Copo de 3: Novembro 2006

30 novembro 2006

PROVA Quinta de Alcube - Varietais

A Quinta de Alcube está situada em Azeitão, em pleno Parque Natural da Arrábida, entre as Serras de São Francisco e São Luís e estende-se por 200 hectares de espaço rural preservado.
No rótulo podemos ver
a Capela do Alto das Necessidades, no interior da qual se ergue um valioso Padrão do século XV, classificado como Monumento Nacional.
Das várias actividades da Quinta destaca-se a produção de Queijo de Azeitão em queijaria tradicional e um dos últimos pomares de Laranjas de Setúbal, tal como a produçãode Vinho como é o caso destes dois varietais:


Quinta de Alcube Castelão 2004
Castas: 100% Castelão - Estágio:
10 meses carvalho Americano e Francês + 4 meses em garrafa - 14,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de média concentração.
Nariz a evidenciar fruta madura, com boa dose de frescura a acompanhar um especiado, algum herbáceo em companhia de notas de chá, as notas de barrica estão em segundo plano abrindo com o tempo para cacau, ligeiro torrado com baunilha, com ligeiro fumo de fundo em companhia com balsâmico.
Boca de corpo mediano, fruto bem presente, de imediato a dar entrada uma acidez que dá boa frescura ao conjunto, especiaria de braço dado com vegetal em fundo balsâmico que dá uma persistência final média, com leve adstringência que não chega a incomodar.

Não me lembro de ter provado um Castelão assim, é um vinho de atracção imediata, penso que foge ao perfil de Castelão mais dominador na zona, não sendo melhor nem pior, a palavra que o define é diferente e por isso mesmo é um vinho a seguir atentamente nos próximos tempos.
16

Quinta de Alcube Trincadeira 2003
Castas: 100% Trincadeira - Estágio: 10 meses carvalho Americano e Francês + 8 meses em garrafa - 13% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração mediana.
Nariz de boa intensidade aromática com a presença de boa madeira e notas derivadas do estágio, ligeiros torrados, fumo e alguma baunilha aliada a fruta muito madura com ligeira compota já a marcar presença. Se ao principio se pode mostrar um pouco fechado, com o tempo dá lugar a uma componente vegetal seguida de apontamento floral que me lembra os trabalhos de campo para a faculdade na serra da Arrábida (esteva, mato rasteiro, camomila...), que vem claramente dar nova vida ao vinho com um leve apontamento balsâmico no final.
Boca com boa entrada, estrutura média, fresco e macio, muito agradável e com boa passagem de boca, fruta madura presente com torrados pelo meio, afinado e harmonioso com fundo balsâmico e de persistência média.

Um vinho afinado e equilibrado, tem harmonia de conjunto e consegue cativar durante a prova não se tornando pesado ou enjoativo, ainda com pernas para andar pode estar guardado por mais algum tempo.
Foram engarrafadas 6993 garrafas sendo esta a nº 801
15,5

26 novembro 2006

PROVA Barrancos 2005

Junto ao Vale do Rio Murtega, numa pequena encosta soalheira a caminho da fortaleza de Noudar, nasce este vinho único, fruto do Sol, do Xisto e da Vontade dos Homens desta Terra que lhe deu o nome - Barrancos - Vila raiana, de tradições fortes, gente hospitaleira, paisagens calmantes, touradas, caça, azeite, presuntos... e também de vinho.
Estas são as palavras com que se apresenta este vinho que já vai na sua segunda edição, passando de umas 2.660 garrafas para umas 4 mil na colheita de 2005.

Barrancos 2005
Castas: Aragonez 70% , Touriga Nacional 20% e Alicante Bouschet 10% - Estágio: 6 meses carvalho francês - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de boa concentração.
Nariz a mostrar-se com aromas de boa intensidade, algo fechado de início que ganha com algum tempo no copo, fruta vermelha e negra madura (ameixa, amora, bagas) com ligeiro vegetal/floral (esteva em flor) de segunda linha, em conjunto surge uma ligeira frescura muito bem colocada, o tempo passa e nova vaga de aromas aparece, madeira bem integrada com a fruta, toque especiado com baunilha, torrado ligeiro com algum tabaco e notas licoradas de fundo em companhia com toque de fumo muito diluido no final.
Boca a mostrar corpo de boa intensidade e concentração, frescura presente, equilibrio com vegetal fugaz, balsâmico e fruta madura, torrado, boa passagem com ligeira adstringencia, licor com final de boa persistência.

