Copo de 3: Setembro 2006

28 Setembro 2006

Copo de 3 na adega AZAMOR Wines


Haja amor ou simplesmente AZAMOR.

Foi a paixão pelo mundo do vinho e o sonho em ter uma marca própria, que fez com que o casal Alison e Joaquim Luiz-Gomes, em 1998, comprassem, no limite do concelho de Vila Viçosa, as Herdades do Zambujal e Rego.
O nome escolhido para este projecto, AZAMOR, confunde-se com haja amor, uma palavra misteriosa e que foge ao vocabulário do dia a dia. Talvez na própria palavra esteja a essência dos vinhos desta casa... em que se junta sonho e paixão.


O destino inicial da visita foi Vila Boim, onde o simpático casal nos esperava. Seguimos para a adega, e durante o percurso foi-nos explicado que as duas herdades (Zambujal e Rego) somam um total de 260 hectares, 27 deles são dedicados à vinha, 140 ao olival e 40 ao montado, os restantes 50 são deixados para a criação de 30 cavalos Lusitanos.
As vinhas, que são as mais densas de todo o Alentejo, estiveram a cargo de Luis Elias Carvalho e de Joaquim Luiz-Gomes sendo plantadas entre 2001 e 2002, espalhadas pelos 25 hectares estão as castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Amarela/Trincadeira, Syrah, Merlot, Alicante Bouschet (com a história da sua criação a ser contada por Joaquim Luiz-Gomes durante a prova) , Petit Verdot e Mourvèdre.

A destacar a altura das vinhas, 350 metros de altura, situadas em solo argilo/xistoso com a rocha mãe entre 1-2 metros de profundidade. A rega mínima faz com que a uva se enriqueça à custa da força da planta e dos minerais do solo, que lembra em muito os solos Durienses, as vindimas são manuais com mesa de escolha no local onde a selecção é criteriosa, sendo depois transportadas em caixas de 20Kg.
Em 2004 foi o primeiro ano onde todas as castas foram vindimadas pelo que a intervenção humana foi mínima, com o intuito de ficar a conhecer as reais capacidades das plantas.

Todas as castas são vinificadas isoladamente, à medida que decorrem as vindimas (aquando da nossa visita ainda faltavam a Touriga Nacional e a Mourvedre), são utilizadas cubas de 1o toneladas com fermentação controlada entre os 22ºC e os 25ºC o que permite ao vinho ganhar uma maior intensidade aromática. Todas as castas estão prontas entre os 7 e os 10 dias , seguindo para a prensa e depois para as cubas de fermentação maloláctica onde vai ganhar mas subtileza. De 2006 deu para notar a grande qualidade da Syrah e da Merlot já em maloláctica, e umas fabulosas Touriga Franca e Alicante Bouschet em fermentação.

A passagem por madeira depende do vinho em questão e é feita em carvalho americano e francês. Os vinhos contam com a consultadoria de David Baverstock, o conhecido enólogo do Esporão.


O Enoturismo não foi esquecido, para tal foi recuperado um antigo monte, estando previsto começar a funcionar para o ano que se avizinha, ao lado está a recente adega que começou a trabalhar na vindima de 2005, a vista que se tem neste local é algo de deslumbrante, penso que poucas são as adegas com este privilégio.

Após toda esta explicação foi altura de iniciar a prova, que seria o ponto de partida para uma tarde muito bem passada. Foi a enóloga da casa, Alison e o seu marido que fizeram a apresentação dos vinhos em prova, começando por uma vertical Azamor, onde se provou o 2003, 2004 e o 2005 (2 semanas de garrafa), seguidos de duas novidades ainda por lançar no mercado, Azamor Petit Verdot 2004, e o Azamor Selected Vines 2004. O futuro topo de gama da casa (3500 garrafas) não foi provado, ainda não tem nome nem data de saída, encontra-se em estágio de garrafa ficando a prova do mesmo para outra altura.

As notas de prova aqui colocadas reflectem apenas as sensações que cada vinho transmitiu no local, sendo a prova mais detalhada feita posteriormente pelo Copo de 3. Notou-se que o perfil dos vinhos foge claramente ao típicamente Alentejano, lembrando outras paragens, mostrando mais frescura e menos aquele madurão e quente que costuma aparecer por esta zona.

Azamor 2003: O que seria impensável para muitos está aqui e com muito boa saúde, um vinho elaborado a partir de vinhas com 2 anos de idade, a partir de um lote de 3 castas, foram 17.000 garrafas que já esgotaram. Este vinho mostra-se diferente de todos os outros, foi o primeiro e o seu lote é reduzido a 3 castas, o equilibrio e a elegância são as palavras que mais o definem, tudo muito bem colocado de maneira a proporcionar uma bela prova neste momento. Consumo até 2009-2010.

Azamor 2004: São cerca de 70.000 garrafas a entrar para o mercado (nacional e estrangeiro) este vinho mudou o lote de 3 para 7 castas, com destaque para 30% Syrah e 22% Merlot, 15% estagiou em carvalho americano, outros 15% em carvalho francês, durante 7 meses com o restante a ficar em depósito de inox. Apresentou-se com boa tonalidade, a fruta mostra-se bem madura com boa intensidade, algum vegetal num conjunto que mostra-se mais vivaz que o 2003, balsâmico com pinheiro em destaque tudo muito fresco, com grande equilibrio de madeiras e seus aromas derivados. A boca mostra mais do mesmo, mais estruturado mais denso que a anterior versão, e final fresco e especiado. Apesar da mudança de perfil continuamos a ter um belo Azamor.

Azamor 2005: Engarrafado recentemente, teve nova mudança no lote, desta vez a Trincadeira ficou de lado visto não se ter portado muito bem, são 70.000 garrafas a entrar no mercado para o próximo ano. O vinho que ainda se mostra novo, mas segue a linha da casa, boa intensidade aromática num vinho que se mostra mais fino e equilibrado, lembra um pouco mais o 2003, bom recorte aromático e mais uma vez as madeiras a darem o seu contributo sem grandes excessos. Boca gulosa, com grande equilibrio, fruta e alguma compota... um vinho que claramente sobe de qualidade ano após ano.

