Copo de 3: Dezembro 2008

31 dezembro 2008

Marques de Griñón - Dominio de Valdepusa - Cabernet Sauvignon 1998

Considerado como um dos produtores de maior prestígio de Espanha e um dos pioneiros de modernização da viticultura Espanhola, Don Carlos Falcó y Fernández de Córdova, Marquês de Griñón, graduou-se em Engenharia Agronómica na Universidade de Lovaina (Bélgica) e posteriormente também em Davis University (Califórnia).
Foi pioneiro na introdução de castas estrangeiras, sendo que em 1974 introduziu em Espanha as variedades de uva Cabernet Sauvignon e Merlot, que posteriormente estendeu para Chardonnay, Petit Verdot e Syrah. Os primeiros vinhos, realizados debaixo da direcção do Professor Emile Peynaud de Bordéus, foram o Marquês de Griñón Rueda Superior branco 1982 e o Marquês de Griñón Cabernet Sauvignon 1982.
A sua paixão pela enologia, levou a que fosse construída em 1989 uma adega em Malpica de Tajo, onde a sua família é proprietária desde 1270, da Finca Valdepusa, um histórico edifício do Séc. XVIII dentro do histórico domínio com o mesmo nome.
Convém relembrar que o Domínio de Valdepusa, foi reconhecido pelo governo Espanhol como o primeiro ''Vino de Pago'' oficial, e que tem desde 2002, o estatuto de D.O. própria. Por essa mesma razão esta colheita de 1998 ainda era considerada como ''vino de mesa'', que aparece mencionado no contra rótulo.
O Domínio de Valdepusa ocupa uma superfície de 50ha, das quais 42ha destinam-se a vinha, onde a variedade mais cultivada é a Cabernet Sauvignon, com cepas datadas de 1974.
Nos dias que correm os vinhos desde produtor estendem-se para além dos Montes de Toledo, até à Rioja, passando pelo Alto Duero e Argentina.
Focando atenções no Domínio de Valdepusa, onde tal como nos restantes ''Pagos'' o enólogo Michel Rolland dá a devida assessoria, o lote de vinhos produzidos varia entre o topo de gama Emeritvs (produzido desde 1997), aos varietais (Cabernet Sauvignon, Syrah e Petit Verdot) e em 2001 saiu ao mercado o Svmma Varietalis.
Em prova o Cabernet Sauvignon da colheita de 1998 do Domínio de Valdepusa, um vinho que segundo o produtor, pode-se beber quando sai para o mercado, mas que melhora sem dúvida num prazo de 10 anos, e feita a vontade é altura de o provar:

Marqués de Griñón - Dominio de Valdepusa - Cabernet Sauvignon 1998
Castas: Cabernet Sauvignon (90%), Merlot (10%) - Estágio: barrica de carvalho francês Allier e Nièvre durante 18/24 meses - 14% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz essencialmente fino e dono de uma boa complexidade, a denotar fruta do bosque de muito boa qualidade, destacando groselha preta, amoras e um ligeiro toque de ameixa (alguma compota presente). A passagem por madeira conferiu-lhe uma maior complexidade, tornou-o mais interessante e mais envolvente, invocando ligeira tosta e baunilha que dão seguimento a toque especiado (mais no campo das pimentas) bem patente durante a prova. A complementar surge a componente vegetal, mas um vegetal seco que opta por se acomodar ao que já se conhece, mostrando-se ligeiro e permitindo divagar ao lado de folhas de tabaco, algum mato rasteiro, e no final aquele bálsamo vegetal que remata a frescura sentida durante toda a prova.

Boca a mostrar um vinho de nobre estrutura e fino trato, com a fruta (amora, groselha negra e ameixa bem mais presente) a sentir-se bem fresca e a marcar presença de imediato, estando a barrica muito bem integrada, ao nível da prova de nariz. A delicada complexidade que mostra, vagueia entre o seu toque especiado e o vegetal, permitindo uma boa envolvência a todo o conjunto, em final de boca de boa persistência.

Desta colheita foram engarrafas 62.530 garrafas cabendo a esta o nº 031047, com um preço que rondou na altura de compra os 14€. Como alguém disse durante a prova, é um vinho feito e que ainda tem pernas para durar mais alguns anos em garrafa. Os 10 anos de vida que já leva, em nada o prejudicaram, antes pelo contrário, o vinho apresentou-se muito elegante, fresco e assente numa bela dose de complexidade. Foi servido a 14ºC atingindo o ponto ideal de consumo aos 18ºC.
17