Uma boa surpresa com um rótulo muito bem conseguido, este não é daqueles vinhos simples e sem graça que se bebem e não nos dizem nada, este Barrancos é acima de tudo um vinho que se mostra com alguma força e carácter, apesar de um pouco fechado dá uma prova interessante, podendo vir a ganhar algo mais com algum tempo de garrafa. Uma justa homenagem ao povo de Barrancos.
15

PORTO E DOURO WINE SHOW 25 e 26 Novembro Casino de Lisboa

Vinhos do Douro e do Porto pretendem cativar o interesse e o paladar do público da capital, não só dos amantes e conhecedores de vinhos como de novos consumidores PORTO E DOURO WINE SHOW, realiza-se nos dias 25 e 26 de Novembro, no Casino Lisboa, a partir das 16h00.

Alguns dos mais conceituados produtores de vinhos do Douro e do Porto vão marcar presença no evento que tem por objectivo ser um dos pontos mais altos dos encontros vínicos do ano e um acontecimento social de referência inserido nas “Comemorações dos 250 Anos da Região Demarcada do Douro” e no programa “Douro no Tejo”.

PORTO e DOURO WINE SHOW junta os melhores produtores e enólogos dos vinhos do Douro e Porto, para preparar dois dias mágicos à volta do vinho. O fantástico Casino Lisboa abrirá as suas portas a este acontecimento, onde marcarão presença os grandes vinhos desta famosa região. ENTRADA LIVRE

Para mais detalhes consultar o site: http://www.essenciadovinho.com/

21 novembro 2006

PROVA Herdade da Comporta

A Herdade da Comporta é um projecto relativamente recente no mundo do vinho, com cerca de 30 hectares de vinha, situada em solos arenosos e solarengos temperados pela proximidade do oceano, digamos que temos uns vinhos em que à primeira vista se destacam lotes bem conhecidos dos vinhos Alentejanos mas em que as condições climatéricas são bem diferentes, com a enologia a cargo de Francisco Colaço do Rosário, vejamos então o que tem cada um deles a dizer:

Herdade da Comporta Branco 2005
Castas: Antão Vaz e Arinto - Estágio: Inox - 13% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de média concentração e ligeiramente glicérico.
Nariz com aromas de intensidade mediana, a fruta que supostamente seria de esperar não aparece logo em destaque e dá lugar a um aroma vegetal presente (chá te cidreira) seguido de leve floral, a fruta aparece depois com apontamentos de origem tropical (anonas e ananás), a frescura é mediana num conjunto que se mostra algo tímido.
Boca a dar melhor prova que no nariz, com estrutura mediana, presença de ligeiro vegetal com pontinha mineral de fundo, acidez presente dando boa frescura ao conjunto, final de boca médio e de boa persistência.

Um vinho onde a casta Antão Vaz não se mostra tanto dando lugar ao Arinto, vinho algo introvertido e pouco comunicativo no nariz, melhor na boca sem dúvida alguma, talvez a proximidade do mar e o próprio terroir tenham influenciado o comportamento das castas, preço a rondar os 6,50€ um pouco alto para a qualidade apresentada.
15

Herdade da Comporta Tinto 2004
Castas: Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet e Touriga Franca - Estágio: Carvalho - 14,5% Vol.

Tonalidade granada de concentração média.
Nariz com boas notas de fruta madura (doce de tomate), ligeira presença de vegetal (erva seca) em segundo plano aliada a uma suave componente floral e especiada (cravinho), fresco de aromas em bom equilibrio e harmonia.
Boca bem estruturada, suave na prova de boca com fruta presente, acidez suficiente para dar boa dose de frescura ao vinho, um conjunto muito agradável de persistencia final média.

Mostra-se um vinho muito consensual, está bem feito e apelativo, num perfil diferente talvez até se chame de Alentejo-Sadino, ronda os 7€
16

19 novembro 2006

PROVA Terras D´Ervideira

Próximo de Reguengos de Monsaraz, mais propriamente da Herdade da Herdadinha pertencente à Ribeira da Ervideira Sociedade Agrícola, são produzidos os vinhos Terras D´Ervideira, aqui em prova o tinto e o branco:

Terras D´Ervideira Tinto 2004
Castas: Aragonez, Trincadeira e Castelão - Estágio: Inox - 13,5% Vol.

