Copo de 3: Guitian Fermentado em Barrica 2006

11 março 2009

Guitian Fermentado em Barrica 2006

A familia Guitian, foi uma das pioneiras no que toca à aposta na casta Godello, uma casta que diga-se de passagem estava à beira do esquecimento, e que hoje em dia graças ao esforço de alguns produtores, brilha em mesas de todo o mundo.

É no município de Rubiá de Valdeorras (Ourense), que Ramón Guitian e José Hidalgo, compraram a Finca ''La Tapada'', situada a uns 550 metros de altitude sobre o nível do mar, e depois cultivaram em 1985, a variedade godello, após escolha criteriosa de um clone de maneira a obter a melhor qualidade possível. A adega é construída no mesmo local, em meados dos anos 90, e viria a dar o nome ao produtor, Bodegas La Tapada, embora seja mais conhecido como Guitian.

Situada na Denominação de Origem de Valdeorras que ocupa parte dos vales dos rios Sil e Jares, no Nordeste da província de Ourense, uma região menos húmida que o resto da Galiza, onde se combinam as influências Atlânticas com os ares Continentais, resultando um todo bastante propicio para o bom desempenho de duas das castas que mais alvoroço têm criado junto dos enófilos mais atentos, falo da branca Godello e da tinta Mencia.

Nos vinhos brancos deste produtor, a passagem por madeira é feita em carvalho americano do Missouri, com batonnage e um estágio aproximado de 6 meses. Na altura da vindima, pouco mais de 1 ha fica sem vindimar à espera do ataque da botrytis cinerea, do qual o mosto resultante integra o estágio em barrica, perfazendo aproximadamente 8 a 10% do total do lote final. Depois de fermentados, os vinhos são filtrados e estabilizados a frio. A colheita inicial foi em 1992, e desde então a fama tem rodeado todos os vinhos produzidos nesta casa, sendo este para muitos o grande branco de Valdeorras.

Guitian Fermentado em Barrica 2006
Castas: 100% Godello - Estágio: fermentação em barrica nova de carvalho americano e posterior estágio de 10 meses sur lie, e posterior envelhecimento em garrafa - 12% Vol.

Tonalidade amarelo palha dourado, de média intensidade com ligeiro esverdeado.

Nariz bem cheiroso, deita cá para fora muitas sensações de fruta fresca bem madura (pêssego, lima, limão, pêra, melão) ao lado de muita flor e erva aromática, quase que num clima primaveril. Imagine-se um campo em plena primavera, onde depois de um curto aguaceiro aparece o sol morno (aqui entra a baunilha e um ou outro torrado da madeira, o toque meloso e alguma calda da fruta que dele fazem parte, embora tudo isto muito bem entrosado com todo o conjunto) a despertar os aromas a flores e a ervas de cheiro, com aquele toque mineral em fundo, dado pelo solo molhado. A despedida é feita mais uma vez em redor da fruta, neste caso de um pêssego bem maduro a que damos uma valente dentada, enquanto o sol nos bate na cara.

Boca de corpo médio, boa acidez presente a conferir uma boa dose de frescura, passagem de boca com boa intensidade. Complementa-se muito bem com toda a prova de nariz, quer a nível da fruta, da frescura da mesma, da sensação de geleia a meio palato, da madeira bem integrada e que lhe confere um notável arredondamento, direi mesmo uma sensação de cremosidade suave que o torna fresco, roliço e sedutor. O final é mais uma vez dedicado à fruta bem madura e mais uma vez bem presente, numa bela persistência final.

Embora seja um belíssimo vinho, não o encontrei tão bom como por exemplo o exemplar de 2003, como resultado óbvio a nota ser um pouco inferior. Um vinho que se pode beber agora ou pode deixar a dormir durante vários anos sem muito problema, tem argumentos suficientes para tal. Direi que dentro de mais dois anos estará a entrar no seu topo de forma. Ganha claramente com algum tempo de decantação, dei-lhe meia hora para se espreguiçar, acompanhando bem de perto o seu acordar. O preço ronda os 18€.
16,5

6 comentários:

Miguel Pereira disse...

Curioso o facto daquele ha esperar pelo fungo e o mosto ser para juntar ao vinho em barrica. Nunca tinha visto.
Onde se arranja esta maravilha?

DonVoxx disse...

Tenho uma enorme inveja de Vossa Excelência. Ter estes nectares de baco aí logo ao lado, e nós, aqui, pobres ilheus, dependentes de 1/2 duzia de escroques que para cá só importam aquilo que lhes enche os bolsos, pois a maioria deles de vinhos pouco sabe para além de serem tintos, brancos ou verdes. E pior ainda com esta história de não se poder trazer liquidos a bordo dos Aviões, já nem as minhas 3 garrafinhas da praxe posso trazer.

Copo de 3 disse...

Miguel, esse pequeno detalhe, faz com que o vinho fique qualquer coisa de singular e ao mesmo tempo dê uma prova como referi, fresco, roliço e sedutor.

Não sei se por Portugal o encontras, tenho as minhas dúvidas. O melhor é procurar ou numa loja online tipo Vinissimus, ou Corte Ingles Badajoz assim mais perto.

Copo de 3 disse...

DonVoxx , como compreendo essa angústia, que eu já em Portugal para arranjar vinhos que quero estrangeiros, ou me tenho de vergar a uns quantos chupistas ou simplesmente fico sem os poder beber.

Também entendo o que me diz, pois o facto de ser do Alentejo, por lá a grande maioria dos vinhos mais cobiçados, fazem parte apenas das Revistas.

Abílio Neto disse...

Grande vinho! Totalmente diferente do godello da Sara Perez, o La Pena, que bebemos na YH.

Já provaste o Erebro, menos complexo e menos ambicioso...? Muito frescura, muito nariz natural e longuissimo.

Abr.,

An

PS: Já te dou notícias sobre os finos e manzanillas...

Copo de 3 disse...

Esse Erebro, nome porreiro, é o filho do Caos :), tenho apontado faz tempo e ainda não o consegui encontrar. Ando com os olhos noutras coisas, tu sabes...

Mas por acaso esse de que me falas não será mais ao estilo do Galiciano Día ?

Sobre este e o La Pena, digo que neste caso a escola é outra.

 
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