30 dezembro 2008

La Geria Malvasía Dulce - Lanzarote

Voando até Lanzarote (Canárias), vamos ao encontro da Paisagem Protegida de La Geria (5.255 hectares), em pleno Parque Natural de La Geria.
Coberto com um espectacular manto negro de cinza vulcânica que se estende por todo o vale, pode-se admirar a beleza de uma paisagem inóspita, resultante das erupções vulcânicas (1730-1736) e adaptada no tempo, pela mão do homem que foi capaz de seguir o seu instinto de sobrevivência e adaptação ao meio que o rodeava.
Desta adaptação surge o cultivo de vinhas, em buracos escavados nas cinzas vulcânicas, chegando estes aos 3 metros de profundidade e mais de 8 metros de diâmetro cada um. Cada cova ou buraco, como se lhe queira chamar, está rodeado de um pequeno muro semicircular de pedra vulcânica para proteger a vinha dos ventos Alísios e da entrada de areia.
É nesta peculiar paisagem, e em pleno coração da principal zona vitivinícola de Lanzarote, que fica situada a bodega La Geria (uma das principais de Lanzarote e Canárias).

A adega foi construída nos finais do séc. XIX pela família Rijo e desde 1993 é dirigida pelos actuais proprietários, sofrendo desde então, importantes mudanças a nível tecnológico com vista a melhorar a qualidade dos vinhos ali produzidos.
A variedade de uva predominante é a Malvasía e outras como a Listán Negra e a Moscatel, onde o clima por sua vez afecta a produção devido à escassa precipitação registada, a subsistência da planta está relacionada com a tipologia do solo, onde a areia bastante porosa, permite uma passagem rápida do orvalho até à terra vegetal, impedindo desta forma que o calor do dia faça evaporar essa água, fazendo com que a planta subsista em anos de pouca precipitação.
A vindima ocorre a princípios de Agosto, a primeira em toda a Europa, causada por um maior número de horas de sol no que toca ao continente e pelas suaves temperaturas durante todo o ano (16º-28º). A vindima é realizada de forma manual, face à impossibilidade da entrada de maquinaria no terreno, realçando o facto de o transporte das uvas em alguns momentos ser feito por camelos.
Informação retirada do site do produtor La Geria.

La Geria Malvasía Dulce - Lanzarote
Castas: 100% Malvasía - 12,5% Vol.

Tonalidade amarelo palha com laivo dourado e ligeiramente glicérico.

Nariz a não se mostrar muito expressivo, fruta madura e fresca (pêssego, maçã, diospiro, laranja) presente com bastante calda de açúcar, floral muito ligeiro e um fundo de suave mineralidade.

Boca de entrada a combinar de forma elegante a boa dose de frescura com a doçura bem presente durante toda a passagem de boca. Sensações de fruta em calda, novamente nas sensações que deu em nariz, mostrando-se um pouco mais expressivo na prova de boca. De concentração moderada, sente-se em fundo um ligeiro toque salgado de refinamento com certa mineralidade, em final de persistência média.

Pode ser encarado como uma curiosidade resultante de um conjunto bem amparado por uma natureza bastante peculiar, dando uma prova prazenteira. É um vinho que se mostra
fino e delicado, encerrando dentro de si uma boa dose de singularidade.
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27 dezembro 2008

Tapada do Barão

É do Alentejo, mais propriamente de Reguengos de Monsaraz que nos chegam do Monte dos Perdigões os vinhos Tapada do Barão, pertencentes à Granacer, S.A.
Em prova a versão tinto e branco do Tapada do Barão, ambos da colheita 2007.

Tapada do Barão 2007
Castas: Trincadeira, Aragonez, Cabernet Sauvignon, Castelão, Syrah, Alicante Bouschet, Merlot e Tinta Caiada - Estágio: estágio curto em carvalho allier de grão fino e queima média. - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby de concentração média.

Nariz jovem e a mostrar-se bem frutado (ameixa, amora) e fresco. Toque vegetal em segundo plano com a madeira a deixar-se ficar muito para segundo plano com sensações fumadas em fundo. Assenta num perfil directo e frontal que transmite de imediato tudo aquilo que tem.

Boca de entrada fresca e equilibrada, destaque para a fruta e a ligeira secura vegetal que marca o segundo plano. Mediano de corpo, tem boa dose de frescura que juntamente com uma passagem de boca sem desequilibrio autoregulam o vinho para uma prova bastante satisfatória.

Um vinho jovem a assentar essencialmente na fruta, e se ampara na breve passagem que teve pela madeira, para desta maneira poder ganhar um pouco mais de envolvimento e complexidade. Mostra-se bastante descontraido para beber no dia a dia e com uma grande apetência para os inúmeros pratos da gastonomia tradiconal. O preço ronda os 4,50€
14,5

Tapada do Barão branco 2007
Castas: Antão Vaz, Arinto, Verdelho/Gouveio e Viognier - 13% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de reflexo esverdeado.

Nariz que desperta de imediato para aroma frutado e fresco (ananás, pêssego, limão, lima) de boa intensidade, seguido de perto por vegetal fresco. Adornado por alguma flor, melado e sensação ténue de ligeira untuosidade, esbatida na fruta e na frescura ligeira que apresenta.