Azamor Petit Verdot 2004: Feito com um lote onde temos 85% Petit Verdot, são 4.000 garrafas a entrar no mercado no Natal, 50% do vinho mergulhou em barricas de carvalho francês durante 12 meses, com o restante em depósito de inox. Possivelmente o primeiro varietal Petit Verdot feito em terras do Alentejo, e uma entrada com o pé direito, desde a sua bonita tonalidade, aos aromas que se vão revezando no copo, tem uma bela evolução mostrando um belo bouquet. Na boca tem boa estrutura, mais uma vez o equilibrio e harmonia destacam-se neste vinho com taninos bem colocados, será um vinho a seguir com bastante atenção.

Azamor Selected Vines 2004: De um lote das melhores uvas, 33% Syrah, 33% Touriga Franca, 19% Alicante Bouschet e 16% Trincadeira, com 15% do vinho a estagiar em carvalho americano, outros 15% em carvalho francês, durante pelo menos 9 meses com o restante a ficar em depósito de inox. foram feitas 10.000 garrafas, a sair pelo Natal. Este foi sem dúvida o vinho da tarde, sem tirar desmérito aos restantes como é óbvio, mas da maneira como acordou dentro do copo, muito senhor do seu nariz, imponente na hora de se deixar cheirar, na boca mostra-se com corpo bem feito, estruturado e bem delíneado, dá uma bela prova neste momento, um vinho onde que precisa de algum tempo de conversa, tem um final de boca muito longo, com especiaria e balsâmico muito elegante.

Em jeito de conclusão são vinhos, onde o terroir marca claramente toda a gama deste produtor, aqui conseguimos encontrar o que hoje em dia se procura, a capacidade de surpreender pela diferença aliada à qualidade. Um produtor com uma filosofia e maneira de estar no mundo do vinho muito particular, onde a politica dos preços praticados é algo que merece o aplauso dos consumidores, pois conforme nos foi dito, os preços não podem ser altos porque lá fora o caro dificilmente consegue competir com os outros... aqui está o segredo.

O Copo de 3 agradece a disponibilidade e a simpatia como foi recebido pelos seus proprietários, dá os parabéns a este projecto e espera que continue a surpreender os apreciadores com os seus vinhos.

26 Setembro 2006

Guia - Vinhos de Portugal 2007



Todos os anos são lançadas as chamadas Bíblias dos Enófilos, ou por outras palavras os Guias de Vinhos, este foi o primeiro a sair para o mercado este ano.
Neste caso em concreto, é sem dúvida O GUIA, são 13 anos de trabalho que o transformaram numa referência obrigatória para todos os enófilos, onde o Crítico João Paulo Martins dá a sua opinião sobre o que encontramos no mercado e os que vamos encontrar no próximo ano, sim porque o que se procura num guia de vinhos é novidades, saber que vinhos vamos poder encontrar nos próximos tempos, ter uma orientação fiável no real valor dos mesmos, saber se o vinho está de acordo com o nosso gosto pessoal para o poder comprar e muitas vezes até comparar com o que foi dito pelo autor, porque o vinho dá para comparar opiniões e com isto se aprende bastante.
Este ano no Guia 2007 contamos com algumas novidades, aumentou o número de páginas passando de 382 de 2006 para umas 416 neste 2007, a destacar e bem a tão esperada mudança da escala classificativa dos vinhos, passando agora para uma escala de 10 a 20 valores em sintonia com a Revista de Vinhos onde o autor faz parte do painel de provadores, tendo em vista uma melhor comparação dos vinhos de um lado com o outro, algo muito bem visto e que se aplaude.
Outro destaque foi a qualidade do papel que ao que parece melhor mais uma vez, a par disto tudo algumas ligeiras diferenças podem ser encontradas, tudo sempre para melhor que era o que se podia esperar do «guia de vinhos mais vendido em Portugal».

Resta-me então deixar os sinceros parabéns ao autor do guia, pelo excelente trabalho apresentado.

PROVA Continente Douro Branco 2005

Voltando ao assunto dos Hiper Vinhos, neste caso ainda andamos pelo Hipermercado Continente e a zona é mais uma vez o Douro, neste caso em verão branco, elaborado pela Castelinho Vinhos.

Continente Douro Branco 2005
Castas: Viosinho, Gouveio e Malvasia Fina - 12,5% Vol.

Tonalidade amarelo de concentração média/baixa com leve dourado.
Nariz com entrada fresca e de boa intensidade, fruta muito madura (tropical, fruto branco, citrino) acompanhada de notas florais (rosa), fundo mineral e lembrando por vezes ligeira baunilha.
Boca a mostrar-se bem estruturada mas sem exageros, fruta presente com boa acidez presente a dar alguma frescura ao conjunto, final mineral de média persistência.

Um vinho fresco e simpático, a mostrar algum arredondamento de conjunto, pode não ser muito complexo e ser acusado de algo simplista, mas atendendo à sua qualidade e ao preço que não passou os 2€ penso que seja merecedor de alguma atenção por parte daqueles que procuram um vinho com alguma qualidade para consumo no dia a dia. 14,5

25 Setembro 2006

PROVA Montevalle Reserva 2002

De volta ao Douro, região Cima e Baixo Corgo onde das zonas do Soutelo e Lobrigos a equipa da Bago de Touriga vinhos Lda (Luís Soares Duarte e João Roseira) deram origem a este Montevalle Reserva 2002, um vinho que segue as ambições da empresa, fazer vinhos equilibrados, amigos da boa mesa que expressem os terroirs únicos do mítico Vale do Douro.

Montevalle Reserva 2002
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca e Vinhas Velhas - Estágio: 24 meses em barricas de carvalho usadas - 13.000 garrafas das que esta é a nº 02425 - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de média concentração.
Nariz a mostrar-se com intensidade média/alta, fruta negra (bagas)muito madura presente (ligeira compota), baunilha, cacau, sensação de leve adocicado com floral pelo meio e alguma esteva, torrados em conjunto com especiarias tudo muito bem arrumado com alguma frescura e fumo de fundo, tudo em conjunto equilibrado e bastante cativante.
Boca a mostrar bom corpo, fresco, enche a boca com a sua prova, ligeira secura vegetal que se prolonga até um balsâmico e fresco final de boca em conjunto com alguma especiaria de boa persistência.

