baga e talvez a mal amada, que necessita que se entenda melhor porque por trás disso há um enorme potencial.
Estremadura – Vinhos com boa relação preço/qualidade com tendência a melhorar de ano para ano.
Terras do Sado – Moscatel por excelência, região onde melhor se trabalha o castelão e que quando bem trabalhado, dá vinhos que encantam.
Beiras – Um diamante em bruto que ainda tem muitas arestas por polir…mas com o tempo vai chegar lá…
Ribatejo – Com vinhos de Boa relação preço/qualidade, é uma região que quando trabalha para a qualidade e não para a quantidade consegue produzir grandes vinhos e alguns mesmo de referência.
Algarve – Com muito trabalho pela frente…
Madeira – Infelizmente não conheço tão bem quanto queria, mas sei que tem vinhos de sonho, de referencia mesmo a nível mundial.
Açores – quase totalmente desconhecida, mas com as suas características próprias, tem feito vinhos com reconhecimento.

- Copo de 3 : Um conselho para alguém que agora entra neste mundo ?
- Tiago Garcia : Que tenham paixão por este mundo…porque se tiverem tudo o resto virá naturalmente… mas que provem muito e que desfrutem em cada momento este maravilhoso mundo.

-Copo de 3 : Foi um prazer...

02 janeiro 2006

Venha 2006...

Mais um ano que passou, chegou altura de fazer um balanço do ano de 2005, um ano em que começei o projecto Copo de 3, que tinha em ideia faz bastante tempo e finalmente tive coragem para avançar com ele, parece ir no bom caminho com mais de 200 provas e um número de visitantes que já passa os 7000 em menos de 7 meses de activo (apesar das provas começarem em Janeiro).
No que toca às regiões produtoras de vinho, vi um Douro com a declaração de Vintage 2003, derivado de um excelente ano de uva, os seus vinhos de 2003 são de uma qualidade inegável, e quase todos os produtores apresentam vinhos com grande qualidade, pena as quantidades de alguns serem diminutas, encontrei um Dão em renovação com novos produtores e marcas a dar que falar, excelente exemplo o Quinta dos Grilos 2003 tinto, e parece que não vamos ficar por aqui... uma Bairrada que tenta encontrar novos caminhos sem ser a Baga, para fugir ao sufoco que tem vindo a sentir nos últimos anos, uma Estremadura onde a Quinta Monte D´Oiro continua rainha e senhora, quase como um farol da região, destaque para o excelente Reserva 2001 e para os dois brancos de Viognier.
Passagem pelo Ribatejo, continua a sua caminhada à procura da glória e de voos mais altos, consegue de momento boas relações preço/qualidade e alguns belos vinhos, mais um passo e estamos lá quase... a região de Palmela, onde a mudança de nome de JP, para Bacalhoa Vinhos, com a Castelão mais uma vez a dominar o panorama, alguns nomes novos, mas os bons vinhos de referência são quase sempre dos mesmo produtores... por fim temos o Alentejo, com novos produtores a aparecerem com excelentes vinhos, Quinta dos Grous Reserva 2004 por exemplo, e com a afirmação de outros nomes no mercado, Monte da Peceguina... a Touriga Nacional continua em grande forma em Portugal e em especial no Alentejo, com grandes produtores a apostarem na casta, Monte Seis Reis, Herdade das Servas, Quinta do Mouro, Cortes de Cima, Esporão... a afirmação cada vez mais forte de vinhos com alta qualidade por parte da Coop de Borba, enquanto outros produtores de nome parecem ir caindo de qualidade ano após ano, FEA com os FEA, Foral de Evora, e os seus Cartuxa, a CARMIM, Coop Redondo tirando os Anta da Serra versão branco e tinto.

No fim ainda temos o Algarve, que parece estar encostado a ver o que os outros fazem e vai tentando começar a fazer algo de interessante, mas ainda tem muito que ser feito.
Como balanço geral surge uma nova moda, os Rosés, que no Verão passado inundaram as prateleiras dos Hiper, tal como uma maior vontade de consumo de vinho branco, e tanto branco de qualidade que tem vindo a aparecer, para bem dos consumidores.
Resta esperar e ver o que este 2006 nos reserva, uma coisa é certa, a qualidade dos nossos vinhos está a crescer a olhos vistos e este feito parece não passar ao lado da crítica internacional.

Um ano cheio de saúde, alegrias e boas provas.
 
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