Copo de 3: Fevereiro 2008

29 fevereiro 2008

Xisto 2004

Foi no ano de 2002 que dois amigos, Jorge Roquette da Quinta do Crasto e Jean-Michel Cazes do Château Lynch-Bages, decidiram criar uma empresa, Xisto - Roquette e Cazes, com o objectivo de: “Fazer um grande vinho com as castas do Douro, um vinho que mostre estrutura e complexidade, que possua o poder e o sol de Portugal conjugados com a elegância de Bordéus.”, segundo as palavras de Jean-Michel Cazes no âmbito desta aventura.

Xisto 2004 Castas: Touriga Nacional (60%), Touriga Franca (15%) e Tinta Roriz (25%) - Estágio: 18 meses em barricas de carvalho francês (60% novas e 40% de um ano) - 14% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração alta.
Nariz intenso e a denunciar ao primeiro contacto um vinho pleno de classe e finesse em tudo aquilo que tem para nos mostrar. A fruta jovem e bem madura revela uma qualidade assinalável (amora, cereja) muito acompanhada pela presença de uma barrica bem fina, a lembrar vinhos de outras paragens onde se sente este mesmo trabalho. Os torrados finos e muito elegantes, que a seu tempo lembram um mocaccino recém tirado, com uma sensação de cremosidade que recorda um batido de baunilha. A complexidade que tem permite que a evolução seja notável, o toque refrescante e floral (violetas) surge acompanhado por um cunho resinoso/vegetal assentes em laje xistosa.
Boca conquistadora, de bela arquitectura, onde antes se respirava harmonia agora pode-se dizer que se bebe harmonia. O vinho tem um belo corpo, cheio e vigoroso, mas ao mesmo tempo delicado e elegante. Tem a fruta madura e silvestre sincronizada com toque de cremosidade baunilha, torrado, especiaria e floral/vegetal não muito intenso. Frescura mais que refrescante evitando excessos ou quebras, com final a lembrar xisto molhado, final de persistência média/alta.

Sente-se um vinho algo contido, mas desde já cheio de brilho e encanto na forma como se mostra durante toda a prova. É tempo o que pede e precisa para se mostrar em pleno, valendo a pena guardar algumas garrafas para tal efeito. O preço salvo algum deslize pontual, rondará os 35-40€
17,5

28 fevereiro 2008

Torre do Frade Reserva 2005

No seguimento do boom de novos vinhos que se tem vindo a verificar nos últimos anos por todo o Alentejo, surge com a colheita de 2004 um novo produtor para os lados de Santo Aleixo (Monforte).
Com uma história que remonta ao ano de 1380, onde a partir de uma então existente Herdade da Torre do Curvo, composta por 3 montes, o Torre do Curvo de Cá, o Torre do Curvo Dalém e Torre da Alvarenga. Com o passar dos anos e após algumas mudanças de dono e divisão no que toca a terras, a então herdade de nome Torre do Curvo Dalém passa a ser conhecida como Herdade da Torre do Frade.
Agora com a segunda colheita, 2005, temos um vinho onde o que salta à vista é a publicidade à rolha de cortiça natural, onde a garrafa aparece literalmente com a rolha à mostra. É uma iniciativa que tem como objectivo chamar a atenção do consumidor para este tipo de vedante natural. O novo Reserva 2005 é elaborado a partir das mesmas castas, mas verificou-se uma ligeira diferença nos tempos de estágio, sendo que a produção aumentou para as 12.557 garrafas.

Torre do Frade Reserva 2005
Castas: Alicante Bouschet, Trincadeira e Aragonês. - Estágio: 14 meses em barricas novas de carvalho Francês e Americano, mais 8 meses em garrafa - 14% Vol.

Tonalidade granada muito escuro de alta concentração
Nariz de aroma marcado pela concentração de fruta, densa e muito presente com alguma compota em conjunto com notas derivadas da passagem por madeira. Tosta bem presente, café e cacau abraçam o perfil que nos dá um vinho ainda algo fechado. Liberta com algum tempo de espera, ervas de cheiro, vegetal seco em fundo com aparas de lápis e um toque ligeiramente adocicado.
Boca a indicar um vinho com estrutura sólida e vigorosa, já se mostra bem afinado mas pronto para dar ainda mais e melhor. A frescura presente é garante de prazer durante toda a passagem de boca, à fruta madura banhada por cacau, junta-se um ligeiro toque especiado. Vinho com alguns taninos ainda por amestrar no seu conjunto, dando sensação de ligeira austeridade que o tempo se irá encarregar de polir devidamente. O toque de tosta está presente, num vinho que se mostra com um final de boca de persistência média/alta.

É um vinho que não foge do padrão da colheita anterior, apesar de se mostrar um pouco menos pujante e concentrado, dá até a sensação de estar um pouco mais pronto a consumir. A complexidade que mostra está ainda refém do tempo que precisa para se mostrar, cabendo ao consumidor optar se o deixa ou não a dormir mais um tempo.
16,5

27 fevereiro 2008

Torre do Frade Reserva 2004

No seguimento do boom de novos vinhos que se tem vindo a verificar nos últimos anos por todo o Alentejo, surge com a colheita de 2004 um novo produtor para os lados de Santo Aleixo (Monforte).
Com uma história que remonta ao ano de 1380, onde a partir de uma então existente Herdade da Torre do Curvo, composta por 3 montes, o Torre do Curvo de Cá, o Torre do Curvo Dalém e Torre da Alvarenga. Com o passar dos anos e após algumas mudanças de dono e divisão no que toca a terras, a então herdade de nome Torre do Curvo Dalém passa a ser conhecida como Herdade da Torre do Frade.
O primeiro vinho a ser lançado por esta Sociedade Agrícola, é feito a partir de uma vinha de 2ha, situada em solo xistoso. Foi a partir das castas Alicante Bouschet, Trincadeira e Aragonês que o famoso e reputado enólogo, Paulo Laureano elaborou este Reserva 2004.
Foram produzidas 7,849 garrafas, onde o impacto visual é de um conjunto sóbrio e muito elegante, com o rótulo a ostentar o ferro da casa.