Boca de entrada com boa dose de fruta madura (no sentido da prova de nariz), conjunto a mostrar algum corpo, diga-se até que se complementa com uma ponta de untuosidade (derivada da batonnage a que esteve sugeito). Completa-se com ligeira acidez num perfil claramente de meia estação, em final de boca de persistência mediana.

É mais uma boa aposta para um consumo diário com qualidade assegurada, polivalente mais uma vez com uma grande panóplia de pratos de peixe. e saladas. Preço que deverá rondar os 4,50€.
14,5

26 dezembro 2008

Coop Borba Garrafeira 2002

O termo Garrafeira começa a fazer cada vez mais parte de um passado vínico em Portugal. O certo é que hoje em dia, são relativamente poucos os produtores que optam por lançar um ''Garrafeira'' para o mercado, onde ao que parece a regra dominante é a de consumir o vinho quanto mais novo melhor.
O consumidor ávido de novidades, exerce desta forma uma enorme pressão nos produtores, que se vêm obrigados a colocar os vinhos cedo de mais no mercado para satisfazer a vontade e procura dos consumidores.

Quantas vezes aquele vinho acabado de sair no mercado, em prova se constata que ainda precisa de mais um tempo para afinar todo o seu conjunto ?

E quantos consumidores dão ao vinho o tempo necessário para o poderem desfrutar em todo o seu esplendor ?
Uma das razões a invocar será a falta de melhores condições de guarda na generalidade das habitações, mas o que por si só não implica que se consiga aguentar uma garrafa por 6 a 12 meses, que por vezes são mais que suficientes para notórias melhorias em determinados vinhos.
Mas nos dias que correm o consumidor impaciente disso não quer saber, bebe os seus vinhos em estado quase selvagem e como vieram ao mundo (leia-se mercado), sabendo de antemão que poderia tirar muito mais partido desse mesmo vinho com algum tempo de espera. Instala-se a vaidosice em forma de corrida desenfreada às novidades, apenas e só para dizer que já se provou, atenção que provar e beber são duas coisas diferentes, para isso basta reparar no estado final dos intervenientes para se tirar essa conclusão.
Em prova está um vinho já com 6 anos de vida, de uma colheita menos dita menos simpática (2002) mas que mesmo assim conseguiu meter cá fora vinhos de merecido destaque:

Coop Borba Garrafeira 2002
Castas: Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet - Estágio: estagiou 18 meses em tonéis de madeira exótica e barricas de carvalho americano, foi engarrafado em Abril de 2004, ficando desde então em repouso na cave durante mais 18 meses. - 13% Vol.

Tonalidade granada escuro com ligeiro laivo atijolado.

Nariz a mostrar um conjunto bastante afinado, onde conjuga notas de madeira envernizada com fruta (bagas e ameixa) em plano maduro e harmonioso, com ligeira passa e licor. De um aroma terroso, complementado por vegetal seco e especiarias, surge em segundo plano com aromas de cacau, caixa de charutos, caramelo e toque fumado de fundo, em final balsâmico.

Boca a revelar um conjunto elegante e delicado, longe de grandes concentrações e super estruturas que cada vez mais se encontram presentes noutros vinhos. Este Garrafeira, antes pelo contrário, é um vinho que se apresenta num ponto alto de consumo, a fruta madura com toque licorado, ao lado de especiarias (pimentas), tabaco e um ligeiro toque terroso. O final é de cariz vegetal seco a lembrar chá preto, colocando alguma secura num final de persistência média.

São cerca de 29.000 garrafas produzidas, a um preço que ronda os 12€ na Wine Shop da Adega Coop. de Borba. A prova que dá mostra uma espacialidade mediana, de subtil frescura e uma concentração de sabores média/baixa. Um bom vinho da Coop. de Borba mas uns furos abaixo do anterior Garrafeira.
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24 dezembro 2008

Feliz Natal

O Copo de 3, deseja a todos os leitores deste espaço e respectivas famílias, um Santo e Feliz Natal.

16 dezembro 2008

Quinta das Marias Encruzado (com barrica) 2006

Após quase 10 anos a produzir vinhos, a afirmação chegou no ano passado com o lançamento no mercado de um conjunto de vinhos onde a sua qualidade inegável, os levou a brilhar ao mais alto nível. Para os mais distraídos seria o surgir da Quinta das Marias, produtor situado no Dão, onde os 8ha de terra situados entre as margens dos rios Dão e Mondego, no meio de colinas de granito perfazem um local ideal para a produção de vinho.
O produtor Peter Eckert, tem como objectivo principal a qualidade, o aumento de produção fica fora de questão, ficando apenas e só a vontade de apurar cada vez mais a qualidade, o que de certa forma se traduz numa produção de pequena escala, permitindo numerar todas as garrafas produzidas.
Apostando essencialmente nas castas tradicionais do Dão, os seus vinhos variam entre os extremes de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Encruzado, até aos vinhos de lote como o Cuvée TT, Quinta das Marias e mais recentemente o Garrafeira.

