Copo de 3: Maio 2007

31 Maio 2007

PROVA À QUINTA Cockburns Vintage 1960

Lançado o 8º desafio Prova à Quinta pelo blog Vinho da Casa, e como o mesmo não referia o tipo de vinho a provar, tomei a liberdade de descer até à minha garrafeira e procurar algo que fosse diferente e de certa maneira entusiasmante.
Confesso que todas as garrafas que lá coloco as considero especiais, são aqueles vinhos que eu gosto e que tento guardar o melhor possível. Digamos que tenho gosto em guardar vinho, obter o melhor que cada um tem para me dar, nem que tenha de esperar alguns anos para que tal aconteça.
Esta garrafa que agora aqui coloco a nota de prova, era daquelas que já por lá andava faz muitos anos, mostrava-se coberto de teias de aranha e pó, bonita imagem quando se fala de uma garrafa de Vintage velho.
A garrafa foi chamada ao activo dois dias antes, colocada em sentido para dar tempo a que o depósito presente ficasse estabilizado no fundo da garrafa.
A rolha mostrou-se num estado crítico, saiu inteira mas completamente infiltrada, sendo o vinho servido a 14ºC.


Cockburn´s Vintage 1960

Tonalidade a apresentar-se com uma tonalidade âmbar com toques acobreado e ligeiramente glicérico.
Nariz bem equilibrado e elegante em tudo aquilo que transmite, frescura evidente com ligeiro toque iodado. Fruta presente mas com sensações de frutos secos e especiarias, leve melado semelhante ao da fruta cristalizada, flor de laranjeira com notas de madeira de móvel antigo, caixa de charutos. Tudo isto é transmitido ao longo de uma brisa suave e fresca, com leve toque de açúcar queimado no final.
Boca com entrada fina e elegante, grande equilíbrio apesar de não se mostrar com grande estrutura. Toque melado com a madeira de móvel antigo presente, acidez presente a dar frescura durante a passagem de boca, tabaco no final com claro arredondamento, frutos secos e uma persistência alta.

Temos um Vintage com 47 anos de vida, idade suficiente para meter respeito e consideração... apesar de tudo mostrou um ligeiro toque de desgaste. Pela tonalidade apresentada não se pode comparar com um vintage novo, aqui o que se mostra é uma tonalidade diferente e aproximada à de um tawny datado.
De todas as maneiras não deixa de ser um Vintage que deu muito prazer no acto da prova e acompanhou em grande estilo um bolo de noz.
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30 Maio 2007

PROVA Vale Zias 2005

O mercado do vinho anda num constante fervilhar de novidades, novas marcas, novos vinhos, novos produtores. Neste caso temos um novo vinho de um novo produtor (Fazendas da Estremadura), perto da Serra de Montejunto.

Vale Zias 2005
Castas: 100% Syrah - Estágio: n/indicado - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de média concentração
Nariz a mostrar um aroma de média intensidade, frutado (frutos negros) com presença de alguma compota, especiarias em conjunto com alguma sobrematuração. Frescura ligeira com a sensação de terra húmida no final, um vinho que mostra o que tem e depois se encosta um pouco às cordas.
Boca com fruta presente, boa entrada, corpo sem grandes complexidades e curto de horizontes. Mostra alguma secura na passagem de boca com final algo curto.

Um vinho que não desperta grande paixão, correcto e dentro da mediania, está pronto a consumir e a acompanhar uma churrascada na companhia de amigos.
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PROVA Vinhas Altas

Da zona dos Vinhos Verdes, chegam os dois exemplares da gama Vinhas Altas, produzidos pela CAVIPOR.
Se por um lado o chamado Vinho Verde nunca teve uma boa conotação junto da grande maioria dos consumidores, por outro lado, é nesta região que se fazem alguns dos melhores brancos a nível nacional.
Com o nível qualitativo dos vinhos oriundos desta região cada vez mais alto, cada vez merecem mais ser provados e conhecidos. Neste caso temos os vinhos com a ostentação no rótulo de Vinho Regional Minho.

Vinhas Altas Reserva Arinto/Loureiro 2005
Castas: 60% Arinto e 40% Loureiro - Estágio: Loureiro fermentado em barricas novas carvalho «Allier» - 12% Vol.

Tonalidade leve amarelo citrino com toque dourado
Nariz a mostrar um aroma limpo e frutado (tropical, citrino em bom destaque, pêra), o floral surge ligeiro e sem protagonismo banhado por uma onda refrescante, vegetal (chá preto) em segundo plano em boa ligação com fundo de ligeiro mineral.
Boca com entrada a mostrar mineralidade, fruta e toque vegetal, acidez a dar frescura que nos acompanha durante toda a passagem de boca. Nota-se algum arredondamento derivado da passagem por madeira, a fruta casa bem com a componente vegetal. Final de mediana persistência.

Tem tudo muito bem delineado, sem ter grande complexidade consegue não defraudar. Caminha a direito sem tropeçar aqui ou ali, indicado para os tempos mais quentes que espreitam, os seus 12% fazem dele um vinho mais leve para uma tarde de Verão, o preço ronda os 4€
Fez muito boa companhia a umas lulas de tomatada.
14,5

Vinhas Altas Reserva Sousão 2004
Castas: Sousão - Estágio: barrica de carvalho «Allier» - 12,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro com rebordo violeta
Nariz com destaque para a fruta vermelha bem madura, ligeira geleia que se junta a torrados e uma mão cheia de canela, no segundo plano mostra-se na versão vegetal.
Boca com boa entrada, alguma macieza inicial aliada a boa dose de frescura, toque apimentado no meio palato, ligeira secura vegetal em fundo. Não deixa a rusticidade de lado e surgem notas curiosas de carne assada, no final que mostra uma mediana persistência.