Torre do Frade Reserva 2004
Castas: Alicante Bouschet, Trincadeira e Aragonês. - Estágio: 10 meses em barricas novas de carvalho Francês e Americano, mais 12 meses em garrafa - 15% Vol.

Tonalidade granada muito escuro e de alta concentração.
Nariz que antes de uma prévia decantação se mostrou fechado, vigoroso e com uma austeridade sentida, químico e travo de torrado derivado da madeira tapando por completo a fruta. Foi com tempo que o vinho se revolucionou, mudou para melhor, seria o esperado perante aquilo que tinha dado a entender. Quase com a sensação que se tinha dissipado uma névoa, eis que tudo parece mais nítido apesar de bastante concentrado e vigoroso, saltam frutos bem maduros (dióspiros, ameixas pretas) com toque de compota, sensação de termos especiarias espalhadas em cima de uma bancada de xisto húmido, com a madeira presente na forma em que melhor se pode apreciar, empireumáticos de grande qualidade (tabaco, baunilha, café acabo de moer). A frescura é sentida em dimensão proporcional à complexidade desenhada pelo perfil apresentado, onde a sensação de cremosidade alonga o prazer. A componente vegetal/floral parece um pouco presa ainda, descortina-se algum balsâmico em fundo com hortelã e esteva.
Boca a revelar um vinho bastante sério e intenso, senhor do seu nariz, estrutura imponente com entrada a mostrar alguma elegância e macieza. Um conjunto que proporciona uma grande passagem de boca, amplo de espacialidade, com acidez a dar frescura que complemente e bem toda a prova. Complementa-se com toque especiado (pimentas em evidência), toque de fruta presente com café e ligeiro chocolate negro a dar ponta de austeridade no final, longo, intenso e guloso.

Estamos perante uma entrada com o pé direito e cheia de força no mercado nacional, muito prometedor e cheio de alma, das 7849 garrafas produzidas cabendo a esta o nº 1287. É um vinho muito sério, intenso e complexo, um regalo para os apreciadores do género. Com o comportamento de um autêntico pura raça Miura, este exemplar merece uma lide à altura pelo que se recomendam copos dignos da sua nobreza. O preço para uma caixa de 3 unidades é de 67,20€ no site do produtor.
17

26 fevereiro 2008

Vinha do Romezal 2000

A Quinta de Santa Júlia, que em tempos deu pelo nome de Quinta de S. Gião, data do princípio do século 18. Localizada no Vale de Jugueiros, apenas a 6 km da cidade de Peso da Régua, conta com uma área de 60 hectares, e durante várias gerações, a família Costa Seixas foi um exemplo de dedicação e paixão pela terra e pelo vinho. Esta paixão levou Eduardo da Costa Seixas a seguir a tradição da família e a modernizar as vinhas.
O vinho em prova é o Quinta do Romezal, encontrado meio perdido e meio esquecido pela garrafeira, pediu socorro e em boa hora foi atendido. De realçar que hoje em dia o rótulo nada tem a ver com o apresentado na colheita de 2000.

Vinha do Romezal 2000
Castas: Touriga Nacional e Tinta Roriz - Estágio:Pipas de carvalho - 12,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média.
Nariz a mostrar fruta bem madura com alguma geleia, complementa-se com ligeiro vegetal a recordar a esteva, um travo floral muito ligeiro com um fundo balsâmico que lhe dá ligeira frescura. Temos então uma bela sincronia entre as duas castas, resultante um vinho harmonioso e bem representativo da região que o viu nascer. Muito recatado na maneira como se mostra, alguma cera de móvel em conjunto delicado e sem grande espacialidade.
Boca com entrada ligeira, leve frescura, corpo fino e muito delicado, tem uma sensação de pinho verde na boca que se funde entre o ligeiro caramelo e o toque de tabaco seco. Muito sereno, já com pouca confiança e a dizer que não tem muito mais para oferecer, em final de boca mediano.

Um vinho que deu uma prova muito correcta e até a fugir a algumas tendências dos dias que correm, apesar da sua complexidade não ser um trunfo, é um vinho bastante directo no que toca a argumentos. Os 12,5% Vol. com que se mostra, são sinais de outros tempos se tivermos em conta a nova vaga de vinhos do Douro que enchem prateleiras e primeiras páginas de revistas da especialidade. Um vinho a dar indicações que não tem mais para dar, irá ficar assim por mais algum tempo para depois se despedir.
15

25 fevereiro 2008

Quinta do Encontro - Preto e Branco 2004

Situada em S. Lourenço do Bairro, Anadia, a Quinta do Encontro deve o seu nome à sua localização próxima da Cruz do Encontro. Iniciou a produção de vinhos em 1930, numa pequena adega situada em Paredes do Bairro.
Com a entrada da Dão Sul no projecto, foi realizada uma reestruturação de 10 hectares de vinha, dos 20 que compõem a propriedade. Os solos são de características argilo-calcárias, têm plantadas as castas tintas Baga, Touriga Nacional, Merlot, Cabernet Sauvignon, Tinta Roriz e Castelão e as brancas Bical, Maria Gomes e Arinto.
O projecto da Quinta do Encontro, surge, com um novo conceito no ano 2000, tendo como filosofia de base a produção diferenciada em relação à imagem a que está associada esta região. Produzem-se vinhos essencialmente com a denominação Bairrada num estilo moderno e actual.
O vinho que se segue é acima de tudo, uma curiosidade pois do seu lote fazem parte castas tintas e uma casta branca, a um lote de Touriga Nacional e Baga, adicionou-se a casta branca Bical.
O nome não poderia ser mais adequado, Preto e Branco.
(Info retirada do site do produtor)

Quinta do Encontro - Preto e Branco 2004
Castas: Touriga Nacional, Baga e Bical - Estágio: 8 meses em barricas de carvalho francês - 14% Vol.

