Copo de 3: Janeiro 2009

30 janeiro 2009

Comenda Grande Polémico 2005

Comenda Grande Polémico 2005
Castas: Cabernet Sauvignon e Syrah - Estágio: 12 meses em carvalho francês Allier e 12 meses em garrafa - 14% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média.

Nariz onde antes de mais apresenta ligeiro aroma ''animal'', um aroma ligeiro e pequeno, mais um poney que propriamente um cavalo, tudo isto passageiro após ligeira decantação. Centrando as atenções novamente no vinho, fruta madura com ligeira austeridade vegetal se assim se pode dizer, nas vertentes de pimento verde, mato serrano e boa dose de especiaria (pimentas). No segundo plano remete para notas fumadas, algumas a lembrar esteva queimada, com ligeiro toque balsâmico no final.

Boca bem estruturada, corpo largo, com frescura embutida num conjunto desengonçado onde por um lado surge couro, por outro lado temos um grande pimento verde que deambula com um saco de cerejas apimentadas debaixo do braço. É esse vegetal que marca a passagem, tropeçando por aqui e por ali, colocando uma ligeira secura vegetal que marca o adeus de boca, de mediana persistência.

Este vinho que não deixa de ser polémico, principalmente pela sua maneira de ser, mostrou-se dentro das memórias, abaixo da sua primeira versão. Supostamente seria para dar prazer, e até o consegue dar mas de maneira abrupta e sem grande elegância.
14,5

28 janeiro 2009

Soalheiro 2008

Soalheiro Alvarinho 2008
Castas: 100% Alvarinho - Estágio: n/d - 12,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de laivo esverdeado

Nariz a mostrar uma bela intensidade, limpo e com notas de vegetal fresco (relva, rama, cidreira) a marcar presença ao lado de uma componente mineral (pederneira). A fruta sumarenta e de grande qualidade, apresenta-se em boa dose, variando pelos citrinos (lima, limão) que ganham algum destaque na cesta, pêssego e fruta de polpa branca, com ligeira geleia das mesmas, num todo que demonstra uma enorme finura.

Boca a mostrar um conjunto bastante elegante, com uma acidez vivaz e muito bem colocada, permitindo uma passagem de boca muito refrescante, embalada na polpa da fruta bem madura nas vertentes (meloa, pêssego, limão). Por momentos é a componente mais mineral que toma conta da viagem, como que a interligar todos os detalhes que o vinho nos tem a mostrar, complementando-se ainda com um vegetal fresco, em final longo e de bela persistência.

O vinho Soalheiro, foi o primeiro vinho verde feito a partir da casta Alvarinho a surgir em Melgaço. Afirma-se ano após ano, como uma das grandes referências nacionais no que toca a vinhos brancos de grande qualidade.
É um vinho que dá uma prova de grande nível quando novo, mas que não vira cara a uns anos de cave onde irá desenvolver outros níveis de complexidade. Com um preço que ronda os 8€ numa grande superfície comercial, é um vinho a não perder.
17

11 janeiro 2009

Comenda Grande branco 2007

Comenda Grande branco 2007
Castas: Antão Vaz, Arinto e Verdelho - Estágio: Inox - 14% Vol.

Tonalidade amarelo citrino com leve reflexo dourado.

Nariz de média intensidade, fresco e frutado, variando entre citrinos, tropical, frutos de polpa branca, apresenta também alguma fruta cosida. Embrulhando todo o conjunto, surge vegetal fresco (talos cortados) com nuances florais algo distantes, em fundo mineral.

Boca de entrada fresca e bom de corpo (estruturado), fruta ao nível do nariz e bem presente com grande predominância de citrinos, ligeiramente acidulado. Frio e sóbrio na passagem de boca, com dose de moderada alegria, despede-se em final de travo vegetal fresco e mineralidade, persistência final mediana.

Ligeiramente diferente da primeira colheita aqui provada, talvez fruto do ano, o vinho mostra-se mais presente em boca que no nariz. Apesar disso, parece que o peso do álcool era algo que não lhe fazia falta, os 14% mostram-se desnecessários. Dá uma prova agradável, num preço que ronda os 5€.
14,5

10 janeiro 2009

Comenda Grande 2005

Comenda Grande 2005
Castas: Predominância de Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, com Syrah, Tinta Caiada, Alfrocheiro e Cabernet Sauvignon - Estágio: 12 meses em barricas novas de carvalho com 6 meses estágio em garrafa - 14% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média.