É o chamado Verde Tinto, para alguns sinónimo de carrascão e de vinho servido em malga. Aqui tudo muda de figura, o Sousão que é Vinhão dá origem a um vinho que não foge em nada nos aromas e sabores aos vinhos verdes tintos, afinal é a sua essência, mas temos um vinho leve e com boa frescura. É mais um exemplar a merecer uma prova atenta, para quem gosta ou simplesmente para se perder o complexo. Aceita o desafio ?
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25 Maio 2007

PROVA Monte Seis Reis Tinta Caiada 2004

Que a febre ou moda dos vinhos mono-casta está a passar ou já passou, é um facto. O curioso é que apenas os melhores exemplares parecem conseguir ter forças para andar no mercado actual.
Por entre os tanques de guerra, Touriga Nacional, que dominam quase Portugal de Norte a Sul temos uns fiéis Trincadeira, umas boas peças de Aragonês que não são assim tantas como poderíamos esperar, e a legião estrangeira sempre pronta com um pelotão de bravos (Merlot, Pinot, Cabernet, Petit Verdot, Syrah...). No meio de tanta elite temos a chamada resistência... ou como gosto de chamar, la résistance, que dá pelo nome de Tinta Caida.
Esta casta que trabalha meio escondida, na penumbra e sempre pronta a surpreender quando menos se espera, são focos localizado de onde nunca se sabe quando esperar uma surpresa.
Hoje foi um desses dias...

Monte Seis Reis Tinta Caiada 2004
Castas: 100% Tinta Caiada - Estágio: 12 meses carvalho francês e leste europeu - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby de média concentração
Nariz com um perfil aromático de boa intensidade, consegue cativar de imediato o que é bom sinal, fruta (ameixa, frutos silvestres) bem presente com boa maturação em companhia de ligeiras compotas. Rebola-se no copo, mostra boa complexidade, marmelada acabada de fazer com aquele toque especiado que por vezes apresenta, a baunilha exibe o seu charme em conjunto com toque de caramelo de leite com cacau em pó. Está bem afinado, bem interligado qual teia de aranha, o toque vegetal (casca de árvore) em segundo plano intromete-se com algum fumo de fundo.
Boca com uma bela entrada, frescura aliada a passagem frutada, compota, especiaria, suave e redondo na passagem de boca. Final com toque especiado e boa persistência.

A prova foi cega, e este foi o chamado ataque relâmpago, daqueles que deixa mossa... eu já estava avisado, os encontros com esta pièce de résistance não são de agora. Um vinho que prima pela sedução, suavidade, harmonia do seu todo, foge claramente a bombas devastadoras de palatos mais incautos. Aqui é diferente, tem tudo no seu ponto, tudo muito bem combinado, o plano está definido e pronto a causar surpresa... para entrar nesta aventura são 12€.
Vive lá résistance...
16,5

PROVA Quinta do Castelinho LBV 1996

De volta aos Porto, temos um vinho pertencente ao tipo Ruby, neste caso um LBV da Quinta do Castelinho.

Quinta do Castelinho LBV 1996
Castas: Touriga Nacional, Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Franca - Estágio: envelhecido em madeira e engarrafo 5 anos após a vindima - 20% Vol.

Tonalidade ruby muito escuro, quase retinto.
Nariz de bela intensidade, mostra-se com muita fruta vermelha presente em toques de compota e alguma marmelada. Juntam-se à festa toques especiados com ligeiro torrado, tabaco em conjunto com algum caramelo de leite. Para completar o bouquet temos toques de flores (violeta) assente num brisa suave e refrescante.
Boca com entrada gulosa e bem estruturada, toque apimentado, redondo e fresco, erva seca, compota e uma acidez a dar uma frescura bem agradável. Final com ligeiro fruto seco de persistência média/alta.

Não se destacando por uma grande exuberância ou complexidade, é daqueles que joga pelo seguro, mostra o que vale, convence e não desilude quem prova. O preço no Continente rondou os 8€ o que indica uma daquelas escolhas sem ter que pensar muito.
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PROVA Continente Douro Reserva 2004

Muito recentemente abri mais uma garrafa do Continente Douro Reserva 2001, para lhe fazer companhia escolhi o seu irmão mais novo, o Reserva 2004.
Se o primeiro apresentava uma pesada garrafa, com o símbolo em relevo do produtor Castelinho Vinhos, a nova garrafa já mudou de visual e foi sujeita a uma severa dieta.
Convém dizer que o Reserva 2001 ainda se encontra de saúde e a dar uma prova satisfatória e até com algum interesse tendo em conta o factor preço.

Continente Douro Reserva 2004
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz,Tinta Barroca e Touriga Franca - Estágio: carvalho americano - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média
Nariz a revelar um vinho ainda algo fechado e austero, fruta presente com alguma compota aliada a algum torrado da madeira com componente vegetal presente. Mostra frescura e um ligeiro toque fumado de fundo.
Boca de estrutura satisfatória, não faz má figura, consegue aguentar um prato mais condimentado sem grandes problemas, fruta e vegetal com final médio.

Temos um vinho em nada semelhante ao Reserva 2001, aqui temos um vinho mais frio e conservador, mostra-se pouco e não consegue agradar tanto como o anterior. Talvez com a dieta tenha perdido todo o encanto que tinha.
12,5

23 Maio 2007

PROVA Vinhos Rhea

Na mitologia da antiga Grécia, durante a época dourada, reinavam os Titans. Estas super entidades eram representados na forma de 6 mulheres e 6 homens, cada um deles associado a conceitos tão básicos como a lua, oceano...
Da união entre Uranus (céu) e Gaia (terra) , nasceu Rhea (Ree-a) que do casamento com o seu irmão Cronus, viria a ser denominada a Mãe dos Deuses ( Zeus, Hades, Hera... são filhos de Rhea).
Mas Rhea também é o nome do maior satélite de Saturno descoberto em 1672 por Giovanni Cassini, e é o nome atribuído para estes novos vinhos Durienses, do produtor GR Consultores, os mesmos do SEDNA já aqui provado.

Rhea tinto 2005
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Barroca e Touriga Franca - Estágio: estágio parcial 10 meses em carvalho - 13% Vol.

Tonalidade ruby escuro de média concentração.
Nariz com aroma de média intensidade, fruta presente algo tapada por aromas entre a borracha queimada e o alcatrão das estradas, que tapam em grande medida todo e qualquer aroma mais interessante que nos queira cumprimentar. Com algum tempo e paciência ainda se notou algum chocolate preto, baunilha e caramelo para que imediatamente um travo vegetal os obrigue a recolher, dominando o segundo plano.
Boca com entrada mediana, suave sem grande conteúdo, falta-lhe largura, não se chega a entender qual é a melhor prova que nos dá, nariz ou boca ? final de persistência média/baixa com travo vegetal.