Tonalidade ruby escuro de média concentração.
Nariz a revelar aroma com alguma austeridade, toque químico inicial a recordar o aroma a papel químico dos antigos totobola, dando lugar a fruta de boa concentração. No fundo vagueia brisa floral com vegetal, especiaria e algum fumo.
Boca com entrada a revelar leve austeridade tal como apresentara no nariz, entra com ligeira secura, mas de resto mostra-se com a fruta bem presente, fino e sem transmitir uma grande espacialidade. A frescura bem presente, revelando-se equilibrado e a dar uma prova muito agradável com final de boca de média persistência.

É um vinho que se mostra jovem e cheio de força, pelo que um tempo em cave não lhe vai fazer mal, antes pelo contrário. Mais uma boa surpresa e assim de tudo um vinho que se destaca pela diferença, com um preço a rondar os 7-10€
15,5

24 fevereiro 2008

Monte da Cal Aragonês 2004

A Herdade Monte da Cal, propriedade localizada no Concelho de Fronteira, encontra-se no norte do Alentejo, com uma área de 100ha. Aqui são criados os vinhos “Monte da Cal”. Os solos são fortemente dominados pela argila com xisto à mistura e o clima muito quente no Verão, obriga a que a mão mágica do homem restabeleça o equilíbrio e abra caminho à harmonia e ao equilíbrio da natureza. Este é apenas mais um exemplo do polvo gigante que é a Dão Sul no mercado de vinhos em Portugal, conseguindo ter vinhos de grande qualidade em quase todas as regiões produtoras, com vinhos para todos os gostos e de variados perfis, até a um vasto leque de preços, adequados a todas as bolsas consumidoras ou nem tanto.
Em prova mais um exemplo de um vinho que apresenta uma notável relação preço/qualidade, o preço ronda os 6€, e onde mais uma vez um vinho desta casa se destaca pela qualidade assinalável e pela vontade que fica de ter e provar novamente.

Monte da Cal Aragonês 2004
Castas: 100% Aragonês - Estágio: 8 meses em barricas de carvalho francês - 14,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro a mostrar concentração média/alta
Nariz com perfil aromático de boa estirpe, fruta vermelha bem madura com traços compotados, cabaz de empireumáticos derivados da qualidade da madeira onde esteve a descansar. Tudo em harmonia, com toque fumado em fundo, numa complexidade delicada e até mesmo sedutora no seu conjunto, com um final a recordar um mocaccino.
Boca de estrutura firme e bem definida, especiaria, caramelo e fruta madura bem presentes durante o primeiro embate. É de suavidade no trato, com frescura durante a passagem de boca e com corpo bem delineado sem entrar em grandes expansões a nível da espacialidade. A complexidade mais uma vez, se mostra delicada com final de boca médio e com alguns taninos reguilas à mistura.

Um belo exemplar da casta Aragonês, capaz de dar uma prova muito elegante e com muito prazer. O tempo não lhe anda a pregar partidas, pelo contrário tem feito um bom trabalho, a fruta tem vindo a entender-se com a madeira e o resultado está bem patente durante a prova. A guardar por mais um tempo sem medos, o preço praticado remete este vinho para a compra obrigatória, o problema será encontrar o dito cujo com mais facilidade.
16

23 fevereiro 2008

Herdade das Servas Aragonês 2004

A Herdade das Servas situada bem perto de Estremoz, é o resultado de um sonho tornado realidade pelos dois irmãos Luís e Carlos Mira, que são a geração mais nova da família Serrano Mira, que desde 1667, ano atestado pela existência de duas talhas, se dedica à arte da vitivinicultura. A família Serrano Mira zela por um património vitícola de 200 hectares de vinhas, com idades compreendidas entre os 15 e os 55 anos, implantadas por talhões através das melhores técnicas de cultivo. Nas castas tintas contam com a Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, entre outras, e nas castas brancas com o Roupeiro, Antão Vaz, Rabo-de-Ovelha e Arinto.
Foi na colheita de 2004 que um lote de Aragonês se destacou com uma qualidade acima da média, um lote que por si só merecia ser colocado de parte e dado a conhecer aos apreciadores de bons vinhos. É esta a casta que brilha no seu máximo esplendor na vizinha Espanha, a Tempranillo ou Tinta de Toro entre tantos outros nomes que tem, sendo que por cá os nomes mais conhecidos são Tinta Roriz no Dão e no Douro, e no Alentejo como Aragonês.
O certo é que os vinhos extremes desta casta, dificilmente adquirem um estatuto de estrela por terras lusas, e o certo brilho que poderiam ter é rapidamente ofuscado pelos inúmeros varietais de Touriga Nacional que inundam o mercado. Ao contrário dos exemplares Espanhóis, raramente um extreme de Aragonês/Tinta Roriz consegue chegar a surpreender, ficando sempre aquém das possibilidades da casta. Por vezes encontramos exemplares que se destacam da média, vinhos onde a casta desperta mais interesse, este é um desses exemplos:

Herdade das Servas Aragonês 2004
Castas: 100% Aragonês - Estágio: 12 meses em carvalho francês (70%) e americano(30%) - 14,5% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média/alta
Nariz a revelar um vinho com alguma extracção resultando um conjunto forte e coeso, com fruta bem madura em ligeira compota, com destaque para ameixa, especiarias a sobressairem de imediato (canela, baunilha e pimenta preto). Marca a posição certa margem de caramelo que se apresenta, fruto da boa dosagem de madeira e da qualidade da mesma. A tosta, o cacau morno com fundo herbáceo/balsâmico complementam o perfil deste vinho, bastante agradável e prazenteiro.
Boca a revelar um vinho bem balanceado entre fruta e madeira, boa frescura presente com alguns taninos ainda por sentar, mas que no final de boca se torna fresco e especiado, com uma bela persistência. Sem ser muito encorpado, é de estrutura firme e com média espacialidade na boca.