Nariz a mostrar-se de média intensidade, num despertar de fruta madura (ameixa, morango e amora) em brisa morna que acarinha o conjunto que denota uma delicada complexidade, harmonioso nas notas de baunilha e tosta, de uma barrica bem integrada sem tirar protagonismo à fruta, madura e fresca. Com tempo no copo, surge cacau, uma pitada de especiarias, vegetal fresco e fumado ligeiro.

Boca com corpo mediano e a mostrar harmonioso, com entrada frutada e frescura presente durante toda a passagem de boca. Mostra-se num segundo plano com ligeiro vegetal fresco, especiaria, fumo e algum cacau, equilibrado e prazenteiro, em final de boca de média persistência, mostrando-se em sintonia com a prova de nariz.

É uma escolha acertada para consumo diário com boa qualidade, mostrando-se mais fresco, com maior domínio do plano vegetal e um pouco menos participativo no que toca à anterior colheita. Dá desde já uma prova bastante satisfatória, podendo ser guardado não irá melhorar substancialmente. O preço ronda os 8€.
15

07 janeiro 2009

Quinta da Vegia Reserva 2005

A Casa de Cello é uma empresa familiar que se dedica à exploração vitícola das suas quintas há 4 gerações.
Foi nos anos 80 que um dos seus proprietários, João Pedro d´Araujo, deu inicio à profissionalização da actividade da Casa de Cello. Reorganizou a estrutura existente com o objectivo de implementar as melhores tecnologias vitícolas e enológicas, de forma a potenciar a expressão dos seus ''terroirs'' nos vinhos.
Da Casa de Cello fazem parte duas quintas, a Quinta de Sanjoanne (Entre-Douro e Minho) e a Quinta da Vegia, situada próximo junto da encantadora e histórica vila de Penalva do Castelo, na excelente Região Demarcada dos Vinhos do Dão.
Foi adquirida em 1999 em completo estado de abandono, conta actualmente com 60ha, dos quais 20ha são de vinha onde despontam as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinto Cão e Trincadeira Preta, que dão origem aos vinhos Porta Fronha, Quinta da Vegia e Quinta da Vegia Reserva.

Quinta da Vegia Reserva 2005
Castas: Touriga Nacional e Tinta Roriz - Estágio: 5meses em barrica com 15 meses em garrafa - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz a mostrar uma belíssima intensidade, um vinho que de momento remete para o primeiro plano toda a frescura das notas mentoladas com floral (violetas), amparado numa boa dose de fruta (groselha preta, cereja) muito limpa e de grande qualidade.
A madeira mostra-se plenamente integrada no conjunto, invocando toque fumado/tosta, especiarias, ligeiro cacau e caramelo de leite. Encerra divagando num leve vegetal seco a recordar chá preto.

Boca de entrada frutada e fresca, de estrutura média, em grande sintonia com a prova de nariz. A fruta mistura-se com cacau ligeiro, especiaria doce, caramelo e balsâmico, tudo isto com uma acidez bem doseada que permite uma passagem de boca muito harmoniosa e prazenteira. Lá no fundo parece assente em ligeira mineralidade, num final de boca de bela persistência.

Os vinhos do Dão estão cada vez mais na moda, aquela região que parecia adormecida está agora bem acordada, o trabalho que tem sido desenvolvido por parte dos produtores tem sido louvável e merecedor de um enorme elogio. São vinhos como este Quinta da Vegia Reserva, que representam o que de melhor se faz naquela região, onde a sedutora elegância e frescura, associados a uma cativadora exuberância aromática, fazem as delícias de quem os bebe. Este Reserva pela prova que deu, pode ser consumido desde já, mas pode também ser guardado por mais uns anos para refinar o seu bouquet. Preço a rondar os 25€.
17

06 janeiro 2009

Quinta dos Carvalhais Reserva 2002

Situada no Concelho de Mangualde, entre Mangualde e Nelas, a Quinta dos Carvalhais (adquirida pela Sogrape em 1989 e com adega a ser construída em 1990) compreende uma área total de 100 ha, com 50 ha de vinha plantada, numa idade média de 10 anos. As castas tintas ocupam 80% (Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen) e brancas 20% (Encruzado, Assario, Verdelho, Bical, Cerceal), sendo a equipa de enologia, liderada pelo enólogo Manuel Vieira.
Fruto da colheita de 1996, iria nascer aquele que era esperado ser o ''Barca Velha'' do Dão, o Quinta dos Carvalhais Reserva. Em prova a sua versão 2002.