Um nome grandioso demais para o vinho em causa, parece que andou o Valentino Rossi a derrapar dentro do nosso copo... aroma dominante completamente desagradável, só com tempo é que os sequestrados se dão a mostrar. Não é de vinhos destes que o consumidor precisa, pode ser que passe mas por enquanto não tem nada de interessante... preço indicado de 4€.
11,5

Rhea branco 2006
Castas: Gouveio, Rabigato, Moscatel, Malvasia Fina e Fernão Pires - Estágio: Sobre borras finas até Janeiro 2007 - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino com rebordo esverdeado.
Nariz agradável ao primeiro contacto, médio de intensidade, aromas de fruta (pêra, ananás e citrinos), ligeiro toque floral em fundo mineral. Ligeiro toque melado aliado a uma suave frescura presente com vegetal em segundo plano.
Boca com entrada e corpo médio/baixo, fruta presente (mais em plano citrino) com frescura não muito pronunciada, final de boca simples com leve mineral mas não deixa grande saudade.

Um vinho claramente melhor, mostra-se mais saudável, não promete nem compromete, mas durante a prova pensei que já tinha sido provado noutra altura, temos tantos vinhos semelhantes... preço indicado de 4€
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22 Maio 2007

PROVA Portos do Morgadio da Calçada

Esta recente marca Duriense, cujos vinhos são o resultado da parceria da família Vilas Boas e da casa Niepoort. Para Dirk Niepoort que tem um fascínio pelas vinhas de Provezende esta parceria permite explorar a criação de nova linha de vinhos DOURO e Porto.
Os vinhos Douro já aqui foram provados, sendo agora altura de provar da gama Porto, o Ruby Reserve, Tawny Reserve e o LBV 2001. Ficando o Dry White para outra prova.

Morgadio da Calçada Ruby Reserve
Castas: Tinta Roriz,Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão e outras - Estágio: 3 anos em barricas - 20% Vol.

Tonalidade ruby escuro e vivo, de média concentração.
Nariz com aroma frutado (ameixa, amora, framboesa) de boa qualidade, ligeiramente especiado com toque compotado, chocolate preto com toque de móvel antigo.
Boca com entrada doce e suave, frescura presente, frutado com ligeira secura no final, redondo e bem afinado com final médio a lembrar cacau e brisa balsâmica.

Temos um vinho claramente a apostar nos aromas frutados, muito jovem e com boa frescura, de aproximação fácil e que acompanha em grande um folhado crocante de chocolate com frutos do bosque.
15,5

Morgadio da Calçada Tawny Reserve
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão e outras - Estágio: 6 anos em barricas - 20% Vol.

Tonalidade âmbar de média concentração, com rebordo laranja
Nariz a mostrar um aroma de boa intensidade, frescura presente em conjunto com fruta em passa (uva passa) e frutos secos (amêndoa, caju) tão característicos deste tipo de vinho. Caramelo com toque de canela mistura-se entre um ligeiro tabaco e açúcar queimado no final.
Boca com entrada a revelar uma boa estrutura, redondo e com acidez presente ainda que suave a dar boa frescura durante a passagem de boca. Doçura bem equilibrada e nunca em excesso, tudo muito acertado com um final médio a lembrar frutos secos.

Temos mais um vinho que vai de encontro ao esperado, conseguindo cumprir por completo o seu objectivo... agradar. Para quem quiser saber o que é um Tawny Reserve só tem de provar este Morgadio da Calçada.
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Morgadio da Calçada LBV 2001
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão and Tinta Roriz e outras - Estágio: balseiros e barricas, engarrafado em 2006 - 20% Vol.

Tonalidade apresentada revela um vinho carregado e quase retinto, escuro e opaco.
Nariz com aroma de boa intensidade, fruta muito madura com compota, caixa de charutos, especiarias (pimenta), fundo balsâmico com toque floral. Surgem com algum tempo cacau, torrado ligeiro com a doçura a balancear com a frescura.
Boca com entrada estruturada e bastante equilibrada, mostra-se com boa dimensão no palato, chocolate, fruta em compota e traço especiado no final de boa intensidade.

Tudo muito bem acomodado, a dar bastante prazer durante a prova e a dizer que está com pernas para andar. Uma aposta segura com um preço a rondar os 12€.
16,5

21 Maio 2007

E vão 2...

Foi no passado dia 20 de Maio, que o Copo de 3 comemorou o seu segundo aniversário.
Mais um ano cheio de trabalho, cheio de provas, cheio de aromas e sabores... um nível de responsabilidade que vejo aumentar mais, cada vez com mais desafios e mais metas para chegar.

O Copo de 3 superou recentemente o número das 95.000 visitas, revelando um aumento de 75.000 visitas em apenas um ano, indicador do bom trabalho desenvolvido e de alguma visibilidade junto das pessoas que gostam e procuram informação sobre vinhos.

Num curto espaço de tempo vamos chegar ao bonito número de 100.000 visitas, e está a ser planeada a devida comemoração.
As orientações ao nível da prova mantém-se na mesma linha definida inicialmente, tal como as opiniões livres e sem qualquer preconceito ou factor inibidor das mesmas.
O nível qualitativo de alguns vinhos provados tem vindo a subir, tal como o número de vinhos provados. Neste ponto considero fundamental uma oferta de notas de prova sempre o mais ampla possível, dentro dos vinhos presentes no mercado, pois nem todo o consumidor tem possibilidades de chegar aos topo de gama.

Com tudo isto quero agradecer a todas as pessoas que me têm acompanhado e partilham esta minha paixão, às pessoas que visitam o Copo de 3, às pessoas com quem falo regularmente e troco impressões, dando força para continuar e olhar sempre em frente.
Um destaque especial para a minha família, e para a minha cara metade que tanto apoio e inspiração me tem dado.

O Copo de 3 está para durar, porque o vinho merece e vocês também.

Obrigado.

14 Maio 2007

Um almoço em Magnum...