Um vinho que se mostra bem melhor agora do que quando provado da primeira vez no seu lançamento. A tendência será refinar e afinar ainda mais, no que toca ao entendimento entre madeira e fruta. Está aqui um belo exemplar de Aragonês ainda que numa versão mais concentrada do que normalmente se costuma encontrar. Preço a rondar os 15€ no Enoturismo do produtor.
16,5

22 fevereiro 2008

Herdade das Servas Touriga Nacional 2004

A Herdade das Servas situada bem perto de Estremoz, é o resultado de um sonho tornado realidade pelos dois irmãos Luís e Carlos Mira, que são a geração mais nova da família Serrano Mira, que desde 1667, ano atestado pela existência de duas talhas, se dedica à arte da vitivinicultura. A família Serrano Mira zela por um património vitícola de 200 hectares de vinhas, com idades compreendidas entre os 15 e os 55 anos, implantadas por talhões através das melhores técnicas de cultivo. Nas castas tintas contam com a Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, entre outras, e nas castas brancas com o Roupeiro, Antão Vaz, Rabo-de-Ovelha e Arinto.
É na colheita de 2003 que surge o primeiro varietal Touriga Nacional deste produtor, apostando naquela que é a casta mais mediática em Portugal. O resultado final levado a cabo pela dupla de enólogos Luís Duarte e Tiago Garcia, foi um vinho onde a Touriga Nacional se mostrou na sua versão mais Alentejana, um tinto encorpado, vigoroso e com extracção suficiente para casar com o bom trabalho das madeiras novas onde o deixaram a repousar.
O ano de 2004 permitiu novamente que este néctar fosse produzido, em prova o Herdade das Servas Touriga Nacional 2004

Herdade das Servas Touriga Nacional 2004
Castas: 100% Touriga Nacional - Estágio: 12 meses carvalho francês (70%) e americano (30%) - 14,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta
Nariz com aroma de boa intensidade e complexidade, bom desdobramento no copo a revelar-se com extracção de fruta sem cair no exagero que por vezes encontramos noutros vinhos. Sente-se uma harmonia entre a presença da fruta e da madeira, num vinho onde a Touriga não se mostra muito faladora, mas sim um vinho mais contido e fechado, sente-se frescura com a baunilha e a tosta a darem sinais de presença, floral de segundo plano com especiarias e fumado no fundo. Com o tempo que pede, desenvolve cacau e café com toque balsâmico a interligar todo o conjunto, ainda com alguma austeridade sentida que deverá passar com tempo de garrafa.
Boca com boa entrada, estrutura firme e sólida com frescura agradável, fruta madura com compota e madeira bem interligada, dando toque de alguma cremosidade no conjunto. O vinho mostra boa espacialidade, torrado, cacau, especiaria, a confirmação da prova de nariz, revelando-se um pouco mais pronto na boca, com final integro e de bela persistência.

É um vinho que vem na senda da anterior colheita, aqui sente-se mais uma vez a marca da casa, aliando a extracção comedida com bom trabalho de madeira. Tudo isto sem deixar fugir de vista, uma acidez mais que compensatória que dá uma frescura ao conjunto tornando o vinho bastante agradável e com pernas para andar mais uns anos dentro da garrafa. O preço ronda os 15€.
Colheitas provadas: 2003
17

21 fevereiro 2008

António Saramago Escolha Palmela 2003

É de um dos nomes incontornáveis da enologia que sai o próximo vinho em prova. Falar de António Saramago obriga a ter em mente alguns dos melhores vinhos que se fazem e fizeram em Portugal, quem não se recorda do excelso Tapada de Coelheiros Garrafeira 1996 ?
Como é dito na canção, o sonho comanda a vida, e foi preciso esperar pelo momento certo para que um sonho cultivado desse finalmente o seu fruto.
Este vinho de Palmela, reflecte o fruto de uma caminhada de experiência e aprendizagem, de obstáculos vencidos e ultrapassados, de uma casta (Castelão) acarinhada pelo produtor, pois como diz no contra rótulo, neste vinho vive a Alma de um Homem.

António Saramago Escolha Palmela 2003
Castas: 100% Castelão - Estágio: barricas de carvalho francês e americano durante 12 meses e igual tempo em garrafa - 14% Vol.

Tonalidade granada intenso de média/alta concentração
Nariz de aroma fino e de bela complexidade, equilibrado sem cair em monotonia ou excessos, coisa que rareia nos dias que correm. Mostra fruta bem madura com compota a ela associada, travo balsâmico e tostado leve que surge em companhia de cacau, folha de tabaco e alguma madeira exótica a retocar todo o conjunto. É bem agradável notar como o vinho se vai desdobrando com o tempo no copo, desde notas de vegetal seco que nos remetem para chá verde, caixa de especiarias (cravinho, pimenta preta, baunilha), um bouquet cheio de encantos e recantos onde nos podemos refugiar durante toda a prova
Boca a mostrar uma bela estrutura, perfil requintado e clássico na maneira como se mostra, acidez a dar uma bela frescura ao vinho. Passagem de boca balanceada entre a fruta e o toque vegetal seco que lembra uma vez mais uma boa chávena de chá verde de qualidade. O toque especiado manifesta-se juntamente com algum chocolate negro, num vinho onde tudo se mostra muito seguro, em final de boca de persistência média/alta.