Quinta das Marias Encruzado (com barrica) 2006
Castas: 100% Encruzado - Estágio: - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo dourado com leve toque esverdeado.

Nariz de boa intensidade com uma delicada complexidade, revelador de uma madeira presente mas muito fina e em perfeita sintonia com todo o conjunto. Sente-se ao mesmo tempo um lado fresco e maduro da fruta (tropical e citrinos) com o lado mais temperado da baunilha e de um leve amanteigado presente. O segundo plano varia entre algumas recordações de frutos secos torrados e um final de cariz mineral.

Boca a mostrar um vinho muito redondo, estrutura média, com acidez a conferir frescura suficiente ao conjunto. Harmonioso, com certa dose de untuosidade sentida, ao lado de fruta bem madura, baunilha e frutos secos, num final mineral de persistência média.

Um encruzado diferente, naquilo que perde em mineralidade e frescura, ganha claramente em arredondamento derivado da passagem por madeira. Se quando saiu para o mercado a madeira ainda teimava em relegar a fruta para um segundo plano, é neste momento com 2 anos de vida que em minha opinião o vejo em melhor forma. Está pleno de equilíbrio e dá uma prova de belo nível.
16,5

14 dezembro 2008

Quinta dos Roques Touriga Nacional 2002

Certos vinhos dispensam grandes apresentações, ou porque por si só já são uma referência obrigatória, ou porque a sua consistência como marca ao longo de mais de uma década, fazem dele um exemplo a seguir por todos os consumidores.
O Touriga Nacional da Quinta dos Roques é por si só um fiel exemplo do que foi dito anteriormente. Conquistou o coração dos consumidores, com a colheita de 1996, que viria a dar início a uma caminhada de sucesso, marcando o percurso de um dos melhores exemplares de Touriga Nacional que o Dão, e Portugal nos podem oferecer.
É dito e sabido que a colheita de 2002, não terá sido das melhores dos últimos tempos, mas curiosamente é desta mesma colheita que tem surgido grandes vinhos, tal como este Touriga Nacional da Quinta dos Roques.

Quinta dos Roques Touriga Nacional 2002
Castas: 100% Touriga Nacional - Estágio: 11 meses em barrica de carvalho francês de 225 litros, de primeiro e segundo ano - 13% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz a mostrar conjunto coeso, aprumado, mediano na intensidade com grande elegância e finura de aromas. Fruto preto (amoras, cereja) maduro acompanhado de perfume muito ténue de violetas, em conjunto com baunilha, especiarias (pimentas) e cacau. O segundo plano é envolvido em vegetal seco, alguma nota fumada, com fundo repartido entre balsâmico e mineral.

Boca com entrada que alia o fruto preto ao toque apimentado, acidez média que guia durante toda a passagem de boca, revelando pelo caminho cacau, mato rasteiro, fumo e balsâmico de fundo. Muito arredondado, harmonioso e de espacialidade mediana, dá uma prova bastante integra sem qualquer sinal de desgaste evidente, com final de boca de persistência média/alta.

Tendo provado outras colheitas do Touriga Nacional desta casa, chega-se à conclusão que este se mostra ligeiramente diferente, menos efusivo nos aromas florais, menos expansivo, mas ao mesmo tempo é um vinho muito integro e elegante, chamemos-lhe polido. Provando este Touriga quem é que diz que 2002 foi ano mau ?
17

13 dezembro 2008

Quinta dos Roques Encruzado 2007

Localizada entre Mangualde e Nelas, no lugar de Abrunhosa do Mato, a Quinta dos Roques é bem o exemplo do espírito com que está a ser edificado o novo Dão. Desde os primitivos Roques, já lá vai mais de um século, que a vinha e o vinho fazem parte do dia a dia da família Lourenço, embora durante muito tempo a produção satisfizesse pouco mais do que necessidades de consumo da casa.
No início da década de oitenta virou-se uma página na história desta quinta. A agricultura tradicional de subsistência, onde as vinhas eram cultivadas à força de braço e as uvas entregues à cooperativa de Mangualde, chegou ao fim. Em seu lugar começou a ser construído um projecto que visava a produção de vinho do Dão da mais alta qualidade. A primeira etapa deu prioridade às vinhas. Escolhidos os melhores terrenos de origem granítica e, por vezes, xistenta, situados em encostas suaves viradas a Sul, neles foram plantadas as melhores castas da região segundo as técnicas mais modernas.
Passados alguns anos, quando a produção das vinhas começou a ser consistente, foi construída a nova adega, e os primeiros vinhos nela elaborados logo mostraram que se estava no caminho certo.
Actualmente a Quinta dos Roques dispõe de quarenta hectares de vinhas modernas, cerca de 75% da área é ocupada por castas tintas, onde domina a Touriga Nacional (40%), Tinta Roriz, Alfrocheiro Preto, Jaen, Tinto Cão e Tinta Pinheira; os restantes 25% são de castas brancas, onde prevalece o Encruzo (40%), Malvasia Fina, Bical e Cercial. A informação anterior foi retirada do site do produtor.
Desde a sua primeira colheita, o Encruzado da Quinta dos Roques tem vindo a afirmar-se como um fiel exemplar da casta Encruzado, tornando-se ele próprio uma referência da sua região, como também, num dos melhores vinhos brancos que Portugal.