Tonalidade granada de concentração mediana.
Nariz com fruta vermelha e negra (ameixa, bagas, amora), apresenta ligeira compota em companhia de especiado e com fumo de fundo.
Boca de estrutura suave, vegetal com fruta madura, frescura ligeira, boa passagem de boca com o final a mostrar alguma secura vegetal, mostra um bom equilibrio de conjunto, muito afinadinho.

Um vinho que para um preço a rondar os 4€, esperava-se um pouco melhor.
14


Terras D´Ervideira Branco 2005
Castas: Antão Vaz, Perrum e Roupeiro - Estágio: Inox - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino com ligeiro dourado.
Nariz de aroma leve e frutado, apontamento de fruta tropical com companhia de citrinos em companhia de aromas florais que se conjugam com toque mineral de fundo. Sem grande intensidade mas a mostrar-se correcto.
Boca de média estrutura, fruta presente como no nariz, em boa proporção dando uma prova bem equilibrada e com acidez presente a dar frescura ao conjunto, final de boca médio.

Um vinho que apesar de se mostrar sem grande intensidade, mostra-se correcto e a dar uma bela prova, o preço de 3€ é aliciante para a qualidade apresentada, uma boa aposta para o dia a dia que não nos vai deixar mal. 15

16 novembro 2006

PROVA À QUINTA - Vinho com menos de 13% Vol.



Fui buscar o meu exemplar a um produtor que ultimamente tem andado muito apagado, falo da Cooperativa Agricola de Granja, situada perto de Mourão, pertencente à região vitivinícola da Granja/Amareleja.

Terras do Cante 1997
Castas: Trincadeira, Periquita, Moreto Preto e Aragonês - Estágio: envelhecido em madeira e estagiado em garrafa - 12,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro muito bonito de concentração média/baixa mostrando já a passagem do tempo com leve laranja no rebordo.
Nariz que não se mostra de grandes exuberâncias, aqui tudo se conjuga num equilibrio e numa afinação muito delicada que tornam o conjunto agradavel, a mostrar-se com frescura de aromas, inicialmente aparece a componente vegetal bem mais presente com uma componente especiada ainda que leve e fina, acompanhada de uma pontinha de químico, com mais um tempo de copo surgem então de forma progressiva frutos silvestres, marcando presença com alguma compota/geleia muito ligeira, em acompanhamento um ligeiro caramelo de leite que nos transporta para notas ligeiras de tabaco(charuto), massapão e final com sensação de fumo e queimado.
Boca com estrutura suave, redondo e sem arestas, macio com a acidez suficiente para o vinho mostrar ainda frescura, boa passagem de boca com notas de geleia, tabaco e madeira, algum vegetal e o final mostra uma ponta de balsamico com ligeira especiaria, em persistência final mediana.

Um vinho fora de modas, um Alentejano com um estilo já pouco visto nos dias que correm, apesar de tudo está em boa forma e a dar uma prova muito interessante, o vinho não tem tanta graduação como os vinhos que se fazem nos dias de hoje, não é um vinho madurão nem de grandes concentrações, está isto sim um vinho fino, elegante e macio, capaz de ficar mais um tempo na garrafeira sem muitos problemas.
16,5

É aqui que se podem colocar as vossas notas de prova em jeito de comentário...
PS: O novo desafio foi lançado pelo Vinho da Casa, bem interessante por sinal.

PROVA Almeida Garrett Chardonnay 2003

Aqui um exemplar proveniente da região da Cova da Beira nas fraldas da Serra da Estrela, do produtor SABE - Soc. Agrícola da Beira, SAsai este Chardonnay 2004 Regional Beiras.

Almeida Garrett Chardonnay 2003
Castas: 100% Chardonnay - Estágio: 6 meses carvalho francês - 14% Vol.

Tonalidade amarelo dourado de bela intensidade.
Nariz com a casta a expressar-se pouco, fruta presente com algum vegetal a surgir ainda que leve, sensação de amanteigado com torrado de fundo, num conjunto de aroma pouco exuberante e complexo e um pouco apagado, leve doçura de fundo com frescura ligeira, mostra-se correcto mas não passa disto.
Boca com boa entrada, redondo e de estrutura mediana, muito afinado com tudo no seu sítio, frescura suficiente a dar alguma vida ao vinho, traço vegetal que se dilui num final de boca médio.

