Copo de 3: Comenda Grande Reserva 2004

21 Maio 2009

Comenda Grande Reserva 2004

Comenda: benefício que antigamente era concedido a eclesiásticos e a cavaleiros de ordens militares (Ordem de Malta, Templários...), mas que actualmente costuma designar apenas uma distinção puramente honorífica. No passado, podia remeter ainda a uma porção de terra doada oficialmente como recompensa por serviços prestados, ficando o beneficiado com a obrigação de defendê-la de malfeitores e inimigos.

A Comenda que venho novamente destacar, situa-se perto de Arraiolos, vila famosa pelos seus magníficos tapetes, e pelas deliciosas empadas, mas também nos dias que correm pela qualidade dos vinhos que vê nascer, vinhos que dignificam a terra e as gentes, mas é mais propriamente em Vale do Pereiro, que se encontra o Monte da Comenda Grande de onde saem os vinhos Comenda Grande, nos cerca de 30 ha reinam nas castas tintas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Syrah, Alfrocheiro e Tinta Caiada, e nas castas brancas: Antão Vaz, Arinto e Verdelho.
Depois de já aqui se ter provado toda a gama de vinhos produzidos pelo Monte da Comenda Grande, chega a altura de colocar em prova o primeiro topo de gama desta casa, o Reserva 2004:

Comenda Grande Reserva 2004
Castas: Alicante Bouschet (60%) e Trincadeira (40%). - Estágio: 18 meses em Tonéis novos de 1.000 Litros de Carvalho Francês e 8 meses em garrafa. - 15% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração alta.

Nariz perfilado às terras do Alentejo, fruta muito madura e de qualidade, morango, framboesa e ameixa, com vários toques compotados na companhia de especiarias doces (canela, cravinho) a contribuírem para uma fina dose de complexidade. É num travo morno, que a madeira ampara o conjunto, baunilha, tosta e cacau, disfarçando no final com toque de bálsamo vegetal, conferindo ligeira sensação de frescura, sem que os 15% incomodem muito.

Boca a apresentar-se corpolento e de boa espacialidade, fruta madura ao nível da prova de nariz. Sabe a tarte de framboesa e chocolate, com toques de canela pelo meio, e por cima tem uma pequenina folha de hortelã, que ao trincar dá uma sensação de frescura e ao mesmo tempo de bálsamo vegetal. Tudo isto a juntar com o chocolate, a fruta e os toques tostados da massa, num todo muito equilibrado e de boa persistência final.

Pede bons copos e uma prévia decantação para melhor se mostrar, ainda que vai ganhar bastante com o tempo de garrafa, por isso é deixar esquecido durante mais 2/4 anos que a recompensa será ainda melhor e maior. De resto a prova que dá de momento aponta para um perfil de fácil agrado, ainda que entroncado e ainda um pouco reservado, com preço a rondar os 17€.
16,5

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