Copo de 3: Junho 2009

24 junho 2009

Niepoort Vintage 2007

Em prova coloco uma novidade, quem anda atento a estas "coisas" do vinho, saberá certamente que o mais recente Porto Vintage da Niepoort já está no mercado e foi alvo de prova em variados sítios da blogosfera nacional.
Optei deste modo por deixar de fazer a respectiva apresentação, pois sem dúvida será bem mais interessante ouvir essas palavras ditas pelo próprio Dirk Niepoort:




Este Vintage 2007 mantém a tradição da Niepoort de criar Portos equilibrados, com grande concentração sendo simultaneamente finos e delicados.

Depois de alguns Invernos severamente secos, o Invernos de 2006/07 foi adequado para recolocar as reservas de água no solo no seu ponto perfeito. Em 2007 as vindimas começaram na histórica adega de Vale de Mendiz em 14 de Setembro, 6ª feira.
Apesar de uma breve tempestade em 16 de Setembro e leves chuvas no final do mesmo mês, a vindima decorreu em condições excelentes. Os mostos em fermentação exibiam já cor muito carregada e densa, e uma acidez natural muito boa, evitando grandes correcções ácidas.
A nota de prova é a que se segue:

Niepoort Vintage 2007
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz e outras - Estágio: 2 anos em tonéis de madeira antigos - 20% Vol.

Tonalidade ruby bem escuro de concentração alta.

Nariz a perfilar um conjunto coeso, fresco e pleno de finesse, com aroma a mostrar muita fruta madura (futos do bosque, bagas), a gulodice da compota à espreita, especiarias doces (canela, cravinho), vegetal seco (esteva) a recortar com algum floral (violeta) em fundo mineral. Vai dando voltas numa toada oscilante entre o morno e o fresco, diga-se que muda como o tempo, morno de manhã e frio à noite, e o reboliço no copo torna este vinho frenético, despontando novos detalhes (toques de cacau fresco, chá preto e fumados) encerrados quase como numa caixa de pandora.

Boca com ataque de fruta madura e suculenta, quase no formato de tarte de frutos do bosque, com toques frescos, num todo coeso e que mostra harmonia ao lado de austeridade, quase como um colosso bailarino, dando passos ligeiros e elegantes, apesar de toda a sua opulência e magnitude. A sua passagem é por isso delicada mas sentida, com toques de bela vivacidade/frescura que tanta alegria transmite ao conjunto. Transporta na boca os aromas de nariz, sendo de igual modo amplo e complexo, mas ao mesmo tempo fresco e com ligeira secura vegetal no final de boca, de persistência alta.

Um vinho que com toda a complexidade que encerra, por vezes torna-se surpreendente a facilidade com que se nos dá a entender. Dá um prazer imenso se bebido agora, mas certamente se entenderá que está preparado para uma longa guarda, onde certamente irá brilhar novamente em altura própria.
18,5

22 junho 2009

Esporão Reserva branco 2008

O Grupo Esporão, onde a Finagra S.A. passou a denominar-se Esporão S.A, renovou a identidade do vinho Esporão Reserva, no seguimento do rebranding dos produtos da Herdade do Esporão e que é agora divulgada com a nova colheita de branco 2008. José Pedro Croft foi o artista plástico convidado para ilustrar o novo rótulo, numa aliança entre o vinho e a arte, que desde 1985 representa o carácter único da marca Esporão.
Os elementos gráficos que compõem o rótulo de Esporão Reserva foram reorganizados, com o objectivo de enfatizar a marca, o nome do produto, a sua especificidade e o ano de colheita. A nova proposta visual, integrada e clara, permite a harmonia entre a identidade do vinho e a intervenção do artista.

O artista inspirou-se “na complexidade de aromas, sabores e cores que diferenciam o vinho Esporão Reserva para criar um rótulo exclusivo, de desenho geometrizado e policromático”

Recorde-se que, desde 1985, ano da primeira colheita de Esporão, mais de 23 artistas deram o seu contributo para os rótulos deste vinho intimamente ligado às artes: António Ole, Armando Alves, Artur Bual, Costa Pinheiro, Dórdio Gomes, Gabriel e Gilberto Colaço, Graça Morais, Guilherme Parente, João Hogan, José de Guimarães, José Manuel Rodrigues, Julião Sarmento, Júlio Pomar, Júlio Resende, Luís Pinto Coelho, Manuel Cargaleiro, Mestre Isabelino, Pedro Cabrita Reis, Pedro Calapez, Pedro Proença e Rubens Gerschman.

Esporão Reserva branco 2008
Castas: Antão Vaz, Arinto e Roupeiro - Estágio: Barricas novas carvalho francês e americano - 14% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de concentração média/baixa.