Um vinho que se mostrou correcto e acima da média da qualidade de muitos brancos, apesar de um pouco abaixo do esperado, talvez a nova colheita que se encontra no mercado esteja melhor, com um preço aproximado de 5€ valeu pela curiosidade.
15

PROVA Valle do Nídeo Superior 2004

Mais um Duriense em prova, desta vez proveniente da zona do Pocinho, Vila Nova de Foz Côa, pelo produtor Hermínio Miguel Abrantes sai este:

Valle do Nídeo Superior 2004
Castas: Touriga Franca e Tinta Roriz - Estágio: 6 meses carvalho novo - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média.
Nariz de boa intensidade, fruta madura e ligeira compota, com toque vegetal de fundo (mato), em conjunto surgem notas de baunilha e cacau, tabaco e especiarias em segundo plano num conjunto que sem ser muito exuberante mostra uma boa afinação aliada a uma frescura muito agradável.
Boca com estrutura média, redondo na prova com frescura presente, a fruta presente acompanha uma leve secura vegetal, boa prova de boca com baunilha e leve balsamico em final especiado de persistência média/baixa.

Um vinho bastante agradável a que talvez falte um pouco mais de concentração para se tornar algo mais sério, mesmo assim é um vinho bastante bem feito e com qualidade bem presente com um preço a rondar os 7€
15,5

PROVA Dona Berta Rabigato Reserva 2005

Em prova mais um vinho do Douro, de Freixo do Numão, Dona Berta Rabigato Reserva 2005 é um extreme da casta Rabigato (Rabo de Ovelha no Alentejo e Dão) o que deve ser caso único pois é casta que costuma andar acompanhada.
O vinho junta uvas provenientes de vinhas com cerca de 150 anos (pré-filoxéricas) com uvas de vinhas novas:

Dona Berta Rabigato Reserva 2005
Castas: 100% Rabigato - Estágio: Inox - 13% Vol.

Tonalidade amarelo citrino com ligeira nuance esverdeada.
Nariz com intensidade média/alta, fruta madura bem presente com notas de ananás, figo, manga e ligeiro citrino, no conjunto a frescura é notória num conjunto com leves aromas florais que se prolongam para notas minerais bem presentes, tudo muito bem equilibrado e elegante, no final tem ligeira sensação de fumo.
Boca a mostrar-se com bom corpo, a dar uma prova de muito bom nível, a fruta de qualidade marca presença em conjunto com uma acidez que nos guia durante a prova de boca sem chegar a ser exagerada, toque mineral de bom tom a marcar o final de boca que se mostra com grande persistência.

É um vinho de qualidade e que sem se entender o motivo parece afastado dos ditos nomes da moda na região, talvez as modas interessem mais a uns nomes que outros, mas o certo é que este Dona Berta Rabigato Reserva 2005 se mostra um vinho que tem tudo para agradar, certamente um nome a conhecer sem hesitar, que mostra qualidade para estar ao lado dos bons exemplares da zona que o viu nascer, preço a rondar os 12€
16,5

PROVA Dona Berta Tinto Reserva 2004

Em prova a versão tinto do Dona Berta Reserva aqui representado pela sua última colheita:

Dona Berta Reserva 2004
Castas: locais - Estágio: carvalho americano e francês - 13% Vol.

Tonalidade ruby escuro de média concentração.
Nariz de boa intensidade, a fruta aparece madura e com ligeira compota, tudo bem casado com a madeira onde ligeiras notas de baunilha, ligeiro tostado e uma pitada de pimenta complementam um conjunto harmonioso e equilibrado, as notas vegetais marcam presença mas sem se manifestarem muito, com o tempo surge leve cacau e um ligeiro fumo de fundo.
Boca de estrutura média, fresco no conjunto com boa acidez e muito equilibrado no seu todo, tem certo arredondamento com fruta madura presente e alguma secura vegetal. Final de boca de persistência média com recordação de ligeiro mineral.

Um vinho que não se mostrando muito concentrado ou intenso, foge claramente a modas destacando-se pela elegância e harmonia de conjunto, mostra-se equilibrado entre nariz e boca dando uma prova de grande qualidade.
Com um preço aproximado de 15€ é um vinho que vale a pena conhecer.
16,5

15 novembro 2006

FESTA DA VINHA E DO VINHO 2006 - 11 a 19 Novembro


Mais um evento ligado ao mundo do vinho, a Festa da Vinha e do Vinho que se realiza na vila de Borba, entre os dias 11 e 19 de Novembro, com uma forte vertente cultural, onde a gastronomia, a música, e tudo o que diz respeito ao vinho pode ser devidamente apreciado.