Participei, no passado dia 29 de Abril, num almoço organizado por João Roseira, Luís Antunes e Luís Louro. As aliciantes garrafas Magnum quase nos fizeram chegar ao jantar. O dito repasto seria baptizado com nome de operação especial: MoiroMagnumDentol, e contou com 6 ilustres cozinheiros que prepararam 6 pratos adequados aos vinhos servidos. Até agora tudo perfeito e mais ficou com o local escolhido: Quinta do Mouro, de Miguel Louro (Estremoz – Alentejo).
Podia estar tudo dito, mas não está, fomos mais de 20 participantes, entre os quais vários nomes ilustres do mundo do vinho e da gastronomia: Álvaro de Castro, Dirk Niepoort, David Lopes Ramos, António Saramago, Miguel Louro e Luís Gutiérrez (jornal “El Mundo”).

Antes do almoço deu para pôr a conversa em dia, tendo sido proposta uma pequena prova de vinhos por parte de Miguel Louro, o anfitrião da casa.
Foi desta maneira que um Clos Uroulat Cuvee Marie me acompanhou em grande estilo até nos dirigirmos para a mesa, onde ao sentar nos esperava um Champagne Deutz Blanc de Blancs 2000.

Vou tentar explicar o magnífico momento que foi todo aquele almoço, mas não sei se vou conseguir. Tentarei colocar os pratos servidos juntamente com os vinhos que os acompanharam, ou diria antes o contrário, os vinhos servidos e os pratos que os acompanharam.

Para iniciar o repasto foi servida uma excepcional Sopa de Feijão, feita à mão (os parabéns ao cozinheiro) com dois vinhos das Caves São João, Porta dos Cavaleiros Reserva Branco 1973 e Porta dos Cavaleiros Reserva Tinto 1970.
Aqui o prémio recaiu no branco, que entre a dúvida se teria ou não TCA se chegou à conclusão que não. O tempo no copo revelou algo que muitos não deixaram, um vinho de alto nível com notas que lembram petróleo, com boa acidez, fruta ainda presente e na boca a debater-se bem, apesar da frescura já estar longe da sua melhor forma. Com todo este entusiasmo achei o tinto um pouco mais de cabeça baixa, apesar de ainda mostrar um ar da sua graça... agora o branco, que belo vinho.

O almoço foi prosseguindo e o seguinte pitéu foi um Malandreco de Alheira, um excelente risotto (pelo menos parecia) a que se juntaram dois tintos muito curiosos: o primeiro mostrou uma prova de nariz diferente do normal, exótico, cheio de especiaria, geleia e tosta mas com uma prova de boca algo fora do nível do nariz (que mesmo assim ainda deu que falar, mas sem grandes memórias finais), um Christophe Abbet Syrah 1996 proveniente da Suíça (Valais). O outro vinho servido foi uma enorme surpresa para os presentes, um vinho com uma bela elegância, mostrou-se em grande forma com uma bela evolução no copo... não 4 horas porque não dava tempo para tal, mas foi algo que surpreendeu pela positiva. Um nariz elegante, bom casamento entre madeira e fruta, tudo muito fino com uma frescura assinalável, toque floral presente ainda que tímido... aqui ainda alguém disse que seria um Touriga Nacional, ou que seria um vinho das terras altas... a boca contrastava com o nariz, fino, sóbrio e elegante... no final a Touriga era Castelão e as terras altas ficaram-se por Palmela de onde veio este Escolha António Saramago – Palmela 2001.

Ainda perdidos na conversa sobre a enorme surpresa que tinha passado pelo copo, foi servido um prato de nome Legumes Prensados, com mais dois vinhos a acompanhar. O primeiro vinho servido não seria alvo de grandes elogios, e até foi uma pequena desilusão na sala. Um tinto sem grande chama e algo fraco de atributos, nariz sem grande interesse e até com algum animal a passar pelo copo, na boca temos um vinho que se mostrou pouco, algo delgado e sem muito nervo, talvez o que menos saudades deixou dentro do lote apresentado, um Bernard Baudry - Les Grezeaux, Chinon 2000.

O outro vinho servido, foi um branco que me piscou o olho logo que entrou no copo, a mostrar uma bonita tonalidade amarelo dourado com toque glicérico. Prova de nariz com uma entrada de fruta madura e em calda, revolução de aromas muito interessante, mais uma vez as notas petroladas estavam presentes, mineral em conjunto com flores brancas. Na prova de boca mostrou-se com uma acidez ainda presente , o que é de saudar passado tanto tempo, com toque mineral no final de boca que fez as minhas delícias. Temos então um vinho a saber recompensar quem por ele soube esperar, afinal quantos de nós iriam esperar ou dar tempo a um vinho branco de 1994 ? e quantos esperavam que esse vinho fosse dar uma grande prova como esta ? ... mas que belo Quinta das Bágeiras - Maria Gomes – Branco 1994.

Entre animadas conversas, o tempo foi passando e saltou para a mesa uma Perdiz à Mouro que estava divinal. Os vinhos foram servidos a bom ritmo e com mais uma ligação em cheio, o Champagne Pierre Peters Cuvée Speciale Blanc de Blancs Grand Cru 1998 foi mais uma vez um exemplo da classe de um grande Champagne. Para os mais distraídos convém lembrar que um Blanc de Blancs (Branca de Brancas) é elaborado exclusivamente com a casta Chardonnay. Aqui tudo se mostra de forma diferente ao que se está acostumado, ou seja, foge claramente a Espumantes e Cavas. A mostrar bastante frescura e bolha fina com uma grande finesse de conjunto, prova de boca com sensação de cremosidade muito agradável.
O outro vinho servido também reuniu grande quorum na mesa, mais uma vez mudamos de perfil, e rumamos um pouco mais abaixo no que toca a geografia.
Este vinho apresentou-se com um nariz de bela intensidade e complexidade onde inicialmente invadem o copo, aromas de bagas e frutos do bosque, tudo isto envolvido numa leve penumbra de vegetal seco a marinar num cálice de licor com toque mineral em fundo. Mostrou ainda rasgos de chocolate preto com toque floral de segundo plano, com a prova de boca a ser uma bela surpresa, pois mostrou toque de frescura e um grande equilíbrio aliado a uma bela complexidade. É daqueles vinhos que na boca nos diz, estou aqui, e não se perde no palato ou sai antes do desejado. Grandioso Clos des Papes - Chateauneuf du Pape 2003.

Aqui foi feito um pequeno intervalo, momento ideal para pensar e repensar os vinhos já provados, tirar notas sobre os mesmos e descansar um bocado, que estas coisas dão muito trabalho.