Quinta dos Roques Encruzado 2007
Castas: 100% Encruzado - Estágio: 65% fermenta em barricas de carvalho francês onde estagia posteriormente durante 6 meses - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de concentração média/baixa.

Nariz de boa intensidade aromática, onde fruta madura (tropical e citrinos), geleia e algum vegetal fresco, se fundem com um segundo plano marcadamente mineral. Frescura sentida, num todo bem harmonioso e elegante, sensações de baunilha e frutos secos no final.

Boca a revelar um vinho bastante elegante, envolvente e de boa complexidade, conjugando uma bela dose de acidez com fruta madura (tropical, citrinos). Mostra um segundo plano marcadamente mineral, onde a passagem que teve por madeira lhe confere ligeira sensação de tosta e frutos secos, num final de boa persistência.

Este Quinta dos Roques apresenta-se muito aprumado e com tudo no seu devido sítio. Mostra um belo nível de complexidade e profundidade, num conjunto que é uma fonte de prazer imediato, que se irá refinar com mais tempo em garrafa.
Um hino à casta Encruzado, que o coloca como um dos grandes brancos nacionais. O preço é deveras aliciante, podendo variar entre os 10/12€.
17,5

11 dezembro 2008

Quinta dos Carvalhais Colheita Seleccionada 2004

Adquirida pela Sogrape em 1989, com a adega a ser construída no ano seguinte, a Quinta dos Carvalhais é actualmente uma das principais referências dos vinhos do Dão.
Situada no Concelho de Mangualde, entre Mangualde e Nelas, a quinta compreende uma área total de 100 ha. com 50 ha. de vinha plantada e uma idade média da vinha que ronda os 10 anos.
Nas castas, as tintas ocupam 80% da área total, onde marcam presença a Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen, e os restantes 20% são completados pelas castas brancas, Encruzado, Assario, Verdelho, Bical e Cerceal.
É um estilo de vinho branco pouco comum em Portugal, digo isto porque não é normal um vinho branco sair para o mercado já com 3/4 anos, contam-se com relativa facilidade os produtores que o fazem.
Num momento em que se fala sobre o envelhecimento dos vinhos de mesa Portugueses, principalmente nos tintos, a verdade é que no panorama mais claro (branco) a coisa não é famosa e da totalidade dos brancos nacionais, são relativamente poucos aqueles que se podem vangloriar de ser de ''guarda'', como é o caso deste Quinta dos Carvalhais Colheita Seleccionada 2004 aqui provado:

Quinta dos Carvalhais Colheita Seleccionada 2004
Castas: Encruzado e Verdelho - Estágio: parte do lote estagiou cerca de 6 meses em meias pipas de carvalho francês novo, após este período, este vinho e o Verdelho foram transferidos para barricas de carvalho usadas onde estagiaram durante mais cerca de 20 meses. - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo dourado de concentração média/baixa.

Nariz a mostrar um conjunto bem harmonioso, equilibrado e com uma bela complexidade. Aroma envolvente e muito cativante, onde se nota desde logo uma grande harmonia existente entre fruta/madeira/frescura, com limão, pêssego e ananás (banhados nas sua caldas) e maçã assada com a respectiva cobertura de açúcar caramelizado. No seu plano intermédio surge vegetal, com reminiscência balsâmica a lembrar folhas verdes de eucalipto, em conjunto com especiaria doce (cravinho), a boa cremosidade que nos dá o amanteigado presente, frutos secos e um toque a lembrar o petróleo utilizado em casa, em mineralidade leve de fundo.

Boca de entrada prazenteira, a mostrar-se bom de corpo e ao mesmo tempo com uma bela dose de acidez, num todo muito harmonioso, balanceando mais uma vez a fruta madura com os toques derivados da madeira e do tempo. Sensação de cremosidade e alguma untuosidade (amanteigado) em conjunto com frutos secos torrados, e frescura que nos remete para os citrinos, flores e mineral de fundo, em final de boca longo e persistente.