Mas afinal não é bem assim, este ano para entrar tive de pagar 2€, a curiosidade e a necessidade de lá ir por vários compromissos fizeram com que mais um ano o Copo de 3 fosse visitar a Festa da Vinha e do Vinho.
Ao entrar a desilusão foi enorme, se no ano passado ainda se contavam alguns produtores de vinhos do Alentejo, com alguns agentes do sector presentes, este ano apenas contei pouco mais que 5 produtores de vinho, com destaque para a Coop Borba, Marcolino Sebo, Dom Januário e Monte Seis Reis...
O mais curioso é que uma festa que tem pelo nome Vinho e Vinha, apresenta uma esmagadora maioria de barraquinhas de artesanato, de todo o tipo e feitio, mais que vistas e revistas nas festas que ocorrem pela zona durante o ano...
O pesadelo pode continuar se pensarmos que nesta festa não se tem um minimo de cuidado no serviço dos vinhos nem sequer se fala em temperaturas ou copos dignos para tal.
Ou tentam melhorar para que seja um evento de referência no Alentejo, coisa que não vejo, ou então tirem o nome à festa porque estão a insultar o Vinho.

10 novembro 2006

PROVA Quinta do Infantado 2003

É mais um vinho do Douro, proveniente da Quinta do Infantado, com uvas seleccionadas em duas vinhas: Serra Douro e Serra de Baixo, na famosa região de Gontelho, um terroir único.

Quinta do Infantado 2003
Castas: não indicadas - Estágio: carvalho de várias origens e idades - 13% Vol. Garrafa 4062/14.400

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta
Nariz a revelar no primeiro contacto aromas de fruta madura de boa qualidade e intensidade , ligeira selecção de compotas presente e com uma frescura presente ao de leve, pó de talco seguido de um vegetal muito sumido, a esteva brinda o vinho com a sua fragrância diluindo-se e dando lugar a caixa de charutos, a madeira está muito bem encaixada no conjunto, pitada de cacau, baunilha e torrado leve, em conjunto com a presença de notas licoradas algum fumo de fundo acompanhado de um subtil balsâmico.
Boca com entrada fresca, a fruta está também presente a dar indicação de alguma compota presente, conjunto afinado e elegante, macio na prova com balsâmico no final.

É um vinho que não se mostra muito complexo na boca, mas é um vinho que se mostra suave e elegante com todos os seus atributos a darem um bom desempenho, dando grande prazer ao provar o vinho.
Como nota curiosa penso que seja o único vinho a ter a bandeira de Portugal no rótulo.
16

06 novembro 2006

Copo de 3 no Encontro do Vinho e Sabores 2006


O Copo de 3 esteve mais uma vez presente no Encontro do Vinho e Sabores, dois dias permitiram repartir da melhor forma o tempo, o número de provas e poder estar mais algum tempo de conversa com produtores e enólogos (temos sempre qualquer coisa a aprender).

Além de poder provar vinhos que já conheço e gosto, estes Encontros servem sempre para tentar encontrar algumas novidades que me consigam surpreender, claro que também encaro estes eventos como uma forma de encontrar os amigos da mesma causa, produtores, enólogos, amigos bloguistas... acima de tudo sempre com boa disposição e uma dose de divertimento à mistura, porque isto é para nos divertirmos e distrairmos, falar do que se provou, se já se provou o vinho X do produtor Y que está excelente, qual o branco que mais gostou... são estes momentos que valem a pena e que apenas são possíveis devido a estes Eventos.


Este ano para não faltar a regra, e nem o Encontro seria o mesmo, lá me encontrei com vários conhecidos destas andanças, uns mais recentes que outros, bloguistas em peso não faltaram à chamada, abraço para o amigo Paulo Silva do Vinho da Casa (sempre que te encontrei estavas em stands do Alentejo ou é impressão minha), o grande Rui Miguel do Pingas no Copo (estou como tu, falei mais do que provei), o Nuno Oliveira Garcia do Saca a Rolha (que em conjunto fomos visitar um amigo abandonado que por lá estava, só abriu a porta depois de termos batido 3 vezes mas pronto...), paragem no blogger/produtor João Roseira sempre bem disposto e um mestre na arte de bem receber (Em vez de Bombas bebam mas é Gouvyas...) e sem esquecer o grupo do Vinho a Copo.