Voltando à mesa, já nos esperava no prato uma Lebre sem Febre... não vale a pena divagar muito sobre a qualidade dos pratos, digamos que está equiparada ao nível dos vinhos servidos.
E como seria de esperar foram servidos mais dois vinhos, um branco e um tinto... pelo que se começou pelo branco, e que branco. No nariz levou-me para um perfil Redoma Reserva, uma fruta em excelente forma em plena harmonia com a madeira, untuosidade, cremosidade, elegância de nariz com baunilha e amanteigados. Na prova de boca tinha o mesmo que em nariz, bela complexidade, cremosidade, frescura mais que correcta, tudo muito apetecível e quase a roçar o provocante... puro prazer. Ainda perguntei se seria o tal Redoma Reserva mas Dirk Niepoort com um enorme sorriso disse que não... lembrei-me de chamarem ao Redoma Reserva o branco de Portugal mais Borgonhês... e fiquei por aqui. O vinho deu pelo nome de Bernard Morey Chassagne-Montrachet Morgeot 1er Cru 2004.
Com tudo isto a Lebre já tinha ido embora do prato, faltava provar o tinto, um vinho que ao primeiro impacto mostrou que era de outro campeonato... pelo menos até ao momento foi dos mais equilibrados de aroma, com uma madeira muito bem colocada, possivelmente é o Mouro Dourado 2002, dizia-se na sala... e a conversa durava como durava o vinho no copo... uma constante mutação de aromas de grande nível. Este sim é daqueles que dá cambalhotas dentro do copo, joga às escondidas com os aromas e o provador, ora temos ora não temos... seria este vinho de 2002, que segredos escondia? seria este o vinho especial que Miguel Louro tanto falava, o da colheita de 2002, que teve, como todos os seus vinhos, uma atenção muito especial?
Muitos dos presentes já o tinham ''despachado'' enquanto ele ainda se desdobrava no copo, grande nariz com notas de fruta muito madura com cacau, tabaco e torrado muito ligeiro... e grande boca, cheio e de enorme elegância... era altura de tirar a capa à garrafa. Por um instante fez-se silêncio na sala.... o brilho de um mito iluminou a sala, olhares de choque a fitarem a garrafa e o copo em que antes tinha sido vertido, à espera do próximo, quem sabe se não apreciado devidamente... olha, é o Pingus 1996.

Ainda meio em estado de choque, e com o João Roseira a tentar leiloar um copo de Pingus a 100€, pensei que mais surpresas estariam reservadas. Novo prato na mesa, de nome Diamantina´s Surprise, que descodificado era Lul´ó Pimentol... mais um excelente prato de enorme contraste de sabores, e mais dois vinhos tintos para a mesa.
O primeiro seria um vinho ainda marcado por alguma força de conjunto com fruta bem presente ao lado de madeira e torrados em bom plano, com toque balsâmico de fundo. Um vinho que se mostra com alguma elegância, um perfil mais familiar e talvez já provado noutras alturas... na boca ainda tem ligeira secura, taninos presentes com alguns toques por afinar. É o tipo de vinho que precisa de mais algum tempo, apesar de já dar uma bela prova. Afinal um Pintia 2002 de Toro tem este comportamento.
Entra novo protagonista, este é cá dos nossos, e ainda bem dizia eu... afinal de contas temos um vinho que não fica atrás de muitos outros, patamar elevado de qualidade e uma marca bem profunda de saber fazer. No nariz, notas de madeira bem presente a lavar a cara à fruta, baunilha e boa tosta. Tudo aqui se encontra num plano de harmonia e a despertar os sentidos nas melhores das sensações. Na boca completa-se o ramalhete em tudo o que foi dito anteriormente, se este vinho teve mimos extra, não se nota mesmo nada... pura classe neste Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2002.

Aqui entrámos no prato de nome Do Mouro um Tesouro, ou simplesmente Favada d´Entrecostada de Porco Preto, e desculpem os vinhos mas o prato estava algo de extraordinário, o Porco Preto é mesmo um tesouro e com favas então nem se fala.
Mais dois vinhos entram em campo, um tinto e um branco, com o primeiro a mostrar uma enorme apetência gastronómica. No nariz também foi dos melhores, mais numa onda de finesse, delicado, mas com enorme classe, chocolate de leite, baunilha, café-creme, fruta madura com compota ligeira. Na prova de boca completava-se dando uma prova de grande nível, taninos sedosos, acidez bem colocada num conjunto que mostra uma prova de boca de bela complexidade. Alguma cremosidade aliada a frescura, final de boca de grande nível, um luxo de nome Roberto Voerzio Pozzo dell´Annunziata Barbera D´Alba 2001.
O segundo vinho, remeteu para um mundo diferente, um patamar diferente de vinho branco. São vinhos como este que nos cativam durante uma prova, a frescura que transmite em nariz com notas de uma fruta muito madura, floral num conjunto com muita qualidade e um travo mineral que parece invadir o nariz. Na boca temos mais do mesmo, a enorme qualidade repete-se e temos fruta bem presente aliada a uma frescura de belo efeito que se funde com um travo mineral muito elegante. O nome do vinho consegue ser tão grande como a qualidade que mostrou durante a prova, Weingut Okonomierat Rebholz Birkweiler Kastanienbusch Riesling 2001

Ainda surgiu meio perdido entre pratos, um Confradeiro Reserva 1997, mas naquele momento era um vinho que apesar da boa forma apresentada não conseguiu despertar grande interesse, pelo menos da minha parte. Ao lado do Chinon, seriam a dulpa que menos encanto espalharam, ou quem sabe fosse esta a altura para entrar nos vinhos dedicados à sobremesa.
Entrando na recta final, chegou a altura das sobremesas. Aqui foram servidos dois vinhos, um branco e um Porto Colheita.
No que toca ao branco, mais um nome a ter em mente no que toca a alta qualidade, Fritz Haag Brauneberger Juffer-Sonnenuhr Riesling Auslese 2001 poucas são as palavras para descrever o vinho... admiração ? fascínio ? É daqueles vinhos que nos prendem durante a prova do princípio ao fim. São vinhos destes que nos ficam na memória, como quase todos os vinhos provados ao longo deste maravilhoso almoço.
Para finalizar em beleza e de regresso a terras de Portugal, foi servido um Niepoort Colheita 1969, um vinho que de tão bom que era não vale a pena escrever sobre ele, são daqueles momentos íntimos que gostamos de guardar para nós.