Vinho bem feito e em grande forma, um vinho que é dificil não gostar.
16

22 Setembro 2006

As Reservas da Ferreirinha

Das terras altas do Douro vinhateiro, mais propriamente da famosa e carismática Casa Ferreirinha sai este vinho, aquele que poderia ter feito parte da sequela de um míto de nome Barca Velha mas que em determinada altura do seu repouso foi despromovido para Reserva Especial (nome criado em 1962) ou como se designa nos dias de hoje, Reserva.
Em prova cega foram colocados dois vinhos, apenas se sabia que eram vinhos tintos, dois exemplares que deram muito que falar durante a prova e que fizeram as delícias de todos os presentes.


Os vinhos em causa foram decantados com antecedência e servidos a temperatura correcta, uma pequena nota de destaque para as rolhas dos dois vinhos que ambas deram problemas ao serem removidas, o problema não é só de agora.
Foi engraçado levar o primeiro vinho ao nariz que me fez lembrar um vinho que faz alguns anos me marcou pela excelente prova que me tinha proporcionado, o seu perfil poucas dúvidas me deixava restando apenas saber o ano, devido a um rebordo ligeiramente laranja não o via como um jovem mas isto de adivinhar anos tem muito que se lhe diga, fiquei pelo palpite mais que certo pois tratava-se de um Ferreirinha Reserva 1989 que aqui passo a descrever:

Ferreirinha Reserva 1989
Castas: da zona - Estágio: carvalho francês -12,5%

Tonalidade muito bonita e cativante com um ruby com ligeiro rebordo laranja a mostrar a clara passagem do tempo.
Nariz de boa intensidade, inicialmente químico, terroso, abrindo com o tempo para aromas de fruta (preta) em compota, chá preto com azeitona preta, tabaco em pequena quantidade, chocolate, especiaria com final fino e delicado em apontamento mineral (xisto húmido). Em comparação nota-se uma evolução mais acentuada que no seguinte vinho.
Boca com componente mais vegetal, fruta presente mas muito leve, está com frescura presente mas o seu melhor já passou, fino e elegante, com um bom final de boca de persistência média/alta.

Com quase 18 anos este vinho já deu o seu melhor faz algum tempo, digamos que da última vez que o bebi estava bem de saúde, com mais para contar, fiel representante do Douro a não merecer muito mais guarda pois já não dá grandes alegrias.
16,5

O segundo vinho em prova tinha um aroma muito semelhante ao anterior, certamente seria irmão, mas neste caso seria mais novo, digamos mais recente, o que se veio a verificar pois tratava-se do Ferreirinha Reserva 1994 que passo aqui a relatar:

Ferreirinha Reserva 1994
Castas: da zona - Estágio: carvalho francês - 12,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de mediana concentração, apresenta ainda que muito ligeiro, um pequeno rebordo alaranjado.
Nariz inicialmente fechado, abrindo com o tempo para aromas de fruta preta (ameixa e amora) muito madura e com ligeira compota, leve baunilha, especiaria e algum floral (esteva), tabaquinho com ligeira sensação de resina de pinheiro, torrado de fundo, tudo num conjunto muito harmonioso e em nada extravagante, aqui mandam os bons costumes e tudo se porta com normas bem precisas.
Boca com entrada fresca em corpo fino, perfil sedoso, muito equilibrado com frescura presente e fruta madura, balsâmico presente num final de boca de persistência média/alta.

Um grande vinho que foge claramente às novas tendências enológicas que reinam por este mundo fora, fiel exemplo dos vinhos do Douro finos e elegantes.
Hoje em dia são poucos os vinhos que vão chegar a estas idades, com os consumidores cada vez mais a darem menos tempo de espera aos vinhos.
17,5

A pergunta que fica no ar é, quantos dos vinhos que hoje em dia nos enchem os olhos e esvaziam a carteira vão aguentar tão bem a passagem dos anos como estes dois exemplares ? Será que vamos ter hipótese de os provar com estas idades ?

20 Setembro 2006

PROVA Continente Douro Reserva 2001

Continente Douro Reserva 2001
Castas: Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca e Touriga Nacional - Estágio: carvalho americano - 13% Vol.

Tonalidade granada de concentração média/baixa.
Nariz com aromas de boa intensidade, fruta muito madura a dar as boas vindas seguida de um conjunto bastante simpático e apelativo, marmelada e leve compota, vegetal a lembrar esteva em sintonia com derivados do estágio em madeira com a baunilha a aparecer de mão dada com suaves torrados, o vinho evoluir de maneira bastante simpática no copo mostrando-se equilibrado e fino de aromas mas com tudo no seu sítio, aroma que chega a ser um pouco guloso, açúcar queimado do leite creme, no fundo a espreitar aparece algum aniz com um aroma que lembra o cheiro dos cestos de verga e no final uma ponta mentolada.
Boca com boa entrada, corpo mediano com fruta a marcar presença, acidez a dar boa frescura ao conjunto que se mostra bastante afinado e harmonioso, torrados com algum vegetal de fundo, final com persistência média/alta com ligeiro balsâmico.

Um vinho feito para o Continente, pelo produtor Castelinho Vinhos S.A, onde se destaca a olho visto a imponente e pesada garrafa, o curioso disto tudo é que normalmente este tipo de vinhos (engarrafados para o estabelecimento em causa) raramente são alvo da crítica e costumam na maioria das vezes serem olhados de lado por parte do consumidor.
Aqui está a prova que muita gente anda enganada no que toca a estes vinhos, se bem que este pode ser um caso isolado o mesmo não impede que outros sigam os mesmos passos.
O preço deste vinho tal como o própio vinho (não estava à espera sinceramente) é uma alegre surpresa para a qualidade que nos oferece, conseguindo o que outros mais caros não conseguem mas no meio de tanta coisa boa tinhamos de colocar um «se», perde um pouco na boca onde um pouco mais de concentração seria muito bem vinda e a nota obviamente seria outra, tirando este aparte são 2,99€ sim isso mesmo 2,99€ muito bem gastos, o que leva a dizer que com preços assim não temos razão para beber mau vinho.