Nariz que entra com fragrância fresca e citrina (limão, toranja), com vegetal fresco (relva cortada) e novamente com fruta bem madura a fazer lembrar, banana, abacaxi, pêssego e melão, por algumas vezes a parecer envolto em calda. A barrica está muito bem trabalhada, não afagando a fruta mas sim compensando a mesma com uma belíssima base de apoio, permite sentir-se a frescura ao mesmo tempo que aporta baunilha e torradas. O tempo em decanter faz-lhe bem, tal como num copo largo para permitir que com o tempo exale aromas de flores brancas com fundo mineral

Boca com corpo bem delíneado e uma acidez a aportar bastante frescura que contrabalança com os toques derivados das madeiras por onde passou. Espacialidade média com a fruta ao nível de nariz a marcar presença, juntamente com vegetal fresco e mineralidade em fundo, de persistência final média.

Marca sólida ao longo dos tempos, que tem sabido refinar o seu perfil ao gosto dos consumidores, mas sempre sem perder a sua identidade. Bastante agradável neste momento, mas também dá segurança para uma guarda a curto/médio prazo. Será sempre um valor seguro no que toca a qualidade, com produção avantajada que permite o fácil acesso um pouco por todo o Portugal. Acompanha muito bem um leque variado de peixes no forno ou na grelha, desde a Dourada ao Bacalhau, podendo-se optar por uma salada de frango com molho de iogurte e cebolinho. 16,5

19 junho 2009

Bucellas & Collares Centenário 2007

Para comemorar os cem anos das regiões demarcadas de Bucelas e Colares, foi produzido um vinho branco em conjunto pela Companhia das Quintas e a Adega Regional de Colares, numa edição limitada de três mil garrafas, concebida a partir das castas emblemáticas das duas regiões: Arinto de Bucelas e Malvasia de Colares, que tem como objectivo transmitir a personalidade e excelência dos vinhos das duas regiões, surgindo assim o Bucellas & Collares, vinho branco regional Estremadura 2007.
Bucelas e Colares são duas das regiões demarcadas mais antigas do mundo, comemorando este ano 100 anos de existência.

Como referido, as duas castas escolhidas são bem características de cada uma das regiões, a casta Arinto amadurece de forma sublime, mantendo sempre excelentes níveis de acidez natural que resultam num excelente potencial de envelhecimento. A Malvasia é uma casta nobre e autóctone plantada em pé-franco, nos característicos solos arenosos da Região Demarcada de Colares e é vindimada no final de Setembro, apresentado um uva com excelente acidez e grande equilibrio aromático.
As castas fermentaram separadamente sem interferência de madeira de carvalho e foram posteriormente loteadas. A escolha de uma percentagem de 50% de cada uma das castas no lote final mostrou-se mais equilibrada e a mais reveladora do carácter das duas regiões.

Bucellas & Collares Centenário 2007
Castas: (50%) Arinto e (50%) Malvasia - Vinificação: Fermentação lenta a temperatura controlada durante um mês em cubas de inox - 12,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de rebordo esverdeado.

Nariz de belo recorte aromático, com fruta de cariz tropical com bastante citrino, alguma pêra e pêssego bem maduros. Desabrocha para notas de flores brancas e vegetal fresco, com bastante mineralidade em fundo, como que a servir de suporte a toda a estrutura, num conjunto que mostrar requinte, harmonia, delicadeza e frescura.

Boca a apresentar-se com uma estrutura mediana, de consistência suave e fresca ao nível da fruta, assente novamente numa bela dose de mineralidade. Nota-se uma acidez de sensações citrinas, que revigora e dá alguma secura ao vinho durante a sua passagem, drop de limão e um ou outro toque de vegetal fresco em companhia de flores brancas, colocando uma boa harmonia entre a prova de nariz e a prova de boca, com final de persistência média.

É caso para dizer Parabéns a você, nesta data querida, em que se teve a boa ideia de se lançar este belo vinho que tão condignamente representa as duas regiões. Um vinho onde as duas castas se abraçam numa união muito feliz, resultante um conjunto de fino recorte, fresco, harmonioso e com um ligeiro toque salgado derivado da influência Atlântica na casta Malvasia. Acompanhou umas postas de salmão grelhado com batata sauté.
16,5