Um vinho que é puro prazer para quem gosta de vinhos sérios e onde se dá destaque à finesse em detrimento da força bruta da extracção maciça da fruta ou mesmo do uso exagerado da madeira.
É um Castelão que se torna apaixonante e pleno de encantos, a beber agora e a durar mais uns anos. O preço rondou os 10€ numa grande superfície comercial.
17

20 fevereiro 2008

Quinta de Porrais branco 2005

Nos últimos anos a atenção da parte dos produtores para os vinhos brancos tem vindo a aumentar, este interesse veio como seria de esperar, aumentar a qualidade média dos nossos vinhos. É do Douro que nos surgem talvez as maiores surpresas no que toca a vinhos brancos nos dias que correm.
Em prova um vinho Duriense, de um produtor com antepassados ilustres, a Quinta de Porrais pertenceu a António Bernardo Ferreira (representado no rótulo) filho de Dona Antónia Adelaide Ferreira e ainda hoje está na posse dos seus bisnetos.
Situadas a 600 metros de altitude e em solo xistoso, estão as vinhas velhas com mais de 60 anos que deram origem a este branco, predominando as variedades Rabigato e Códega do Larinho, as quais foram transformadas pelo enólogo Francisco Olazabal.

Quinta de Porrais branco 2005
Castas: Vinhas velhas com predominância de Rabigato e Códega do Larinho - 13% Vol.

Tonalidade citrina com reminiscência dourada
Nariz com entrada frutada em suave melado lembrando rebuçados de limão, tem fundo mineral com toque ligeiramente fumado, directo durante toda a prova. A brisa floral apesar de tímida surge para perfumar o conjunto, juntamente com algum vegetal fresco, num conjunto que sem se mostrar muito expansivo consegue dar uma prova satisfatória.
Boca com entrada fresca, corpo médio, sem grande espacialidade consegue ter uma acidez prazenteira, apesar de se notar que a mesma poderia ser mais alta e dar mais vida ao vinho. A recordação de relva fresca surge a meio palato com o mineral em fundo, final de boca algo curto.

Um vinho do qual esperava mais, os nomes que o envolvem fazem com que as expectativas fossem um pouco mais elevadas que o normal. Apesar de dar uma prova mais que correcta não deixa de deixar um sabor a decepção, principalmente na boca onde se deixa ir um pouco abaixo com a acidez a não conseguir animar o suficiente todo o conjunto. Custou cerca de 5€ numa grande superfície comercial.
14,5

19 fevereiro 2008

Casa Aranda Encruzado 2006

Quando se fala de vinho branco proveniente do Dão, imediatamente associamos o nome Encruzado, aquela que sem grandes dúvidas é a casta branca que dá origem a alguns dos brancos na versão varietal ou lote, de maior prestígio da região e mesmo a nível nacional.
É em Oliveirinha - Carregado do Sal, que fica situada a Casa Aranda ou Casa d´Além, uma casa rural do início do séc. XVIII fundada pelo fidalgo Augusto Carlos de Aranda.
Deste produtor sai o varietal Encruzado que ostenta o nome da casa que o vê nascer, com enologia a cargo do enólogo António Narciso, com fermentação a ocorrer em barricas de carvalho francês com estágio de 6 meses, sendo produzidas apenas 3500 garrafas.

Casa Aranda Encruzado 2006
Castas: 100% Encruzado - Estágio: 6 meses em carvalho francês - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de média/leve concentração
Nariz fresco e com boa intensidade, remete à casta naquilo que apresenta, fruta bem madura com citrinos e alperce. Pelo meio recorda as flores de limoeiro em conjunto com as suas folhas, no fundo um travo mineral juntamente com toque fumado dão uma complexidade que se mostra franca e bastante linear, com o vinho a ganhar um pouco com algum tempo em copo.
Boca com acidez presente em dose afinada e suficiente para o vinho mostrar uma boa frescura durante toda a passagem de boca. O mineral está novamente presente, com folha de limoeiro e toque de citrinos verdes mais uma vez presente. Revela-se franco e bem directo na sua prova, consegue uma prova agradável com final de boca a recordar pimenta branca.

Este vinho foi comprado numa grande superfície comercial por um preço que rondou os 3,80€. Fugindo claramente aos preços por vezes mais altos praticados por outros varietais desta casta, o vinho revela-se prazenteiro e com um belo preço para o preço pedido, dando indicações de capacidade de envelhecimento em garrafa, ganhando alguma complexidade.
15

18 fevereiro 2008

Quinta das Marias Alfrocheiro 2004

Após quase 10 anos a produzir vinhos, a afirmação chegou no ano passado com o lançamento no mercado de um conjunto de vinhos onde a qualidade inegável os levou a brilhar ao mais alto nível. Para os mais distraidos seria o surgir da Quinta das Marias, produtor situado no Dão, onde os 8ha de terra situados entre as margens dos rios Dão e Mondego, no meio de colinas de granito são um local ideal para a produção de vinho.
O produtor Peter Eckert, tem como objectivo principal a qualidade, o aumento de produção fica fora de questão, ficando apenas e só a vontade de apurar cada vez mais a qualidade, o que de certa forma se traduz numa produção de pequena escala, permitindo numerar todas as garrafas produzidas.
Apostando essencialmente nas castas tradicionais do Dão, os seus vinhos variam entre os extremes de Touriga Nacional, Alfrocheiro ou Encruzado, até aos vinhos de lote como o Cuvée TT e o Quinta das Marias, ou bem mais recentemente o Garrafeira.
Em prova um extreme de uma das castas tintas da região, o Alfrocheiro, aqui na sua versão de 2004.