15,5

PROVA Rapariga da Quinta Colheita Seleccionada 2004

Rapariga da Quinta Colheita Seleccionada 2004
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês e Trincadeira - Estágio: 6 meses barrica carvalho Americano e Francês - 14% Vol.

Tonalidade granada de média concentração.
Nariz com aroma de boa intensidade com a fruta madura a macar presença, madeira bem integrada no conjunto, tabaco doce com leve especiaria e cacau, baunilha leve, fumo, seguido de aroma vegetal, por vezes dá a sensação de um vinho quente e madurão, acaba com ligeiro balsâmico.
Boca a mostrar um vinho de estrutura média, com boa acidez, enche a boca durante a prova, chocolate preto, especiaria e vegetal, talvez a enjoar um pouco com o aumento de temperatura, final longo e persistente.

Este vinho foi elaborado pelo conhecido enólogo Luis Duarte, na Herdade dos Grous perto de Beja, em exclusivo para a loja Vinho e Coisas. Comprado na suposta feira de vinhos do Carrefour o vinho custou 3,99€ mostrando-se claramente uma aposta segura e em que vale a pena apostar para um consumo diário mas com alguma qualidade acima da média.
15,5

19 Setembro 2006

PROVA Santa Fé de Arraiolos 2005

Santa Fé de Arraiolos 2005
Castas: Aragonez, Trincadeira ,Alicante Bouschet -Estágio: curto estágio em carvalho americano - 14% Vol.

Tonalidade: Ruby escuro de concentração média/alta.
Nariz com aroma de mediana intensidade, fruta vermelha madura (framboesa e cereja), leve floral com vegetal, leve torrado com baunilha e algum cacau derivado do estágio em barrica, suave e equilibrado de aromas, com especiaria ligeira de fundo com algum fumo a fazer companhia. Tudo equilibrado e sem grandes protagonismos.
Boca com entrada fresca, fruta madura presente, com balsâmico de fundo, ligeira adstringência final com persistência final média,

Mostrou-se um vinho correcto, de conjunto simples e bem feito sem grandes exuberâncias, igual a tantos outros dentro do mesmo patamar de qualidade, talvez o ponto forte seja o preço que foi pedido no Carrefour 1.90€ o que o torna numa boa escolha para quem tenha muitas dúvidas na altura de levar uma garrafa para casa. 15

17 Setembro 2006

Aprovar os Brancos das Cooperativas...

Para muito gente falar de vinho de Cooperativa é falar de vinhos menores, vinhos que nunca vão fazer parte da garrafeira pois tal seria a vergonha se algum amigo fosse encontrar uma dessas garrafas no meio de tanta estrela... felizmente essas pessoas andam enganadas pois o trabalho não de todas mas de algumas Cooperativas em Portugal tem sido muito grande, com um esforço notável para aumentar a qualidade dos seus vinhos.

Dois exemplos são a Cooperativa de Borba, que teve uma revolução nos seus vinhos, apresentou uma gama de varietais e bi-varietais, vinhos bem feitos com algo mais que uma simples qualidade e a preços mais que apetecíveis, a qualidade essa tem vindo a aumentar pouco a pouco a par das novidades, o Cinquentenário a entrar no mercado dos topo de gama, um espumante tinto de Aragonês foi outra das novidades e também o primeiro Garrafeira.
Outro fiel exemplo é a Cooperativa de Pegões, que faz algum tempo já se tinha afirmado no segmento médio e médio/alto com os seus Pegões Garrafeira, Pegões Colheita Seleccionada Tinto e Branco e recentemente lançou a sua gama de varietais, mais uma vez vinhos a preços sensatos que fazem as delícias de muitos apreciadores sem medo ou pudor do nome Cooperativa no rótulo.

Em prova estão os dois melhores brancos feitos pelas duas melhores Adegas Cooperativas em Portugal, o Montes Claros Reserva 2005 e o Adega de Pegões Colheita Seleccionada 2005, com preços a rondar os 4€ foram recentemente os dois vencedores do painel 'Brancos de Verão' da reputada Revista de Vinhos.

Montes Claros Reserva 2005
Castas: Arinto, Antão Vaz e Roupeiro - Estágio: carvalho francês com batônnage - 13% Vol.

Tonalidade amarelo citrino leve dourado de concentração média.
Nariz com fruta presente (tropical) e pêro, ligeiro torrado com baunilha, leve de aromas, não muito intenso, sensação de leve adocicado, untuosidade com frutos secos
Na boca mostra-se fresco, bom corpo com acidez presente, fruto fresco e maduro, torrado leve com harmonia de conjunto, redondo e afinado com final mineral de persistência média.
O vinho mostrou-se bem melhor que a colheita anterior, com a saida da casta Perrum a dar entrada à casta Roupeiro, ganhou mais alguma complexidade e acidez, um branco a ter em conta que por cerca de 3,80€ promete uma boa prova com uma boa relação preço/qualidade. Uma sopa de peixe ou uns choquinhos fritos não lhe viram a cara.
15,5

Adega de Pegões Colheita Seleccionada Branco 2005
Castas: Chardonnay 25%, Antão Vaz 25%, Arinto 25% e Pinot Blanc 25% - Estágio: 4 meses carvalho americano com batônnage. - 14% Vol.

Tonalidade amarelo dourado de média intensidade.
Nariz com boa intensidade, fruta madura (tropical e citrinos), certa untuosidade, chá preto, torrada, melado, baunilha, leve frescura presente em conjunto harmonioso, frutos secos com fundo mineral.
Boca com boa entrada, fruta presente, untuosidade presente com acidez a dar frescura, presença de mel e algum fruto seco torrado, leve mineral presente de fundo com final de boca de persistência média/alta.