Um sonho não pode durar para sempre, e foi nesta altura que tocou o telemóvel, o relógio batia nas 20h e seria altura de regressar a casa... nessa noite o Benfica empatou, mas quem ganhou foram os vinhos.

Os meus agradecimentos ao generoso convite endereçado por João Roseira e ao Dr. Miguel Louro por me ter dado o privilégio de ser recebido em sua casa.

13 Maio 2007

PROVA Novos vinhos Quinta das Apegadas

E directamente do Douro, eis que chegam ao mercado dois novos vinhos da Quinta das Apegadas, produtor que já marcou presença no Copo de 3.
Desta vez em prova o novo tinto Apegadas Quinta Velha 2005 e o primeiro rosé deste produtor, o Apegadas Rosé 2006.

Apegadas Quinta Velha 2005
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca - Estágio: parcialmente 12 meses em barricas novas de carvalho francês, húngaro e americano - 13% Vol.

Tonalidade ruby de boa intensidade e mediana concentração.
Nariz de média intensidade com fruta em destaque e ligeira compota, por instantes lembra iogurte de frutos do bosque. Surge baunilha em conjunto com torrado ligeiro vegetal com toque floral, resina em segundo plano, tudo muito aprumado.
Boca com estrutura mediana, entrada suave com toque vegetal que dissipa para fruta bem madura. A mostrar frescura e certo arredondamento, passagem com alguma macieza, toque de torrado/caramelo em final de boa persistência.

Um vinho que se mostrou ligeiramente melhor que a anterior colheita, a mostrar-se com uma boa consistência o que o consumidor só tem de agradecer.
16

Apegadas Rosé 2006
Castas: Touriga Nacional e Touriga Franca - Estágio: sobre borras finas com batonnage até Janeiro 2007 - 12% Vol.

Tonalidade rosada viva.
Nariz de intensidade mediana, directo na prova, frutado com ligeiro toque especiado leve vegetal. Dá a sensação de leve doçura em segundo plano, fumo de fundo com um perfil ligeiro e com grande equilíbrio.
Boca com entrada suave, redondo, fruta aliada a boa frescura presente, sem muitas arestas é um vinho que prima pela harmonia de conjunto, delicado e com um final de boca de suave persistência com toque mineral a completar o conjunto.

É um rosé com tudo para agradar, não caindo no plano da bomba de açúcar, o que mostra é num plano sem muitos devaneios, um rosé bem feito pronto para acompanhar uma salada de frango em pleno Verão.
15

08 Maio 2007

PROVA Varietais Cabernet Sauvignon

No sentido de realizar mais uma prova, foi escolhida como tema, a Cabernet Sauvignon, aquela que é a variedade mais espalhada pelo mundo e que ganhou fama na região Francesa de Bordéus.
O objectivo era avaliar um grupo de vinhos varietais Cabernet Sauvignon, a prova até se podia ter chamado em busca do pimento perdido, mas ao que parece os vinhos escolhidos não estavam para brincadeiras desse nível.
Foram escolhidos 3 vinhos de Portugal de diferentes regiões (Alentejo, Ribatejo e Setúbal), que são estreias absolutas dos produtores, e como bónus foram adicionados dois exemplares estrangeiros, um Chileno e um Argentino.
Todos os vinhos foram decantados meia hora e servidos a uma temperatura que variou entre os 16ºC e os 18ºC

Alfaraz Cabernet Sauvignon 2004
Castas: 100% Cabernet Sauvignon - Estágio: 12 meses de barrica - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média.
Nariz a apresentar-se com boa intensidade, fruta (ameixa, groselha, amora) bem madura com toque de baunilha e fumo, tosta ligeira presente com cacau e tabaco. Com o tempo dá entrada um toque balsâmico (hortelã), ainda que ligeiro, que se complementa com nuance vegetal em segundo plano, tudo isto acompanhado bem de perto com brisa fresca.
Boca a mostrar boa entrada, com elegância e fruta presente, mediano de corpo. Mostra-se com acidez a dar boa frescura e a evitar um vinho pesadão, torrado suave que se junta a toque vegetal no final de boca em boa persistência.

Temos um vinho que vem directamente de Beja, prima pela elegância de conjunto sem mostrar os travos vegetais acentuados nem o famoso pimento verde que teima em assombrar estes varietais. Um belíssimo exemplar a ter bem em conta, com um preço a rondar os 10€.
16,5

Adega de Pegões - Cabernet Sauvignon 2004
Casta: 100% Cabernet Sauvignon - Estágio: 6 meses barrica - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média.
Nariz de aroma de média intensidade, a prova inicial mostra um vinho fechado ao diálogo, casmurro e algo rude, a fruta presente foge claramente ao esperado, ao que parece um qualquer ananás ali se despistou, remetendo e aniquilando toda a fruta restante que se mistura com notas de tosta e fumo, resultante o conjunto não muito agradável. Segue-se um vegetal seco que preenche o segundo plano em conjunto com uma baunilha feita refém de tudo isto, acorrentada por uma pimenta muito ligeira.
Boca com entrada média, frescura presente, nesta altura a fruta já marca presença com boas sensações. O especiado liga-se com toque de tosta, afinado e bem equilibrado no que toca à prova de boca, em final médio com boa persistência.

Um vinho que perdeu todo o encanto durante a prova de nariz, talvez seja uma fase menos boa do vinho, afinal aberta uma segunda garrafa o vinho repetiu a mesma graça. Não fosse isso a nota seria outra, pois o vinho na prova de boca até se mostra bem diferente, a nota final revela isso mesmo. Se não melhorar o melhor é esquecer.
13

Casillero del Diablo - Cabernet Sauvignon Reserva 2005
Castas: 100% Cabernet Sauvignon - Estágio: 70% em carvalho americano e 30% em Inox durante 8 meses - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de média concentração
Nariz a mostrar média intensidade, presença de fruta (cereja, ameixa, e groselha) bem madura, toque de baunilha com chocolate preto e ligeiro café torrado. Especiaria (pimenta) presente ao lado de toque vegetal seco suave em segundo plano com fumo no final.
Boca com estrutura média, frescura presente num vinho equilibrado naquilo que tem e que mostra, frutado, tem tudo no seu devido lugar, boa persistência final com chocolate e fumo a darem ar da sua graça.