Uma breve passagem pelo concurso «A escolha da imprensa», os vinhos que participaram no concurso estavam colocados nessa mesma zona em formato de Self-Service que mais parecia o festival da Sopa tal a temperatura a que alguns podiam ser provados, sinceramente os vinhos mais pareciam um conjunto de desterrados ali colocados e a uma temperatura nada agradável.
Destacar mais uma vez a grande prestação dos vinhos tintos do Alentejo que fizeram o pleno, para mais detalhes consultar a fotografia.

Outro ponto deste Encontro que não gostei muito foi a zona dos Sabores... onde a destacar pela positiva claramente os produtos Sanchez Romero ou alguns produtores de queijo, o requeijão com doce de abóbora, simplesmente genial ou os chocolates presentes... mas pela negativa o preço e o serviço das variadas sandes que lá eram servidas, é que pagar 3€ por uma sandes de chouriço industrial ao melhor estilo Nobre, ainda por cima uma sandes mal feita, é destas vezes que sinto a falta dos expositores dos «sabores» da FIAPE ou da Feira da Vinha e do Vinho em Borba.

Durante dois dias de provas, alguns vinhos destacaram-se mais que outros, fica aqui a lista:

Brancos

Secret Stone 2005 - Um Sauvignon Blanc da Nova Zelândia/Marlborough onde as notas tropicais (em primeiro plano manga e depois ananás) se destacam com bastante intensidade aliadas a uma forte vertente floral, tudo isto acompanhado por um grande frescura de conjunto que se complementa na prova de boca, com a acidez a marcar presença num vinho que conquista de imediato. Preço a rondar os 13€, a encomenda já foi feita.

Schloss Gobelsburg Grüner Veltliner 2005 - Vem no seguimento da colheita já aqui provada, segue por isso a mesma apreciação, muito mineral e fresco com nível de acidez bem marcado... com corpo que aguenta o vinho durante toda a prova, belos aromas, um tipo de vinho completamente diferente dos nossos, de grande categoria e que me agradou muito.

Montes Alpha Chardonnay 2004 - De todos os Chardonnay provados este foi o que mais gostei, pela forma como a fruta e algumas notas de amanteigado que bem definem esta casta, se conjugam com a madeira, tudo extremamente fino e muito apelativo, untuosidade com alguma frescura marca presença na quantidade necessária, um belíssimo Chardonnay.

Madrigal 2005 - É a segunda colheita desta marca, um 100% Viognier que mudou ligeiramente para melhor, conjuga um elegante perfume com um equilibrio quase imaculado entre acidez e uma suave dose de doçura que parece apresentar, é um vinho que não deixa ninguém indiferente após a sua prova.

Redoma Reserva 2005 - É a consagração do já consagrado Redoma Reserva, com um 2005 superior ao já grandioso 2004, elegância, finesse, talvez sejam poucas as palavras que definem um vinho desta qualidade.

Gouvyas Reserva 2004 - O melhor branco desta casa até aos dias de hoje, pois todos nós consumidores esperamos que a qualidade continue a aumentar. Começa a ser um assunto muito sério este Reserva, continua a ser colocado injustamente de lado quando se fala em brancos da moda.

CARM Reserva 2005 - É uma novidade de parte deste produtor, um Reserva Branco 2005, pela prova que deu mostrou-se um vinho bastante agradável, com boa dose de frescura a marcar passo ao lado de flora ligeiro, mineral e fruta. Um vinho a dar sensações muito positivas e que merece prova atenta.

Campolargo Arinto 2005 - Depois de ter provado e gostado bastante do Arinto 2004, chegou altura de provar o novo 2005 que se mostrou mais redondo na boca, algo mais cheio que lhe veio tirar de certa maneira aquela acidez marcante. Mesmo assim um grande Arinto.

Hugel gewurztraminer - É um vinho que conquista imediatamente pelos aromas intensos a pétalas de rosas, lembra aqueles saquinhos de cheiro que se metiam nas gavetas, um aroma intenso com uma mineralidade de braço dado, tudo bem cativante e muito agradável.

Pascal Jolivet Pouilly-Fumé 2005 - Os dois vinhos que se seguem são dois vinhos feitos a partir de Sauvignon Blanc, onde o produtor aproveita os terroir de cada zona (Sancerre e Pouilly-Fumé) para fazer dois brancos de grande qualidade.
Neste caso este foi o que mais gostei, mais exuberante no nariz e mais fresco e elegante na boca, com boa mineralidade presente, um grande branco.