Vinho que ano após ano consegue manter uma bela fasquia de qualidade, claramente um vinho indicado para os tempos mais frios, vai ser bom companheiro de Outono e Inverno, o preço pode variar um pouco, mas é sempre um vinho a ter em conta face à boa qualidade que nos consegue oferecer pelo preço que nos pede. Um bacalhau no forno com espinafres faz-lhe boa companhia 16

Brancos em revisão...

Alguns vinhos foram à revisão, neste caso apenas vinhos brancos, digamos que se realizou uma nova prova para saber em que estado se encontram... ficam aqui os resultados:

Couteiro-Mor Chardonnay 2003 - Não se mostrou em grande forma, a mostrar sinais de oxidação, com a fruta pouco presente (ananás)e baunilha com leve torrado, o fundo é dominado por TCA (cheiro a rolha).
Aberta segunda garrafa o problema apareceu de novo, é vinho que o melhor já passou e que não merece mais guarda (caso tenha algumas). 9,5

Valle Pradinhos Branco 2004 - Começou a perder alguma da sua exuberância, a acidez não é a mesma pelo que o vinho começa a perder o encanto que já teve. Recomenda-se a abrir as que se tem na garrafeira e substituir pelo novo Valle Pradinhos Branco 2005. Por tudo isso a nota baixa de 16 para 15

Esporão Verdelho 2004 - Foi mais um vinho sensação quando do seu lançamento, pela sua frescura e qualidade da fruta e por não ser muito normal o lançamento de um varietal Verdelho, este vinho deu que falar. Apesar de tudo o seu ponto alto já foi, pode ter entrado para obras ou simplesmente o vinho entrou na sua fase descendente pelo que se deve aproveitar o quanto antes, no mercado já se encontra o Verdelho 2005. Passa de 17 para um 16

PROVA Pata Negra Gran Reserva 1998

Pata Negra Gran Reserva 1998
100% Cencibel (Tempranillo) - Estágio: 24 meses em carvalho francês e 36 meses em garrafa 12,5% Vol.

Tonalidade granada de média concentração com rebordo a mostrar já alguma coloração laranja.
Nariz com aromas inicialmente a madeira, baunilha, couro, chocolate, pão torrado, ligeiro vegetal (mato), fruta em compota (morango e amora), especiaria, a madeira a marcar a prova com o vinho a abrir ligeiramente com o passar do tempo (decantar antes de servir), onde se destacam os aromas secundários e terciários com boa ligação entre fruta e madeira.
Boca com frescura, redondo e directo, fruta presente com alguma especiaria, elegante mas sem grande corpo, mais suave do que seria de esperar apesar de equilibrado e proporcionar boa prova, com final de boca médio/alto.

Pertencente ao Grupo Bodegas Vinartis, este vinho das Bodegas Los Llanos, fundada em 1875 e situada na D.O de Valdepeñas (vale das pedras), de realçar que os vinhos Gran Reserva devem permanecer pelo menos 4 anos em repouso, dos quais 2 devem ser em barrica sendo os restantes em garrafa, com preço a rondar os 6€.
15,5

PROVA Monte Don Lucio - Cabernet Sauvignon 2005

Monte Don Lucio Cabernet Sauvignon 2005
100% Cabernet Sauvignon - Vino Joven - 12,5% Vol.

Tonalidade granada brilhante de média concentração.
Nariz de intensidade média/baixa com notas de fruta vermelha e preta (groselha, amora e framboesa) bem evidente, ligeiro vegetal (chá) acompanhado de notas de especiaria muito leves de fundo, sensação de fumo e algum álcool.
Boca com alguma secura inicial, fresco com fruta ainda que leve bem presente, especiaria, vinho correcto e agradável com final de boca persistente.

Vinho Espanhol proveniente da D.O de La Mancha, do produtor Finca la Blanca com uvas seleccionadas das vinhas em Campo de Criptana e Alcazar de San Juan, vencedor da medalha de ouro para o melhor Cabernet Sauvignon 2005, de realçar que é um vino joven ou seja um vinho sem estágio em madeira onde se destacam os aromas primários, devendo ser consumido durante o ano após o seu lançamento para o mercado, para melhor aproveitar os seus atributos (fruta e frescura). Preço a rondar os 2,80€
14,5

16 Setembro 2006

PROVA Ervideira Lusitano 2004

Ervideira Lusitano 2004
Castas: Aragonez, Trincadeira e Castelão - Estágio: barrica de carvalho francês - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média.
Nariz com mediana intensidade aromática, fruta presente com leve compota, especiarias, ligeiro floral com notas de vegetal presente, com mais algum tempo de copo evolui para leves baunilhas e derivados da madeira (cacau, tabaco), final com frescura a lembrar eucalipto.
Boca com alguma secura vegetal inicial em conjunto com a fruta, equilibrado com cacau, mediano e fresco com final especiado e mediana persistência.

Melhora com algum tempo no copo, melhor no nariz que na boca, neste momento parece que a parte vegetal domina, em força a Trincadeira com o Aragonez em segundo plano mas mais discreto. É um vinho equilibrado e que se mostra uma opção válida para o consumo do dia a dia, tem mais raça e bravura o nome do que o próprio vinho.
15

14 Setembro 2006

PROVA Solar de Serrade Alvarinho 2005

Solar de Serrade Alvarinho 2005
100% Alvarinho com 12,5% Vol.

Tonalidade amarelo dourado de concentração média com leve tonalidade esverdeada.
Nariz com intensidade média/alta, fruta (pêssego, ananás e leve citrino de fundo), floral de bom recorte a lembrar flores de bolbo (narcisos, jacintos), mineral de fundo, não é muito expressivo, equilibrado de aromas com mel presente.
Boca com boa entrada, fresco e mineral com bela acidez presente durante toda a prova em companhia de notas de fruta (limão), final de boca com persistência alta, redondo, leve adocicado/agridoce, harmonioso de conjunto e equilibrado, mineral no fundo.