O nome deste vinho encerra uma lenda, um conto, ao que tudo indica corria o ano de 1883 quando o dono da quinta levou de França alguns exemplares de castas exclusivas de Bordéus. Após as primeiras colheitas os lotes iriam dar vinhos de grande qualidade, o que levou o dono a reservar algumas garrafas para consumo próprio.
Esses vinho eram guardados numa parte da sua adega, onde misteriosamente com o passar do tempo as garrafas iam desaparecendo, seriam roubadas pelas gentes locais. A solução, atendendo à superstição das pessoas, foi que naquela adega morava o diabo... e desde essa altura nunca mais foram roubadas garrafas. Correm rumores que ainda hoje há quem veja o dito a passear na adega.
No que toca ao vinho, temos um vinho muito equilibrado e pronto a agradar a todos, um campeão de vendas com quase 10 milhões de garrafas por colheita... que se tornou um dos símbolos dos vinhos do Chile a nível mundial. Um Cabernet Sauvignon com tudo o que a casta tem para oferecer com uma grande relação preço/qualidade, cerca de 5€.
15,5

Encosta do Sobral - Cabernet Sauvignon Reserva 2004
Castas: 100% Cabernet Sauvignon - Estágio: 12 meses barricas novas carvalho francês - 14% Vol.

Tonalidade granada escuro de boa concentração.
Nariz de boa intensidade, muita fruta madura com toque de ligeira compota acompanhada de toque de baunilha muito elegante ao lado de torrado. No segundo plano a componente vegetal está aliada a um bafo especiado (pimenta preta), fumo e ligeiro balsâmico no final. Um conjunto a revelar bom entendimento entre madeira e fruta, onde com tempo surgem notas de cacau, tabaquinho e suave café.
Boca a mostrar um vinho com bela estrutura, cheio e vigoroso, já com muito para mostrar a quem o provar, frescura presente, frutado com especiaria presente. Toque torrado no final com ligeiro vegetal e balsâmico suave, a concentração é mediana tal como o espaço que ocupa na boca, não deixando de ser um belo vinho que foge ao normal Cabernet Sauvignon.

Uma entrada com o pé direito por parte deste novo produtor Ribatejano, da zona de Tomar, que conquista um lugar no mercado com este exemplar de Cabernet Sauvignon. O preço indicado é de 12€ para um vinho que pelo que mostra vai agradecer um tempo de estágio na garrafeira.
16,5

Altos de la Rinconada - Cassius - Cabernet Sauvignon
Castas: 100% Cabernet Sauvignon - Estágio: n/indicado - 13,3% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média
Nariz com impacto inicial a cativar logo a atenção, o aroma foge do provado até agora, revela-se de boa intensidade com fruta (framboesa, amora, alfarroba) bem presente e umas curiosas notas de doce de tomate com toque especiado a condimentar. Tem boa dose de frescura, com o tempo surge uma brisa balsâmica (mentol) em fundo.
Boca de estrutura média/baixa, fruta presente com certa macieza na passagem de boca, conjuga muito bem a prova de nariz com a de boca. Deixa algo a desejar com um comprimento e largura de boca algo sumido, final de persistência média.

Um vinho que vem da Argentina, mais propriamente de San Juan, bem perto da Cordilheira dos Andes, que como curiosidade as suas vinhas são regadas com as águas do degelo. É um vinho que se desmarca pela diferença, mas num perfil que não chega a enjoar. O senão é a falta de complexidade na boca, seria um vinho de outro nível certamente, mas pelo que apresenta revela-se pelo menos um vinho curioso. Preço a rondar os 5€
14,5

Em jeito de conclusão, dos 5 exemplares em prova podemos encontrar vinhos bastante diferentes. Um Casillero del Diablo que se mostra com grande relação preço/qualidade e um fiel exemplar da casta, temos um Alfaraz num plano mais de elegância e harmonia, o Sobral é um vinho mais sério e de nariz empinado que tem muito que contar, um Cassius que é acima de tudo uma curiosidade e no final um Adega de Pegões que foi acima de tudo uma desilusão.

04 Maio 2007

PROVA Cortes de Cima 2002

Um dos nomes incontornáveis no que toca a vinhos de qualidade no Alentejo, é sem dúvida alguma, Cortes de Cima.
Este produtor situado bem perto da Vidigueira, desde que apareceu no mercado soube conquistar o público com os seus vinhos colheita após colheita. Em prova o Cortes de Cima 2002, um vinho que ostenta o nome da casa, neste momento a colocar a colheita 2004 no mercado.

Cortes de Cima 2002
Castas: 50% Aragonez, 34% Syrah, 10% Cabernet Sauvignon, 3% Touriga Nacional, 3% Trincadeira - Estágio:12 meses carvalho francês e americano - 14% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.
Nariz de intensidade mediana tal como se mostra em complexidade, frutos vermelhos (amora, ameixa) com notas compotadas. A fruta mostra-se em boa harmonia com as notas de baunilha, torrado, caramelo de leite com toque especiado seguido de vegetal seco algo sumido que se funde em fumo de fundo. Um conjunto que joga no equilíbrio e na harmonia, tem o seu quê de aconchegante e elegância no que apresenta.
Boca com entrada a revelar boa estrutura, frescura presente durante toda a passagem de boca, suave na entrada. Redondo e harmonioso, toque morno, torrado, vegetal dá ligeira secura no final de persistência média/alta em companhia de ligeiro apimentado.

Um vinho no ponto para ser bebido, muito bem feito com todos os elementos no seu devido lugar, equilibrado e mediano em largura e comprimento. É um valor seguro colheita após colheita, que se dá bem com a passagem do tempo em garrafeira.
16

PROVA Quinta da Bica 1996

Desta vez optei por recorrer ao meu baú das recordações, foi lá que encontrei este vinho do Dão, um vinho de um ano (1996) que deu origem a belíssimos vinhos em Portugal.
Chama a atenção o rótulo, um desenho que nos remete para outros tempos, consegue transmitir um ar de classicismo se é que o podemos dizer, diria mesmo um vinho que já não é destes nossos dias.
Proveniente de Santa Comba de Seia, bem perto de Tazem, vem este Quinta da Bica 1996.