Quinta das Marias Alfrocheiro 2004 Castas: 100% Alfrocheiro - Estágio: - 15% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média/alta, com ligeiro toque glicérico. Nariz que nos remete para um perfil escuro, fresco e guloso, quase que leva a imaginar um túnel na sua profundidade e feito de chocolate preto com muita fruta negra madura banhada na sua geleia. Do fundo emanam aromas de café torrado, especiarias doces (canela, cravinho) e baunilha, aconchegam em tom morno o provador. Dentro de toda a sua complexidade, o chão é mineral com reminiscências de cariz químico e alguma esteva que paira em segundo plano. Boca de entrada fresca, estruturado e com corpo médio, macio com passagem boca fresca e sem percalços. A fruta madura com vegetal em grande sincronia, unem-se a apontamentos de tosta e chocolate preto, especiarias encaminham o provador para um final mineral com ponta balsâmica, de bela persistência.

É um vinho de puro prazer, por tudo aquilo que mostra e desperta o lado mais guloso de cada um. Tem um grande equilíbrio, mostra harmonia e delicadeza no trato, tem uma frescura sempre presente e que de certa forma impede que se torne enjoativo a quem dele se aproxima. Um belo exemplar de Alfrocheiro, com preço a rondar os 17€ por garrafa, pena que foram feitas apenas 1580 cabendo a esta o nº1009.
16,5

17 fevereiro 2008

Quinta das Marias branco 2005

Após quase 10 anos a produzir vinhos, a afirmação chegou no ano passado com o lançamento no mercado de um conjunto de vinhos onde a qualidade inegável os levou a brilhar ao mais alto nível. Para os mais distraidos seria o surgir da Quinta das Marias, produtor situado no Dão, onde os 8ha de terra situados entre as margens dos rios Dão e Mondego, no meio de colinas de granito são um local ideal para a produção de vinho.
O produtor Peter Eckert, tem como objectivo principal a qualidade, o aumento de produção fica fora de questão, ficando apenas e só a vontade de apurar cada vez mais a qualidade, o que de certa forma se traduz numa produção de pequena escala, permitindo numerar todas as garrafas produzidas.
Apostando essencialmente nas castas tradicionais do Dão, os seus vinhos variam entre os extremes de Touriga Nacional, Alfrocheiro ou Encruzado, até aos vinhos de lote como o Cuvée TT e o Quinta das Marias, ou bem mais recentemente o Garrafeira.
Em prova um branco curioso, um vinho de lote do ano 2005, que não se repetiu em 2006 por se ter optado apenas por produzir encruzado.

Quinta das Marias branco 2005
Castas: Encruzado, Malvasia Fina, Bical e Cerceal - Estágio: Fermentação parcial em barricas novas de Carvalho Francês durante 5 meses - 14% Vol.

Tonalidade leve dourado com reflexos esverdeados.
Nariz com entrada de boa intensidade, chamativo ao toque tropical com ligeira calda. A componente citrina acompanhada de bafo floral marca a sua presença, sumarento e pleno de frescura, banhando um fundo mineral de belo efeito. A passagem por madeira contribui com certo arredondamento, trocando frescura por mais alguma complexidade que bem se nota e agradece.
Boca de entrada fresca, com acidez convidativa e a contribuir para um belo equilíbrio com as nuances de untuosidade conferidas pela madeira. A fruta tropical banhada pela sua calda marcam a passagem com o final a lembrar a força fresca e ácida de uma toranja. Mais uma vez assenta todo o seu corpo em laje granítica, a persistência final é mediana.

Um branco de 2005 em plena forma, mostrando um Dão apetecível e cada vez mais uma presença obrigatória na mesa do consumidor. No vinho em causa , ficou um pouco fora do esperado o final de boca. Foram feitas 3450 garrafas cabendo a esta o nº 0118, com um preço bastante tentador de 5€ por garrafa.
15,5

Quinta das Marias Encruzado 2006

Após quase 10 anos a produzir vinhos, a afirmação chegou no ano passado com o lançamento no mercado de um conjunto de vinhos onde a qualidade inegável os levou a brilhar ao mais alto nível. Para os mais distraídos seria o surgir da Quinta das Marias, produtor situado no Dão, onde os 8ha de terra situados entre as margens dos rios Dão e Mondego, no meio de colinas de granito são um local ideal para a produção de vinho.
O produtor Peter Eckert, tem como objectivo principal a qualidade, o aumento de produção fica fora de questão, ficando apenas e só a vontade de apurar cada vez mais a qualidade, o que de certa forma se traduz numa produção de pequena escala, permitindo numerar todas as garrafas produzidas.
Apostando essencialmente nas castas tradicionais do Dão, os seus vinhos variam entre os extremes de Touriga Nacional, Alfrocheiro ou Encruzado, até aos vinhos de lote como o Cuvée TT e o Quinta das Marias, ou bem mais recentemente o Garrafeira.
Em prova um branco extreme da casta rainha da região, a Encruzado, da colheita de 2006.

Quinta das Marias Encruzado 2006
Castas: 100% Encruzado - Estágio: Inox - 14% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de pouca concentração com toque esverdeado.
Nariz de aromas francos à casta Encruzado, puxando aos aromas de fruta bem madura em nuance tropical mais contida com destaque para os evidentes citrinos, desperta o seu lado resinoso algo contido. A frescura é bem presente, com fundo mineral presente.
Boca com entrada estruturada, bom corpo mostrando um belo equilíbrio entre acidez e açúcar, dando a sensação de início ligeiramente adocicado com ligeira calda de fruta. Destaque para a componente vegetal e algum citrino, de certo modo bem vincado e marcante. Tudo bem balanceado, mostrando-se fino e bem arredondado, com toque mineral e ligeiro fumado a marcar presença lá no fundo como que amparando toda a estrutura, em final de boca médio/longo.