Um alvarinho que enverga por um caminho mais equilibrado e harmonioso que propriamente pela exuberância, preço a rondar os 9€
16

PROVA Quinta de Cidrô Chardonnay Reserva 2004

Quinta de Cidrô Chardonnay Reserva 2004
100% Chardonnay - 6 meses em barrica - 14% Vol

Tonalidade amarelo dourado de concentração mediana.
Nariz a mostrar boa intensidade com alguma baunilha em conjunto com fruta tropical (alguma compota e fruta em calda) algum melão, apesar da madeira presente com torrados
é fresco, abrindo um pouco com o tempo, toque de mel e alguns frutos secos, amanteigado com boas ligações de todo o conjunto em que no final se destaca algum mineral.
Na boca mostra-se com bom corpo, fresco e untuoso, redondo com fruta a marcar presença num perfil que se mostra equilibrado e bem feito, acidez presente a dar toque de frescura suficiente para não tornar o vinho pesado e enjoativo, final de boca médio/longo com leve mineralidade.


É um dos bons exemplares desta casta em Portugal, perde um pouco com a falta de acidez o que o torna um vinho mais indicado para o Inverno. Uma aposta segura que vale a pena conhecer e guardar algumas na garrafeira pois tem capacidade de guarda, por cerca de 5€ mostra uma grande relação preço/qualidade, um vinho que é grande amigo de um peixe no forno onde por exemplo um bacalhau com natas liga na perfeição. 16,5

11 Setembro 2006

PROVA Cavicchioli Lambrusco Rosato Emilia - Dolce

Cavicchioli Lambrusco Rosato Emilia - Dolce
Castas: variedades locais -
7,5%Vol.

Tonalidade salmão suave
Nariz mostrou-se com bastante fruta madura e muito fresca, em harmonia com leve carbónico e algum açúcar residual.

Boca com a sensação de ligeira agulha marca o início da prova, fruta madura e final fresco, ligeiramente adocicado com mineral de fundo em persistência final média.

Um italiano de gema, o vinho Lambrusco é um dos vinhos mais conhecidos do mundo e deriva dos tempos dos romanos que utilizavam o termo Lambrusca vitis para uma variedade que nascia nos limites (labrum) dos campos (ruscus), é um vinho frizante onde a fruta e a frescura dominam a prova.
O preço ronda os 3€
13,5

PROVA Quinta de Luiziannes Encruzado 2005

Quinta de Luiziannes Encruzado 2005
100% Encruzado - 12,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino muito pálido e de leve concentração.
Na nariz mostra uma intensidade média/baixa com fruto tropical maduro e fresco a marcar presença em conjunto com citrino, mostra um toque ligeiramente melado com mineral de fundo, tudo simples e directo num conjunto que não se mostra muito exuberante mas sim simples e directo.
Na boa entrada que mostra na boca, fresco e com a fruta presente, a acidez está bem presente a dar boa dose de frescura ao vinho, certa untuosidade com final fresco de boa persistência.

De volta ao Dão com um vinho que parece ter caído no esquecimento, ausente dos guias e mesmo do site do seu produtor a Dão Sul.
Este varietal da casta branca de excelência do Dão, a Encruzado, foi comprado no Lidl onde custou cerca de 2,5€, ao lado estava o Touriga Nacional 2002 que será provado em breve.

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PROVA Monte dos Cabaços Branco 2005

Monte dos Cabaços Branco 2005
Castas: Antão Vaz, Arinto e Roupeiro -

Tonalidade citrino médio com leve dourado.
Nariz a mostrar boa intensidade, com parte floral ao lado de fruta que bem parece uma salada de frutas com tropical, citrino e alguma fruta branca a mostrar-se com tudo bem maduro e fresco e fundo mineral.
Na boca tem boa entrada, acidez a marcar presença com frescura, fruta presente apesar de a complexidade perder um pouco para o nariz, equilibrado e a dar boa prova com final de boa persistência e mineral de fundo.

Uma novidade deste não tão recente produtor de Estremoz, desta vez o Monte dos Cabaços cuja proprietária é dona do Restaurante São Rosas e da Garrafeira Coisas de Baco em Estremoz onde este vinho se pode comprar por 6,50€ e a procura tem sido muita.

Um vinho que se mostra uma boa estreia e a afinar em anos futuros.
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PROVA Dom Januário Rosé 2005

Dom Januário Rosé 2005
Castas: Aragonês e Trincadeira - 12% Vol.

Tonalidade rosada com toque avermelhado.
No nariz mostra um aroma fino e muito tímido mostra ligeiras notas de fruta vermelha, com algum vegetal e floral leve com mineral em plano de fundo mas sem dizer muito mais.
Na boca entrada de corpo suave, acidez a dar frescura ao conjunto com fruta vermelha presente muito leve e ligeira presença de açucar residual, final fresco com persistência média.

Mais um rosé do Alentejo, do produtor Herdade das Aldeias com vinhas situadas no concelho de Vila Viçosa. Um rosé que não vem trazer nada de novo, com um preço de 4,5€ a não justificar muito o investimento.
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07 Setembro 2006

Brancos Fiúza com sotaque Francês.

Em pleno Ribatejo onde Joaquim Mascarenhas Fiúza herdeiro de uma tradição familiar já secular no mundo do vinho, junta-se em parceria com o enólogo australiano Peter Bright, nascendo assim a Fiuza & Bright.
Relembro com alguma saudade o Fiúza Reserva 1996, aquele que foi a minha estreia nos vinhos de qualidade do Ribatejo e que lembra um pouco a escola de Bordéus no seu perfil onde junta a Cabernet Sauvignon com a Merlot.
Mas em prova vão estar dois vinhos com sotaque Francês, mas desta vez em versão brancos, por um lado o Fiúza Sauvignon Blanc 2005 e por outro o Fiúza Chardonnay 2005.

Fiúza Sauvignon Blanc 2005
100% Sauvignon Blanc - 12,5% Vol.