Pascal Jolivet Sancerre 2005 - Depois do que já disse, este mostrou-se um pouco mais tímido de aromas, um pouco mais citrico, a acidez está mais notória, mas tudo bem equilibrado e de grande nível.

Tintos

Anima L4 - Era um dos vinhos que ia com curiosidade para provar, mas que grande surpresa este vinho elaborado com uma casta italiana, a Sangiovese. Um vinho que se pode dizer com uma costela Alentejana, vem da zona do Torrão, e apresenta-se em grande forma, muito equilibrado e apetecível, é um vinho a seguir com bastante atenção.

Charme 2004 e Batuta 2004 - Parecem dois irmãos, andam sempre pegados, principalmente na qualidade que se mostra ao mais alto nível, como já se falou tanto destes dois vinhos o que se pode dizer é que são de prova obrigatória num Encontro destes.

Gouvyas Vinhas Velhas 2004 - O melhor Gouvyas de sempre, foram as palavras de João Roseira enquanto nos apresentava este seu novo tesouro, obviamente que concordo e ainda foi provado o VV 2003 mas este 2004 mostrou-se num outro nível muito superior, o melhor de tudo é que não é daqueles vinhos cheios de fruta e álcool que alguns produtores teimam em lançar, aqui fala o equilibrio de forças e a harmonia, resta desejar os parabéns aos responsáveis por este excelente vinho de Portugal.

Abandonado - Alves de Sousa 2004 - Domingos Alves de Sousa é um Senhor do Vinho, uma daquelas figuras que marcam sem dúvida a história da enologia em Portugal, falar de vinhos com este Sr. é um autêntico prazer, a forma apaixonada e simpática como fala dos vinhos e como trata os interessados pelo vinho, é algo que raramente tenho encontrado. Foi com essa sua maneira bem disposta que apresentou o seu novo tesouro, um vinho que limpou em grande estilo toda a concorrência na prova dos Douro da última Revista de Vinhos. O preço esse é associado à pouca quantidade, à diferença, à excelência, ao trabalho que deu, à vinha do Abandonado e a tudo o resto... 50€, resta ao consumidor provar e dizer se concorda.

Campolargo Diga? 2005 - Foi o primeiro varietal Petit Verdot a aparecer em terras Lusas, segundo palavras do próprio produtor, e é sem dúvida alguma um exemplo a seguir.

Marcolino Sebo Garrafeira 2003 - Falava-se em segredo de um lote especial de Alicante Bouschet que teimava em sair para o mercado, os anos foram passando e o tal lote foi sendo guardado, o tal diamante foi sendo polido, aresta por aresta... não sendo uma das jóias de coroa é uma pedra preciosa a merecer a devida atenção. O preço vai rondar os 18-20€

Taká 2005 - Porque os vinhos não tem obrigatóriamente de ser todos caros, fica aqui um vinho feito exclusivamente para a Adega Algarvia, que eu gostei bastante, jovem e com a força da vida, um autêntico atleta da planície alentejana, exuberante e bem constituido fisicamente, tem tudo para realizar umas boas provas, não de longo curso mas sim provas de curta distância... ao saber o preço a surpresa foi ainda maior, 3,5€

Quinta do Noval 2004 - Uma novidade no mercado, o primeiro vinho de mesa topo de gama desta famosa marca de vinho do Porto, apresentou-se um vinho escuro com a pujança da fruta presente num bouquet de boa qualidade, não foi dos que mais me marcou durante todo o Encontro, é um vinho muito bem feito e de qualidade, o preço é que se mostra alto, 40€ por garrafa... falta saber se o nome Noval não vai fazer subir ainda mais.

Herdade das Servas Aragonez 2004 - Depois do primeiro varietal desta casa ter sido muito bem sucedido, surge na colheita de 2004 um novo varietal, um Aragonez com fruta essa de boa qualidade e bem colocada ao lado da madeira, alguns taninos ainda um pouco rebeldes com mais algum tempo podemos ter aqui um dos grandes representantes desta casta.