É um vinho que dá bastante prazer à mesa, onde o tempo não lhe pregou nenhuma partida e consegue neste momento prometer mais uns anos de guarda imaculada. Um prazer no copo e à mesa, com evolução bastante positiva durante toda a refeição, numa produção que ronda as 6.600 garrafas a um preço aproximando dos 12€.
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04 dezembro 2008

Condado de Haza 2000

Alejandro Fernández, o aclamado maestro da Tempranillo ou também conhecido como o Sr. Pesquera, é a viva imagem de um homem que se fez a si próprio, um homem que desde criança alimentou o sonho de ter a sua própria adega e fazer grandes vinhos. Seguindo a tradição familiar, aprendeu com o seu pai, Alejandro elaborava vinho todos os anos a partir dos vinhedos familiares, mas teve de esperar até ao ano de 1972 para ter a sua própria adega, um pequeno lagar de pedra do Séc XVI, onde realizava quase todo o processo. Só passados 10 anos, é que a adega Pesquera acabaria por ter o aspecto que tem nos dias de hoje, onde o antigo lagar ainda se mantém.
Foi a meados dos anos 80 que Alejandro Fernández descobre uma ladeira abandonada nas margens do rio Duero/Douro, que segundo ele parecia reunir condições para se transformar numa das melhores vinhas da região, obviamente da casta Tempranillo a que mais gosta e domina como ninguém.
Foram precisos 3 anos de negociações com os donos para que se pudessem adquirir as ditas parcelas individuais que perfaziam a encosta. Foi em 1989 que se plantaram os primeiros 80ha, e contando nos dias de hoje com cerca de 200 ha, fazendo o nome da Quinta referência à terra próxima de seu nome Haza. A primeira vindima seria de 93, mas a primeira colheita seria em 94 sendo elaborados na adega Pesquera, e apenas em 1995 estaria completo o hoje conhecido Condado de Haza.
O grupo Pesquera inclui entre outros, El Vínculo (La Mancha), Dehesa La Granja, Pesquera e o Condado de Haza do qual se deixa a nota de prova do seu crianza 2000.

Condado de Haza 2000
Castas: 100% Tempranillo - Estágio: 18 meses em carvalho americano e 6 meses em garrafa - 14% Vol.


Tonalidade ruby escuro de média intensidade.

Nariz a mostrar desde o principio um vinho de perfil que arrisco em chamar clássico, face ao que os vinhos mais recentes da Ribera del Duero apresentam. Os 8 anos já se notam no conjunto, mostrando fina complexidade num todo bastante polido, talvez um pouco polido a mais, com a fruta vermelha bem madura embora algo diluída num toque de licor e ligeiro envernizado. O fundo é todo ele, forrado a finas madeiras, baunilha e algum couro de boa qualidade, com caramelo de leite e cacau em pó, num conjunto de fina complexidade.

Boca fina e equilibrada, ainda mostra boa dose de fruta madura com frescura bem doseada, num corpo algo delgado de concentração. Especiarias muito leves de segundo plano, com algum cacau e notas de licor. Perde-se um pouco no final de boca, em persistência média/baixa.

Sem dúvida alguma que este vinho deveria ter sido bebido nos seus primeiros anos de vida, ainda assim deu uma prova satisfatória. O que perdeu em força conseguiu ganhar em finesse, embora se mostre um pouco desgastado principalmente na prova de boca, com a fruta pouco dialogante e a acidez a não acompanhar durante toda a passagem de boca. É um vinho que na mais recente colheita deverá andar na casa dos 8-10€ e acompanha muito bem carnes vermelhas na grelha. O trabalho a nível de madeiras nos vinhos deste grupo é sem dúvida notável.
15,5

Dona Maria Amantis 2004

Amantis, do latim "quem ama", em honra do amor de D. João V dispensou a Dona Maria, cortesã por quem o rei se apaixonou e a quem ofereceu a Quinta nos arredores de Estremoz.
A casa apalaçada do Séc. XVIII é hoje um ponto de referência, não só pela sua beleza como também pela sua história e qualidade dos vinhos que produz.
"Trata-se da melhor e mais bela casa de campo da região, conservada nas linhas originais de arquitectura Barroca e Joanina..." (Inventário Artístico de Évora)
O seu interior é rico em azulejos da época de D. João V, e o mármore, típico da região, encontra-se também um pouco por todo lado.
Segundo conta a história, a Quinta foi adquirida em tempos por D. João V para oferecer a uma cortesã, D. Maria, por quem estava perdidamente apaixonado. Foi essa cortesã que deu o nome à Quinta e ao vinho nela actualmente produzido.
Hoje em dia a Quinta é conhecida como Quinta do Carmo, pois numa época posterior à edificação da casa, construiu-se uma capela datada de 1752, que foi dedicada e consagrada a Nossa Senhora do Carmo.
Com a enologia a cargo de Sandra Gonçalves, saiu a primeira colheita do Amantis aqui em prova:

Dona Maria Amantis 2004
Castas: Syrah (30%), Petit Verdot (30%), Cabernet Sauvignon (30%) e Touriga Nacional (10%) - Estágio: n/d - 14,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz a mostrar um conjunto que foge claramente ao ''normal'' da região, qual amante mostra-se bem sedutor e aventureiro, capaz de prender a atenção e cativar quem prova. Na boa complexidade que apresenta, marca presença uma fruta de grande qualidade na sua vertente mais silvestre, como se de uma cesta inteira tivessemos à frente, ao lado de uma componente balsâmica (eucalipto), cacau morno, especiarias doces (cravinho) e toque de baunilha que lhe amaina o espírito e confere sensação de cremosidade ao conjunto.