Tonalidade não muito concentrada, com uma mistura de dourado muito leve com toque esverdeado.
Nariz com entrada fresca, a componente vegetal está de braço dado com a componente frutada apesar de a intensidade não ser tão grande como eu gostaria, se na primeira temos a sensação de relva e erva, na segunda temos a fruta tropical presente (ananás) leve citrino, ainda se destaca um leve floral com fundo mineral.
Na prova de boca não se mostra com muito corpo, com uma acidez viva bem colocada a dar frescura ao conjunto, a fruta marca presença neste caso com destaque para o citrino e algum vegetal, mineral no final de boca que se mostra com uma persistência final média.

Como marca foi um dos primeiros varietais de Sauvignon Blanc em Portugal, custou cerca de 4€ e está um bom branco, fresco e para um consumo do dia a dia.
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Fiúza Chardonnay 2005
100% Chardonnay - 5 meses em carvalho americano - 13% Vol.

Tonalidade amarelo dourado de concentração média/alta.
Nariz a mostrar uma boa intensidade de aromas, fruta presente com maçã verde e fruto tropical (ananás) em boa companhia com alguma baunilha, com algum agitar do copo surge um leve aroma a rebuçado de mel, untuosidade, floral, frutos secos com leve torrado.
Boca a mostrar-se fresco, mediano de corpo, fruto tropical, ligeira untuosidade e final com persistência média, apesar de tudo o que tem de bom no nariz perde depois na boca, faltando mais alguma complexidade e mais corpo, acabando antes do desejado.

Um vinho que custou 4,5€ e que mostra de maneira um pouco tímida as pontencialidades desta casta. Galardoado com a medalha de prata no Concurso Mundial de Bruxelas 2006, é um dos bons Chardonnays de Portugal mas a lista de nomes também não é assim tão grande.
15,5

PROVA Couteiro-Mor Colheita Seleccionada 2004

Couteiro-Mor Colheita Seleccionada 2004
Castas Aragonêz, Trincadeira, Castelão e Alicante Bouschet - estagiou em quartolas de carvalho - 14% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média alta.

Nariz a mostrar uma boa intensidade aromática, fruta (vermelha e negra) madura e ligeiramente compotada, sensações de mato, esteva, floral com ligeira baunilha em companhia de torrado, fumo, ligeiro cacau e uma brisa mentolada em fundo, tudo muito bem colocado num aroma envolvente.
Boca a mostrar uma boa entrada, corpo com boa estrutura, fruta presente em companhia de leve apontamento vegetal, vinho de final longo e persistente.

Mais um vinho do Couteiro-Mor, neste caso o Colheita Seleccionada, que desde o ano de 1999 tem sido um dos meus vinhos de eleição, podendo ficar esquecido uns tempos na garrafeira que até vai agradecer.
Um belo vinho Alentejano, fiel representante das suas terras, com um preço a rondar os 4€ no Pingo Doce e a mostrar uma belíssima relação preço/qualidade.
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PROVA Couteiro-Mor Tinto 2004

Couteiro-Mor 2004
Castas: Aragonês, Castelão e Trincadeira - 13% Vol.

Tonalidade ruby de concentração média/baixa.
No nariz mostra-se essencialmente frutado, com leve vegetal de fundo, tudo com intensidade mediana e leve fumo de fundo.
Na boca tem entrada com alguma frescura (ainda que leve), fruta madura num perfil que se mostra equilibrado entre nariz e boca com ligeiro vegetal que não chega a incomodar a prova, mostra leve adstringência na parte final.

Os vinhos deste produtor ano após ano conseguem ter uma boa relação preço/qualidade, um vinho bem feito e uma aposta segura para o dia a dia com um preço a rondar os 2,5€.
15

PROVA Lancers Rosé

Lancers Rosé
Castas: Variedades locais - 10% Vol.

Tonalidade a lembrar o salmão.
Nariz a notar-se a presença clara de carbónico com fruta madura (framboesa, morango) num conjunto com leve sensação de adocicado, alguma frescura ainda que insuficiente.

Na boca temos a presença de agulha derivada do carbónico, corpo leve com mais fruta pesente e sem grandes concentrações a mostrar um vinho simples sem grandes atributos.

É um dos rosés de Portugal mais conhecidos lá fora, o Lancers da José Maria da Fonseca. Por ser vinho de mesa não indica o ano de colheita. Um vinho que apesar do preço de 2,90€ em garrafeira no Algarve, não se mostra à altura de tantos outros que podemos encontrar por preços semelhantes.
11

PROVA Monte das Servas Rosé 2005

Monte das Servas Rosé 2005
Castas: Touriga Nacional e Syrah - 13% Vol.

Tonalidade rosada com toque avermelhado.
Nariz a mostrar boa intensidade aromática com toque fresco e fruta (vermelha) bem presente, ligeiramente especiado e floral, fundo com sensação de rebuçado muito leve.
Boca a mostrar uma entrada fresca com a fruta presente, muito bem integrado todo o conjunto, o açúcar residual não se mostra em excesso e a acidez no final dá uma frescura acertada e faz com que o vinho seja muito agradável sem chegar a enjoar, final com persistência média/alta.

Depois de já ter sido aqui referenciado mais que uma vez, chegou a altura de colocar a nota de prova deste rosé que foi uma das minhas escolhas para este Verão.
Um rosé bem feito, equilibrado e bom companheiro dos dias mais quentes, com um preço a rondar os 3,50€ a mostrar grande relação preço/qualidade.

16

06 Setembro 2006

PROVA Chateau Pailhas 2004


Quando se fala de vinho de França, o mar de nomes, regiões e sub-regiões é enorme e claro está que uma fuga aos nomes mais consagrados implica navegar num mar desconhecido onde o risco de se apanhar um autêntico barrete seja grande.
Neste caso foi colocado em prova um vinho de Bordéus, mais propriamente um vinho Bordeaux AOC ou será o mesmo que um Bordeaux Appellation Origine Controlée neste caso Rouge, ganhou prata no concurso de vinhos d´Aquitaine (região de França) e foi engarrafado para a companhia Ginestet.
Apresentando-se com 12,5% e uma tonalidade ruby de intensidade média, as castas presentes não são indicadas.
No nariz apresenta-se com fruta madura, especiaria ligeira, fresco de aroma e alguma componente mais vegetal com leve sensação de chocolate no final. É um vinho que pelo aroma se mostra simples e bastante directo sem muito que mostrar.
Na boca temos mais do mesmo, parte vegetal, corpo simples, fruta presente com especiado no final que é de persistência média/baixa.
Vinho fino, leve e muito certinho em todo o seu conjunto, em minha opinião não vale a pena perder muito tempo com ele, a beber jovem e pelo preço de 6€ temos em Portugal muito melhor e mais barato.
13

04 Setembro 2006

PROVA Vertente 2003

Vertente 2003
Castas:Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Amarela, Touriga Nacional entre outras - Estágio: 12 meses em carvalho francês e americano - 13,5% Vol.