Esporão Private Selection 2003 - Este é daqueles que sempre que sai nova colheita tem lugar cativo nos lugares da frente, temos aqui mais um Alentejano cheio de força e de tempo de vida pela frente, pelo que não vai dizer não a uma bela sesta. Para beber agora, depois ou muito depois. O preço ronda os 30€

Joaquim Madeira Tinto 2004 - É um vinho fora do normal, muito escuro e fechado, um autêntico blindado à prova do tempo, destaque para um perfume que invade o copo, as notas de madeira (a saber que é Português) dão o seu contributo, tudo neste vinho é pensado em grande, um vinho que é feito como os vinhos dos anos 60, o que me transportou imediatamente para um Tinto Velho José Sousa 1961 provado faz bem pouco tempo e que é algo de excepcional, será este Joaquim Madeira o tipo de vinho mas em jovem ? ...a prova que já proporciona é de alto nível, talvez o vinho que mais me marcou durante todo o Encontro.

Aveleda Follies Touriga Nacional 2004 - Antes de mais tenho de deixar os parabéns pela excelente apresentação de toda a gama Follies, sem dúvida bastante inovadora e com um ar muito internacional... Tendo gostado também do Alvarinho, este Touriga Nacional destacou-se pela frescura que apresentou durante a prova, achei um vinho diferente e com algo mais que um simples Touriga Nacional.

Quinta do Vale Meão 2004 - Nova colheita do vinho cujas vinhas iam parar ao Barca Velha, agora é com essas uvas que se escreve Vale Meão, um vinho que na colheita 2004 foi beatificado pela Wine Spectator com uns celestiais 97 pontos... com tanto ponto dá a impressão que será quase o mesmo que provar um pouco do céu, parece-me que são pontos a mais e que colocaram o dito num altar alto de mais para o vinho, apesar da qualidade apresentada ser elevada...

Montes Alpha M 2001 - É o topo de gama desta casa, a garrafa é imponente e o vinho não se fica muito atrás, aqui o equilibrio é palavra de ordem... não temos muitos excessos, o que se agradece cada vez mais. Começo a gostar cada vez mais destes vinhos Chilenos.

Montes Folly 2003 - É mais um vinho Chileno, desta vez um varietal Syrah que se mostrou uma grande surpresa, com um perfil diferente nesta casta que eu tanto gosto, valeu a pena conhecer e quem sabe mais tarde venha a surgir numa prova de Syrah no Copo de 3

The Pian delle Vigne - Brunello di Montalcino 2000 - É um vinho que segue as pegadas deixadas pela outra colheita já provada anteriormente no Copo de 3. Estes vinhos italianos gozam de uma enorme vocação gastronómica e têm um equilibrio de conjunto de grande nível.

Tenuta Guada al Tasso - Bolgheri D.O.C. 2000 - É um dos chamados Super Toscanos, completamente diferente dos vinhos que se provam por estas bandas... se com uma palavra desse para definir este vinho talvez seria Finesse, sem dúvida alguma é um vinho que dá um prazer muito grande durante a prova, tem tudo mas nada em grande exagero... o preço esse é bastante alto, entre os 90-100€.

Generosos

MR - Moutain Wine Moscatel 2005 - Um Moscatel vindo de Espanha, nariz muito exuberante, complementado com uma prova de boca em que doçura e acidez estão muito bem equilibradas, algo de fabuloso.

Blandy´s Madeira Verdelho 1977 - Foi o melhor vinho da madeira que provei até aos dias de hoje, curiosamente um vintage da minha idade, não vou fazer comentários porque fiquei nas nuvens durante esta e a próxima prova.

Blandy´s Madeira Bual 1971 - Obviamente que tem algumas diferenças, mas mesmo assim... sem comentários.

Este ano provei mais brancos que tintos, vários foram os vinhos provados, no final de revelar as minhas escolhas deixo também algumas conclusões:
Destacar cada vez mais a qualidade dos vinhos brancos Portugueses, nos últimos dois anos a revolução tem sido algo bem real e para melhor, como já aqui tinha sido referido, a onda branca está a chegar pelo que podemos afirmar mais uma vez que a nova moda será o vinho branco, bons exemplo são os vinhos aqui já referidos onde depois de um bom ano de 2004, aparecem agora os 2005 ainda melhores.
E a que se deve tudo isto ? Simplesmente a um aumento da qualidade dos nossos vinhos brancos nos últimos anos, uma maior preocupação dos produtores em terem um vinho branco no seu catálogo mas também produzirem vinhos brancos de qualidade, também o facto do consumidor acordar para a realidade dos vinhos brancos tão colocada de lado.
Resta despedir, e até para o ano...

 
Powered By Blogger Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 2.5 Portugal License.