Quinta dos Carvalhais Reserva 2002
Castas: Tinta Roriz (60%) e Touriga Nacional (40%) - Estágio: estágio e maturação em barricas de carvalho novo francês (à excepção de 15% de Tinta Roriz que estagiou em americano) durante cerca de 12 meses, com mais ano e meio em garrafa - 13% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média.

Nariz apresenta-se elegante e de bouquet bem composto, a cheirar a cereja, amora e ameixa, tudo maduro e com ligeira sensação licorada, em conjunto com uma boa dose de frescura, acompanhada por uma ligeira brisa floral (violetas). No segundo plano é todo ele envolto em notas de vegetal seco (chá preto, folha tabaco), mato rasteiro, alguma que outra nota terrosa, musgo, cacau, isto tudo muito afinado e mostrando uma plena harmonia entre madeiras/fruta.

Boca a dizer que estamos perante um vinho que joga tudo no campo da elegância, com uma frescura muito bem doseada e que parece suportar muito bem todo o conjunto, onde a fruta se mostra bem presente, ao lado de especiaria (pimenta), cacau, tabaco e mais uma vez a mostrar-se uma grande sintonia com a prova de nariz. Na sua espacialidade média, o vinho mostra-se sedutor e goza de bastante saúde, sendo o final de boca de persistência média/alta.

Como foi referido anteriormente, o vinho dá uma prova muito interessante nesta altura da sua vida, já leva 6 anos e dá sinais de querer andar por cá mais uns tempos. É um belíssimo exemplar do Dão, pleno de harmonia e frescura, onde o frio da fruta que veio da serra se mistura com o aconchego morno das barricas, onde a passagem de boca se mostra aveludada e com bastante elegância, ou não fosse esta a imagem de marca dos vinhos do Dão.
Uma produção de 17.000 garrafas com preço a rondar os 27€ numa boa garrafeira.
17

05 janeiro 2009

Esporão Reserva 2002

Os vinhos da Herdade do Esporão (Reguengos de Monsaraz) desde o seu aparecimento no mercado, umas referências mais que outras, sempre fizeram parte da mesa lá em casa. Fiquei acostumado a ver aqueles rótulos coloridos que mudavam de ano para ano, era engraçado e ficava sempre com aquela curiosidade de ver como seria o rótulo do próximo ano. Foi com este entusiasmo que com o passar do tempo fui assistindo ao lançamento de novas marcas e com óbvia tristeza e saudade, me despedi de outras onde destaco o monocasta de Cabernet Sauvignon.
Verdade seja dita, é daqueles produtores que consegue ter sempre uma enorme consistência na qualidade dos seus vinhos, colheita após colheita, e o grande exemplo disso é o Reserva (seja na versão tinto ou branco). Talvez pelo motivo que acabei de dizer, encaro o Esporão Reserva como o vinho mais emblemático deste produtor, e que por sua vez melhor o representa, sendo que nas minhas memórias mais recentes ficaram vinhos como os Reserva de 1996 , 1997 ou 1999.
Nos dias de hoje e com o surgimento de novos produtores e novos vinhos a eles associados, o afastamento aos Reserva do Esporão foi-se tornando maior, pelo que volto às provas desta vez com o Reserva da colheita de 2002 em formato Magnum (1,5L)

Esporão Reserva 2002
Castas: Trincadeira, Aragonês e Cabernet Sauvignon - Estágio: 12 meses em carvalho Americano, seguido de 12 meses em garrafa - 14% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração mediana.

Nariz pouco expressivo, com a fruta a sentir-se madura mas algo pálida e apática, linha de frescura que percorre os recantos de cariz vegetal, a recordar um ramo de cheiros seco, alguma cera de móvel com toque de folha de tabaco em fundo. A mediana complexidade que apresentou não lhe permitiu grandes exibições, entrando em estagnação a meio da refeição.

Boca um pouco melhor que a prova de nariz, a revelar-se com mediana espacialidade, mostrando-se um conjunto de presença moderada. A fruta presente em completo entendimento com a madeira, num conjunto que se mostra bastante polido e com algum desgaste dado pelo tempo. O segundo plano é de cariz vegetal, com alguma secura num final de persistência média/baixa.