Quinta da Bica 1996
Castas: tradicionais - Estágio: n/indicado - 13% Vol.

Tonalidade granada com ligeiro rebordo atijolado
Nariz de inicio a revelar um toque animal que se espanta com pouco tempo de espera. Revela depois aromas frutados bem maduros com suave compota (ameixa, bagas e amoras), tosta muito ligeira com couro presente, cacau e tabaco (caixa de charutos). Todo o conjunto remete para um perfil fino e aprumado, com notas de móvel antigo, tudo sem grandes complexidades. Com o tempo vai abrindo suavemente, como que fosse contando um conto e liberta musgo, mato seco, caruma de pinheiro e ligeiro mineral de fundo.
Boca com uma entrada fresca e ligeiramente frutada, torrado presente muito leve com toque de frescura e sedosidade, ainda que mostre ligeiro travo vegetal mostra uma interessante harmonia e equilíbrio na passagem de boca, não morrendo de imediato ou deixando muito a desejar.

Temos um vinho delicado e muito polido, certamente um vinho muito bem educado e cortês. Respira-se Dão, um perfil algo perdido no tempo e que não se encontra muito famoso nos dias de hoje, é o perfil a mudar ligeiramente a pedido dos novos consumidores.
Um vinho que custou 4,50€ e que se mostrou bastante interessante, capaz de evoluir bem no copo dentro das suas capacidades obviamente.
15,5

02 Maio 2007

PROVA Vinhos Quinta do Ameal

O tempo começa a refrescar e é tempo de começar a pensar nos vinhos mais frescos, neste campo ganham especial destaque os vinhos verdes, onde se destaca a Quinta do Ameal, situada bem perto de Ponte de Lima.
Os vinhedos do Ameal são já referidos no Tombo velho do cartório do convento de Refóios do Lima, que foi elaborado antes de 1710. A Quinta do Ameal situa-se numa das mais ancestrais freguesias de Portugal, anterior à Nacionalidade (1143).
Com a sua riqueza ambiental, a Quinta do Ameal, para além da vinha, revela-se na sua belíssima mata de castanheiros, nogueiras e pinheiros mansos seculares, formando um conjunto vegetativo de rara beleza junto às margens do rio Lima.
Em prova temos a gama dos vinhos da Quinta do Ameal.


Quinta do Ameal Arinto 2005
Casta: 100% Arinto - 12% Vol.

Tonalidade amarelo dourado com rebordo citrino, e média concentração.
Nariz a mostrar boa intensidade, fruta tropical com citrinos, frescura que se mistura com vegetal de segundo plano em conjunto com floral. Tem um toque no plano médio que lembra o creme de pastelaria. No final mostra um toque mineral com leve fumo.
Boca com entrada suave, boa elegância com tudo no seu devido lugar, frescura derivada de uma acidez bem colocada. Toque vegetal com final mineral, perdendo um pouco na largura de boca, com final de persistência média/baixa.

Um vinho fresco e apelativo, é um Arinto de bom efeito, sem grandes complexidades perde um pouco em nariz e boca, alinhando num plano de equilíbrio de conjunto.
15

Quinta do Ameal Loureiro 2005
Casta: 100% Loureiro - 11,5% Vol.

Tonalidade citrina de concentração mediana.
Nariz de intensidade média, fruta presente com tropical e citrina (tangerina, limão) de bom nível. Mineral suave de fundo, com vegetal (louro) em segundo plano, flores brancas que perfumam o conjunto que denota boa frescura.
Boca com entrada fresca e a mostrar suavidade, fruta com vegetal presente. Acidez a dar frescura ao conjunto, bastante equilibrado e harmonioso, com final a revelar ponta mineral e bela persistência.

Um loureiro de um nível bem acima da média, aqui temos um vinho que alia harmonia com delicadeza, bom na prova de nariz que se vai complementar com a prova de boca. Talvez a palavra consistência seja adequada, mas para o tempo mais quente diria mesmo que este vinho é um alvo de cobiça.
16

Quinta do Ameal Escolha 2004
Castas: 100% Loureiro - Estágio: 6 meses carvalho francês novo - 12% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de leve concentração.
Nariz a revelar desde início uma grande ligação entre fruta e madeira, as notas de fruta (tangerina, limão, pêra, líchias) ligam-se com notas de baunilha, ligeiro amanteigado. A erva fresca junta-se a notas florais e ligeiro toque de fumado, que vem dar a este Loureiro uma outra dimensão.
Boca com entrada fina e muito bem balanceada com a madeira, mais uma vez tudo em grande forma, redondo, certa untuosidade. Acidez presente e de bom nível a dar grande frescura ao conjunto, fruta com algum melado presente.Tudo muito bem enquadrado, final com toque mineral de boa persistência.

Temos um Loureiro estagiado em madeira, o que vem dar uma complexidade muito interessante ao vinho, mais gordo e a encher mais a boca. Pela elegância, pela diferença, pela qualidade...
16,5

Casa de Santar branco 2006

Regressava o Rei D. Afonso II vitorioso da Batalha de Navas de Tolosa, em 12 de Junho de 1212, quando assentou arraiais junto ao caminho romano que ligava Seia a Viseu. Desde então, ficaram essas terras a ser conhecidas pelo nome ''Onde o Rei assentou arraiais'', mais tarde Assantar e, por fim a denominação que ainda hoje se mantém, Santar.

É isto que se pode lêr no site da Casa de Santar, de onde nos chega este branco:

Casa de Santar branco 2006
Castas: Encruzado, Cerceal-branco e Bical - Estágio: n/indicado - 12,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de ligeira concentração com rebordo esverdeado.
Nariz de intensidade moderada, frescura presente em ligação com a fruta que aparece bem madura (pêra, ananás, citrinos, nectarina) com bom toque floral. Ligeira sensação de adocicado (hidromel) em companhia de toque mineral de fundo.
Boca com boa entrada, bem estruturado e com acidez bem presente, a dar boa frescura com toque frutado, suave no comprimento e na largura com toque mineral em fundo e final de boa persistência.

Temos um vinho que se mostra em bela forma e pronto a fazer companhia para os tempos quentes que nos esperam, o preço a rondar os 4€ é mais um aliciante.
15,5
 
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