Um Encruzado de muito boa estirpe, delicado e de boa complexidade, convence e apetece beber. Foram feitas 4300 garrafas, cabendo a esta o nº 3989, rondando cada uma os 12€.
16,5

16 fevereiro 2008

Revista de Vinhos - Os Melhores do Ano

Realizou no dia 15 Fevereiro a cerimónia da entrega dos Prémios «Os Melhores do Ano», no CNEMA - Centro Nacional de Exposições de Santarém.
O Copo de 3 esteve presente, nesta iniciativa da autoria da Revista de Vinhos, que há dez anos consecutivos, junta a generalidade da gente do mundo dos vinhos numa festa em que se consagra muito do que de melhor se produz em Portugal.

Deixo aqui apenas a parte referente ao prémios de excelência, deixando a informação dos restantes prémios para quem comprar a Revista de Vinhos.

Os prémios de excelência destaca vinhos que pelas provas efectuadas recolheram sempre o aplauso unânime dos provadores da Revista de Vinhos. São 30 vinhos que expressam da melhor forma as características da região que os viu nascer e a arte e saber de quem os criou:

Murganheira Assemblage Espumante Távora-Varosa Branco 1995

Anselmo Mendes Vinho Verde Alvarinho Branco 2005

Dorado Vinho Verde Alvarinho Branco 2005

Soalheiro Primeiras Vinhas Vinho Verde Alvarinho Branco 2006

Auru Douro Tinto 2001

Alves de Sousa Reserva Pessoal Douro Tinto 2003

Batuta Douro Tinto 2005

Charme Douro Tinto 2005

Gouvyas Douro Vinhas Velhas Tinto 2005

Lavradores de Feitoria Douro Grande Escolha 2004

Pintas Douro Tinto 2005

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa Douro Tinto 2005

Quinta do Infantado Douro Reserva Tinto 2005

Quinta do Vale Meão Douro Tinto 2005

Vértice Douro Grande Reserva Tinto 2003

Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador Dão Tinto 2005

Quinta da Falorca Garrafeira Dão Tinto 2003

Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas Santa Maria Regional das Beiras Tinto 2005

Quinta do Ribeirinho Pé-Franco Regional das Beiras Tinto 2005

Quinta do Monte D'Oiro Regional Estremadura Reserva Tinto 2004

S de Soberanas Regional Terras do Sado Tinto 2004

Dona Maria Regional Alentejano Reserva Tinto 2004

Paulo Laureano Regional Alentejano Alicante Bouschet Tinto 2005

Quinta do Carmo Regional Alentejano Reserva Tinto 2004

Terrenus Regional Alentejano Reserva Tinto 2004

Vale de Ancho Alentejo Reserva Tinto 2004

Zambujeiro Regional Alentejano Tinto 2004

Quinta do Noval Porto Colheita 1986

Barbeito Lote Especial Madeira Malvazia 30 anos

Relíquia Aguardente Velhíssima Reserva Especial

Prémios de Excelência - A opinião

Se algumas das previsões que poderiam ser feitas deram certo, não é menos verdade que alguns resultados não deixaram de ser surpreendentes.
Enquanto seria de esperar que uma nota igual ou superior a 18 valores atribuidos pelo painel da Revista de Vinhos, normalmente iria atribuir a um vinho o prémio de excelência, por outro lado ficamos a saber que isso já não quer dizer nada pois os vinhos são provados por várias vezes... o que seguramente vai levantar a questão que vinhos com valores inferiores apareçam e outros com o mesmo valor fiquem de fora, será normal pensar que nestes casos se devem ter feito provas de desempate.

Ou seja, um vinho anteriormente provado ao qual tenha sido atribuido uma nota inferior pode ter sido novamente provado e ter melhorado, o que o levou a ganhar o cobiçado prémio de excelência.
Obviamente que nunca se deixa de lado a ideia de que estes vinhos expressam da melhor forma as características da região que os viu nascer e a arte e saber de quem os criou.

Como isto é um blog de opinião, segue então uma breve opinião muito pessoal sobre alguns dos dos vinhos vencedores.

Como já foi referido em outros lados, foi notória a ausência de outros brancos no plano da excelência,
Anselmo Mendes Vinho Verde Alvarinho Branco 2005
É um vinho pretendido faz muito tempo pelo enólogo Anselmo Mendes, prima obviamente pela diferença que apresenta face aos restantes Alvarinhos em Portugal. Pelas duas provas já efectuadas conquistou lugar na garrafeira.

Dorado Vinho Verde Alvarinho Branco 2005
Este vinho já foi alvo das melhores notas e das notas menos favoráveis, desde a um maravilhoso vinho branco a um vinho com problemas de saúde bem vincados. A resposta está dada com este prémio de Excelência. Já provado no Copo de 3 ficou num meio termo, sem causar grande decepção mas também não foi a maior das alegrias.

Soalheiro Primeiras Vinhas Vinho Verde Alvarinho Branco 2006
Outra revelação no panorama do Alvarinho em Portugal, cheio de personalidade e alma como os vinhos desta casa conseguem transmitir, aqui só se mostra de facto a Excelência. Curiosamente a minha aposta tinha sido apenas para o Dorado 2005 apenas pelo facto de ter obtido 18 numa prova efectuada pela Revista de Vinhos.

Auru Douro Tinto 2001
Um vinho que vê a nova colheita 2003 como melhor por região mas que a sua melhoria na garrafa foi tão boa que surge nos eleitos de excelência. Foi dos tais que vem nos guias com 17,5 tal como a colheita 2003 mas que deve ter convencido mais numa prova mais recente. Pela prova que deu, e tendo em conta o sempre irrelevante preço que ronda os 85€ é vinho que fica longe da excelência pretendida.

Vértice Douro Grande Reserva Tinto 2003
Guloso é o termo com que defino este vinho, seguramente não será na minha opinião o exemplo de excelência de uma região como é o Douro. Tira lugar a vinhos como Ferreirinha Reserva Especial 1997 onde o tal cunho Duriense é mais marcante e sentido... opiniões.

Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador Dão Tinto 2005
É um repetente mas com nova colheita, das vezes que foi provado não chegou a convencer, talvez seja o gosto pessoal a falar mais alto mas são outros vinhos do Dão que me chamaram mais a atenção para a dita Excelência. Mais uma vez o palpite foi apenas pela nota atribuida no guia.

Quinta da Falorca Garrafeira Dão Tinto 2003
É dos tais vinhos que enquadro com o anterior, pessoalmente a escolha iria para por exemplo um Vegia Reserva, mas quando o nível é tão semelhante as escolhas ficam difíceis e é apenas a opinião conjunta que fala mais alto.

Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas Santa Maria Regional das Beiras Tinto 2005
Pela prova que me deu aquando da sua prova não o escolheria, pela pontuação que teve na Revista de Vinhos seria uma escolha mais que óbvia e mais um que começa a ter lugar cativo.

S de Soberanas Regional Terras do Sado Tinto 2004
Não o vejo a representar a região de onde é dito vir, pelo perfil que se vem a tornar quase repetitivo nos vinhos nacionais, seria muito mais óbvio a aposta num vinho como o Cavalo Maluco, esse sim com mais alma e capaz de trazer algo de novo.

Dona Maria Regional Alentejano Reserva Tinto 2004
É estranho como é que o topo de gama da casa se deixa ficar atrás do Reserva 2004, a qualidade é alta em ambos os casos mas...

Paulo Laureano Regional Alentejano Alicante Bouschet Tinto 2005
Uma surpresa e uma confirmação, curiosamente deixou de lado o Alicante Bouschet Júlio Bastos Reserva 2004, que foi considerado vinho do ano no guia do mesmo autor da nota de prova deste mesmo Paulo Laureano, mas já começam a ficar dois Reservas da mesma casa... Mesmo assim e não tirando mérito a este Alicante Bouschet, considero o J.Bastos mais excelência que o Dona Maria Reserva 2004.

Vale de Ancho Alentejo Reserva Tinto 2004
Não estava nada à espera deste vinho no lote dos premiados, foge completamente pelas provas que me tem dado, deixando de lado vinhos como por exemplo o Cortes de Cima Reserva 2003.

12 fevereiro 2008

Rosemount Diamond Label Chardonnay 2006

Corria o ano de 1864, quando o emigrante alemão Carl Brecht se estabeleceu no Hunter Valley (Austrália), plantando as primeiras vinhas, dando seguimento até cerca de 1900 a marca Rosemount.
Em 1969 surge a Rosemount Estate, liderada por Bob Oatley, sendo apenas em 1975 que surge o primeiro vinho da colheita de 1974 com o nome Rosemount Estate. Em Março de 2001 a Rosemount passa para a Soutcorp, e em 2005 é comprada pelo grupo Foster.
O vinho que agora se apresenta é um claro caso de sucesso, a par de outras marcas este é um dos grandes responsáveis pela expansão do vinho Australiano a nível mundial. Afinal aqueles a que se intitula de Novo Mundo, já fazem vinho à mais tempo que muitos outros do Velho Mundo.
Com a imagem renovada, este Rosemount Diamond Label, surge com uma garrafa com novo design, uma novidade se tivermos em conta o mercado nacional e que em certa altura nos leva a pensar que estamos perante uma garrafa de azeite.

Rosemount Diamond Label Chardonnay 2006
Castas: 100% Chardonnay - Estágio:n/indicado - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino com leve dourado
Nariz com frescura citrina sentida de inicio, boa dose de fruta madura de cariz tropical com alguma fruta branca (melão, maçã). No desenvolvimento consegue mostrar uns toques de goma de fruta em persistência suave seguidos de tosta e amanteigado, com pimenta branca no fundo.
Boca com frescura sentida, não se mostrando muito concentrado, é um vinho de passagem suave e de parca complexidade, diga-se que é de sabor moderado. A fruta marca presença discreta, em conjunto muito afinado e com harmonia. Tem um certo toque de cremosidade, que se remete para um final de boca algo curto.

É um vinho produzido em larga escala, bem feito e que transporta o Chardonnay Australiano para muitas mesas de consumidores a nível Mundial. O preço de compra rondou os 9€ pelo que foge claramente a um vinho apetecível e que se recomende pela sua relação preço/qualidade, pois pelo mesmo preço ou até menos, conseguimos ter vinhos da mesma casta bem mais aliciantes produzidos em Portugal. O facto de ter uma tampa de rosca (Screwcap), não me afasta a ideia de que estou perante uma boa garrafa para azeite.
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11 fevereiro 2008

Herdade da Figueirinha Reserva 2004

A Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha situa-se na herdade com o mesmo nome, perto de S. Brissos, a cerca de 6Km de Beja. São cerca de 70 hectares de vinhas próprias onde se destacam as castas, Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonêz, Syrah, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon. Teve a estreia com a colheita de 2003, ano em que inaugura a sua adega, com a enologia entregue ao conceituado enólogo António Saramago.
Em prova o Reserva tinto da colheita de 2004.

Herdade da Figueirinha Reserva 2004
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonêz, Alfrocheiro e Cabernet Sauvignon - Estágio: carvalho francês e americano com estágio posterior em garrafa - 13,5% Vol.

Tonalidade granada médio
Nariz com aroma bem maduro, fruta madura (ameixa) com suave compotado integrado em harmonia com travo da passagem em madeira. Desenvolve com o tempo um travo vegetal, com especiarias e fumo de fundo. Tudo muito bem interligado, em mediana concentração e complexidade.
Boca com estrutura bem delineada, mostra-se com harmonia e toque fresco, suave e elegante naquilo que nos consegue mostrar e esta nas suas possibilidades. Mostra um travo vegetal seguido de acalmia generalizada em corpo médio com final de boca de média persistência.

Um vinho que se revela uma bela aposta para o dia a dia, bem feito e muito agradável. O preço joga a seu favor não indo longe dos 3-4€
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