Tonalidade granada de boa concentração.
Nariz a mostrar boa intensidade com um aroma complexo de belo nível, a fruta vermelha e negra marca presença (alguma compota) envolvente e cativante, fumo, baunilha, tabaco, especiarias, ligeiro torrado, caramelo, chocolate, no final um toque floral a lembrar a esteva em final balsâmico a dar uma pitada de frescura ao vinho.
Boca com uma entrada muito elegante, com a fruta a marcar presença, muito fino e arredondado, o equilibrio é palavra de ordem neste vinho, com os taninos muito maduros e uma bela passagem pela boca, com a persistência final a ser alta num vinho altamente recomendável.

Este vinho da Niepoort que nos acompanha desde 2000 vê aqui em prova a colheita de 2003, com uvas provenientes da Quinta de Nápoles (de onde já tivemos um Niepoort Quinta de Nápoles que foi deixado de lado) e do Pinhão, resultante deste trabalho sairam 12.000 garrafas com um preço a rondar os 12€.

É um vinho que se pretende ser mais pronto a beber que os seus irmãos Redoma, Batuta e Charme mas sempre dentro de um perfil fino e harmonioso, aliado a uma qualidade bem conhecida dos vinhos desta casa.
17

PROVA Azamor 2003

Azamor 2003
Castas: Merlot, Touriga Franca e Syrah - Estágio: Carvalho americano e francês - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.
Nariz com boa intensidade aromática, fruta madura (negra e vermelha) com alguma compota, a madeira bem integrada no conjunto, vegetal presente com especiaria de fundo, ligeiro químico e balsâmico, tudo muito bem integrado a dar uma boa prova com alguma frescura.
Na boca o vinho mostrou-se fresco, acidez correcta, mineral de fundo, muito arredondado, com algum vegetal na boca que não chega a incomodar, bom final de boca.

De novo em prova este vinho, a última data de Janeiro pelo que passados estes 7 meses vale a pena ver como está de saúde. O vinho mostrou-se mais uma vez com muito bom nível, e um pouco mais afinado do que na primeira prova pelo que a nota mostra isso mesmo. Vale a pena guardar algumas garrafas pois ainda tem pernas para andar, consumo até 2009 estrando no ano que vem no seu ponto alto.
16,5

PROVA Ázeo 2005 Branco

Ázeo 2005 Branco
Castas:Viosinho e Chardonnay - Estágio: 6 meses carvalho francês - 13% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de boa concentração.
Nariz a mostrar uma intensidade aromática média/alta destaca-se pela qualidade da fruta com citrino de bom recorte, frutos secos torrados, ligeiro floral que lembra o aroma da esteva no monte, ligeira baunilha com mineral de fundo bem presente num perfil fino de aromas e muito refinado com bom equilibrio entre eles.
Boca com mais do mesmo, fruta presente em conjunto com uma acidez muito bem colocada a dar frescura ao vinho, harmonioso com tudo no seu sítio, uma certa untuosidade dá um toque guloso mas nada que seja em excesso, apenas o suficiente para que se diga sim senhor. No fundo um travo mineral acaba com uma persistência alta.

Das terras Durieneses pelas mãos do enólogo João Brito e Cunha, sai em 2004 a primeira versão deste branco que foi um 100% Viosinho, de seu nome Ázeo que em latim significa bago de uva.

Nos últimos anos não têm sido muitos, os brancos do Douro que me conseguiram despertar alguma atenção mas este conseguiu e bem, numa zona dominada claramente pelo vinho do Porto e pelos vinhos tintos o vinho branco é colocado num plano bastante inferior, surge nos últimos tempos uma nova vaga de vinhos brancos onde se nota a cada ano que passa um aumento da sua qualidade.
Este Ázeo 2005 é um fiel exemplo disso, um vinho que se coloca num patamar alto e fiel representativo da zona que o viu nascer, o preço ronda os 12€ e é mais que merecido, sendo que a nota final fica que nem uma luva.
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PROVA Dom Januário Colheita 2005 Branco

Dom Januário Colheita 2005 Branco
Castas: Antão Vaz e Arinto - 12,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de concentração mediana com leve toque dourado.
Nariz com boa intensidade aromática dando lugar inicialmente a fruta madura (tropical e algum citrino) em conjunto com leve apontamento a mel de esteva e uma ponta mineral de fundo, o vinho não se mostra muito exuberante mas sim mais contido e num plano simplex mas bem feito e agradável.
Boca com entrada pouco vistosa, nota-se que falta alguma complexidade para melhor acompanhar o nariz, acidez presente em quantidade suficiente mostrando-se no final com algum mineral num final de boca de persistência mediana.

Produzido e engarrafado na Herdade dos Outeiros Altos situada no concelho de Vila Viçosa, este vinho obteve a Talha de Prata no XV Concurso «Os melhores vinhos do Alentejo» realizado pela Confraria dos Enófilos do Alentejo, de relembrar que mais um ano a qualidade não foi suficiente para atribuir o ouro. De um perfil mais que conhecido das terras Alentejanas, relembro que esta ligação Antão Vaz com a casta Arinto pode ser encontrada desde terras do Alto Alentejo até ao Baixo Alentejo, sempre jogando com a fruta da Antão Vaz e a frescura e boa acidez da Arinto.
Em conclusão temos um vinho bem feito, fresco e agradável em que o conjunto se mostra bem afinado, com um preço a rondar os 4€.
15,5
 
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