É uma verdade que a colheita de 2002 não foi propriamente das que melhor memória vai deixar, alguns até nem querem falar dela qual colheita maldita, isto apesar de alguns dos vinhos de 2002 serem fabulosos.
Mas tal não se passou com este Reserva, o vinho já passou a sua melhor forma e caminha para a despedida, mostrando-se longe dos encantos a que outros Reservas me tinham acostumado.
14,5

02 janeiro 2009

Herdade das Servas Syrah/Touriga Nacional 2005

De bem perto de Estremoz, na Herdade das Servas, resultante de um lote de duas das mais importantes castas a nível mundial (Syrah e Touriga Nacional), saiu faz algum tempo para o mercado o Herdade das Servas Syrah/Touriga Nacional da colheita de 2005.
Um lote que antes de ser montado, o enólogo da casa Tiago Garcia tornou possível que no evento Vinum Callipole fossem provadas as duas castas a solo, onde a Syrah viria a ser alvo de enormes elogios por parte dos provadores, pairando na altura uma dose de esperança que dali fosse sair o primeiro Syrah da Herdade das Servas (o que não veio a acontecer).

Herdade das Servas Syrah/Touriga Nacional 2005
Castas: Syrah (70%) e Touriga Nacional (30%) - Estágio: 12 meses em carvalho francês e americano - 14,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz onde se sente um conjunto com boa dose de frescura, despertando uma leve brisa floral dando passagem para uma boa dose de fruta madura (framboesa, amoras) e ligeira geleia das mesmas. Complementa-se com especiarias (pimenta, cravinho), baunilha, torrado das madeiras, cacau, e um toque de vegetal fresco de fundo. É um conjunto onde se pode encontrar um bom entendimento entre Syrah e Touriga Nacional, resultante num vinho bastante atractivo.

Boca de entrada elegante com bela estrutura, fruta fresca e bastante presente ao lado de alguma geleia a fazer-se sentir juntamente a tosta e especiaria. Os taninos mostram-se cooperantes, embora alguns ainda por acomodar, num toque de harmonia que engloba todo o conjunto. O final de boca mostra-se de boa persistência.

É um vinho fácil de se gostar, conjugando tudo de maneira a que agrade a um leque bastante alargado de consumidores. Foram produzidas cerca de 6.600 garrafas com preço a rondar os 15€, encontrando-se esgotado no produtor, revelador da enorme aceitação por parte do público. Ainda com tempo pela frente é uma aposta segura tal como os restantes vinhos deste produtor.
16

01 janeiro 2009

Brindemos a 2009

O ano de 2008 chegou ao fim como todas as coisas chegam ao fim do seu ciclo, fechou portas e deu lugar a um novo 2009 cheio de vida pela frente, é nesta altura em que este projecto caminha para o seu quarto ano de vida que se deve fazer um pequeno balanço do ano que passou.

Foi no geral um ano bem positivo para o Copo de 3, quer a nível de visitas quer a nível de participação por parte de quem visita, completando-se assim mais um ano de vida cheio de vivacidade.

Os eventos foram uma forte componente durante todo o 2008, passando pela magnífica Niepoort-Magnum Party, ao Taste in Ribatejo by Quinta do Alqueve, Dão Century Party, Encontro Vinho & Sabores e Gosto de Lisboa, Douro e Porto Wine Show...

Foi também um ano em que surge a partir de um grupo de amigos, com gosto pela boa mesa e pelo bom vinho, a Prova Capital, grupo do qual faço parte com muito gosto e que tem proporcionado grandes momentos de convívio.

No que toca a vinhos, a destacar necessariamente o nível qualitativo dos brancos produzidos a partir da fenomenal colheita de 2007. É curioso verificar que são os brancos feitos a partir das castas nacionais, aqueles que mais brilham nos dias de hoje, desde o Alvarinho, Encruzado, Bical, Antão Vaz, Arinto, Rabigato...
Neste plano de castas brancas, assistimos a um surgimento de Colheita Tardia por toda a parte, qual invasão de docinhos que atenta a uma ''nova moda'' eis que fez a vontade ao guloso do consumidor, pena que os preços em alguns dos casos ultrapassem a qualidade daquilo que encerram.
No plano ''dark side'' ou seja no tinto, a colheita 2006 que é a responsável pelos últimos topos de gama no mercado, revelou vinhos um pouco abaixo do que nos tinham acostumado. Curiosamente nem com uma colheita mais fraca, o topo de gama se deixa ficar em casa, ou o seu preço sai inferior ao normal.

O tempo urge e os vinhos em lista de espera começam a reclamar, pelo que me resta desejar a todos aqueles que visitam o Copo de 3, um BOM 2009
 
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