Boca apresenta um vinho bem estruturado e muito harmonioso, boa espacialidade e dose de frescura que o acompanha. É elegante e muito fino no trato, sensações de cremosidade mais uma vez presentes com as especiarias no segundo plano e a componente balsâmica a completar o final de boca, de boa persistência.

Um vinho num ponto alto de consumo, tudo no seu devido sítio, consegue dar bastante prazer durante a sua prova, aguenta-se bem durante toda uma refeição sem que os seus imponentes e cada vez mais costumeiros (14,5% Vol.) se façam notar. Claramente com um perfil menos Alentejano e bem mais internacional, consegue apesar disso mostrar um cunho bem pessoal, sem que fiquemos com a sensação de já ter provado semelhante. Foram 16.500 garrafas que saíram a um preço entre os 14-17€
16,5

03 dezembro 2008

Quinta das Marias Cuvée TT 2005

Este vinho não é uma novidade e quem estiver a ler irá dizer que já se encontra uma nova colheita no mercado. A razão que me levou a colocar apenas nesta altura a devida nota de prova, deve-se apenas e só ao que provando nesta altura, posso avaliar a evolução após ter passado quase um ano desde o seu lançamento. Podia ter colocado uma nota de prova muito antes, mas esse trabalho já tinha sido realizado, e bem, por outros blogs, aqui e aqui.
Assim sendo, tento desta forma criar dentro do possível uma harmonia entre os vários blogs que se vão mantendo actualizados, e que de certa forma se complementam uns aos outros, visto que sobre este vinho podem ser encontradas notas de prova desde o seu lançamento em 2007, prova em inícios de 2008 e agora aqui novamente em final do ano.

Quinta das Marias Cuvée TT 2005
Castas: Tinta Roriz (60%) e Touriga Nacional (40%) - Estágio: 12 meses em barricas de carvalho francês e americano - 14,5% Vol.

Tonalidade ruby bem escuro de concentração alta.

Nariz de intensidade média, mostrando desde logo umas notas de baunilha com tosta ligeira a acompanhar fruta vermelha (amora, morango) bem madura e fresca. Transmite claramente uma sensação de arredondamento em todo o seu conjunto, com notas florais (violetas) a marcar presença tal como algumas notas de coco, chocolate preto, caramelo de leite e especiaria doce (cravinho). No fundo tem parecer balsâmico em companhia de mineral, num conjunto onde se sente o perfeito entendimento das duas castas, juntamente com as notas derivadas da passagem por madeira.

Boca que nos indica um vinho de estrutura mediana, macio e bem afinado de corpo. Harmonia sentida entre fruta vermelha e a madeira (tosta, caramelo, especiaria, chocolate preto), em bom seguimento da prova de nariz e com uma frescura bem presente. O fundo mostra um ligeiro balsâmico que se dilui em notas de mineral, com final de boca de persistência média.

Pertence claramente à nova vaga de vinhos do Dão, mais moderno nos seus atributos e de certa forma a apresentar-se de uma maneira mais fácil de agradar a um alargado leque de consumidores. O preço ronda os 18€ e das 4320 garrafas coube a esta o nº0205.
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Olho de Mocho Reserva Tinto 2004

Olho de Mocho Reserva Tinto 2004
Castas: Syrah e Aragonês - Estágio: 9 meses em barricas novas carvalho francês 'Allier' (60%) e americano (40%) - 13% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz de boa intensidade, destacando-se muito por um aroma distinto, fresco e algo sedutor, num conjunto que alguns chamam de ''feminino'', mostrando-se com madeiras finas que transmitem baunilha fina, cacau em pó e fruta vermelha bem madura com alguma compota. Floral a perfumar o conjunto com segundo plano a mostrar vegetal fresco, com especiaria de fundo e algum balsâmico. Conjunto harmonioso e muito sedutor, prazenteiro onde se sente a fruta bem fresca com uma madeira fina muito bem integrada.

Boca de entrada bem estruturada, balsâmico presente com boa frescura presente, bom na espacialidade com a fruta fresca a marcar a passagem de boca. Tudo muito equilibrado entre fruta a barrica, leve sensação de cremosidade num conjunto de belo efeito, em final de persistência mediana.

Este foi o primeiro Reserva lançado no mercado por este recente produtor Alentejano. Projecto auspicioso, muito bem pensado e com grande rigor na apresentação dos seus vinhos, desde as fichas técnicas aos prospectos. O preço recomendado é de 18€
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02 dezembro 2008

Quinta das Tecedeiras Reserva 2003

A Quinta da Teixeira Velha, localiza-se na região do Cima-Corgo, em Ervedosa do Douro no concelho de São João da Pesqueira, era o nome pelo qual a quinta era conhecida até ao final do século XIX, altura em que adoptou o nome de Quinta das Tecedeiras. O nome remonta ao passado quando a quinta esteve na presença do condado de S. Pedro das Águias e por tal habitada por freiras e monges. Nesse tempo o cultivo do linho era o produto mais rentável, que tecido pelas freiras (tecedeiras) garantia o sustento da comunidade.
Nos dias de hoje, a Quinta conta com uma totalidade de 66ha onde 15ha são de vinha (100% castas tintas), onde 5 ha tem mais dde 80 anos (com mistura de castas, Tinta Amarela, Tinta Roriz, Touriga Nacional Souzão, Rufete, Touriga Franca e Tinto Cão) e os outros 10 ha vinha com 20 anos de idade, estando a ser plantados mais quatro, mantendo o encepamento já existente. A primeira vindima foi feita em 2001, na antiga adega entretanto reformulada respeitando e aproveitando as infra-estruturas aí existentes.
Na foto do lado temos a flor que aparece no rótulo, nada mais que a flor do linho.

Quinta das Tecedeiras Reserva 2003 Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Barroca, Tinta Amarela. - Estágio: fermentação maloláctica decorreu em barricas de carvalho francês, aí permanecendo 10 meses. - 14% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz com aroma de bela intensidade, parece querer mostrar ao início umas ligeiras notas químicas que se dissipam rapidamente, mostrando um conjunto de fino recorte e de bela complexidade, onde aromas vegetais a recordar o aroma da esteva e da carqueja, se juntam a uma fruta bem madura (cereja, groselha) com ligeira compota presente. Complementa-se com o travo das especiarias (cravinho, pimentas) entrelaçado na ligeira brisa floral (violetas), denotando uma barrica muito bem acomodada, diga-se de passagem que se mostra de enorme elegância, aportando notas de baunilha, cacau e algum café moído, recordando novamente a sensação morna e de alguma cremosidade presente no mocaccino, com todo o seu consequente envolvimento no restante conjunto, num final fresco que consegue juntar um ligeiro toque balsâmico.

Boca de estrutura bastante harmoniosa, frescura presente durante a prova numa toada ligeira mas mais que suficiente, num todo que se mostra com fruta (groselha, amora, cereja) bem presente. Envolvendo-se o conjunto com notas de especiaria, mocaccino aqui também bem presente aportando as sensações de cremosidade, tal como na prova de nariz. A passagem de boca é bastante afinada e de bela espacialidade, com taninos bem comportados em fundo de recordação balsâmica, com final de persistência média/alta.

Com a produção a rondar as 6.000 garrafas e um preço a rondar os 20-25€, grandiosa relação preço/qualidade diga-se de passagem, fazem deste vinho uma aposta mais que obrigatória, fonte de prazer assegurado enquanto novo ou mesmo após tirar umas férias na nossa garrafeira. Assumidamente este é um dos meus vinhos de eleição, e é pena que fique muitas vezes afastado das mesmas luzes da ribalta que outros vinhos, assumidamente mais caros, têm costantemente direito.
17,5

01 dezembro 2008

Soalheiro Alvarinho 2007

Soalheiro Alvarinho 2007
Castas: 100% Alvarinho - Estágio: n/d - 12,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de laivo esverdeado

Nariz a mostrar uma belíssima intensidade, limpo e com belo lote de fruta madura presente, desde os citrinos (toranja, limão) que ganham algum destaque em todo o conjunto, com ligeiro pêssego e tropical, num todo que mostra uma enorme finura no trato. Intercalando com o que já foi dito, surgem notas de vegetal fresco (relva recém cortada) e uma bem presente mineralidade em fundo.

Boca a mostrar um conjunto bastante afinado, com fruta madura na sua veia mais tropical, banhada por uma uma frescura/acidez citrina que lhe confere uma belíssima vivacidade durante toda a passagem de boca. Por momentos dá a sensação de ligeira untuosidade na boca, como que a interligar todos os detalhes que nos vai mostrando, complementando-se ainda com um suave vegetal fresco em fundo mineral, num final longo e de boa persistência.

O vinho Soalheiro, foi o primeiro vinho verde feito a partir da casta Alvarinho a surgir em Melgaço. Deste então, já lá vão 26 anos, tem vindo a afirmar-se como uma das grandes referências nacionais no que toca a vinhos brancos de grande qualidade.
É um vinho que dá uma prova de altíssimo nível quando novo, mas que não vira cara a uns anos de cave onde irá desenvolver outros níveis de complexidade. Com um preço que ronda os 8€ numa grande superfície comercial , é um vinho a não perder.
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