18 junho 2009

Soalheiro Primeiras Vinhas 2007

O vinho que agora coloco em prova é em meu ver um dos melhores vinhos brancos de Portugal, rivalizando com o que temos de melhor e obviamente que teria lugar marcado numa escolha tão apertada como por exemplo de 3 vinhos. O aviso já tinha sido feito com a colheita de 2006, com os resultados da primeira colheita de Soalheiro Primeiras Vinhas a mostrarem vontade e apetência para voos mais altos, assim o permitice a colheita, e em 2007 o pedido foi ouvido e a vontade tornou-se realidade.
Certamente não será obra do acaso, mas também vinhos com esta qualidade não é todos os dias que aparecem seja em que lugar for. Resta ao consumidor, regozijar-se com esta altíssima qualidade a um preço "louco" que ronda os 12-14€ em boas garrafeiras, e aqui convém lembrar que tantos outros vinhos que nem metade dos pergaminhos qualitativos que este apresenta, custam muito mais. Pode-se até mostrar o quão errado está a teoria defendida por muitos, que um vinho por ser "barato" não pode ter notas altas, em que aqui tudo é contrariado, o vinho em causa é na realidade mais barato que muitos outros e apresenta uma qualidade muito acima de tantos e tantos outros vinhos feitos em Portugal de preço bem mais elevado.
É de dizer que nunca o consumidor teve tanta facilidade de acesso a um vinho de alto gabarito como é este Soalheiro Primeiras Vinhas 2007.

Soalheiro Primeiras Vinhas 2007
Castas: 100% Alvarinho - Estágio: 15% fermentação em barrica usada - 12,5% Vol.


Tonalidade amarelo citrino de nuances esverdeadas.

Nariz de aroma refrescante e de belíssima intensidade, centrando-se numa fruta muito madura de altíssima qualidade, quase palpável, onde a tropicalidade do maracujá e abacaxi se misturam com a frescura dos citrinos. Todo o conjunto parece ser abraçado por uma fina e elegante mineralidade que balança com ligeiro vegetal fresco lá no segundo plano, desenvolvendo-se com tempo no copo e aumento da temperatura, uma sensação de untuosidade/cremosidade muito subtil. Um conjunto de belíssima sintonia e profundidade de aromas, mostrando uma complexidade fina e refinada, capaz de fazer as delícias dos menos atentos.

Boca de entrada fresca e mineral, com a fruta sumarenta a largar a alma de modo a que se entenda o que por ali vai passando. E se por um lado temos uma austeridade mineral a lembrar uma bancada de granito molhado, temos também o toque da acidez bem cítrica a acompanhar-nos durante toda a prova. Um vinho de aromas limpos e cristalinos, estruturalmente muito bem equilibrado e com uma animadora capacidade de evolução nos próximos tempos, revelando-se fresco e revigorante, saboroso e sedutor.

A qualidade está patente por todo o lado no que toca à prova deste Alvarinho de luxo, podendo ser consumido desde já ou guardado durante mais uns bons anos, a exemplo do Soalheiro Alvarinho. É uma compra mais que obrigatória, que se portou muito bem na companhia de uma boa variedade de bichos do mar.
18

17 junho 2009

600 Altas Quintas 2007

É o novo vinho do produtor Altas Quintas (Portalegre), que invoca no seu nome a altitude onde estão situadas as vinhas que lhe dão origem, neste caso 600 metros.

600 Altas Quintas 2007
Castas: Aragonês e Alicante Bouschet - Estágio: n/d - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média.

Nariz perfilado nos aromas de fruta bem madura (morango, framboesa, amoras) e fresca, com toques de ligeira compota. No plano vegetal/floral surge mato rasteiro da Serra, rosmaninho, alfazema, alguma especiaria e um toque de caramelo de leite, com folha de eucalipto em fundo. Tudo bem ligado em mediana complexidade, num conjunto aprazível e bastante bem conseguido como tem vindo a ser apanágio da casa.

Boca de mediana estrutura, sente-se de imediato o toque macio da fruta ao lado do vegetal e das especiarias. Frescura que se interpõe entre as variadas sensações, com ligeiro toque de fumo em fundo e sem esconder uma pitada de bálsamo vegetal, em final de boca de persistência média.

Situado num patamar de entrada de gama, colocando-se abaixo do Crescendo, nota-se que o vinho não tem todo o potencial do referido, faltando-lhe mais "substância" mas que não inviabiliza uma belíssima prestação a sensivelmente metade do preço (4-5€).
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Casa de Canhotos Alvarinho 2008

Em tempos longínquos, num lugar chamado ''Canhotos'', foi construída uma casa que durante muito tempo foi a única a existir nesse lugar, e que a população apadrinhou de ''Casa de Canhotos''. Inicialmente a área adjacente, a esta casa, era formada essencialmente por campos agrícolas, mas com o passar do tempo, e com o aparecimento das várias Adegas Cooperativas, resolveu-se plantar vinhas como meio de subsistência para a região.
É com o decorrer dos anos que as próprias Adegas Cooperativas, tiveram que arranjar forma de ''bloquear'' quer a inscrição de novos sócios, como também a elevada oferta que tinham, e começaram a retrair nos preços que ofereciam às uvas.
Foi a partir deste momento que em Agosto de 2006, Fernando Rodrigues, avançou com uma marca de alvarinho, e pelo facto de a maioria das vinhas serem circundantes à Casa de Canhotos, viria a atribuir-lhe o mesmo nome da casa.
Em prova a terceira edição do Casa de Canhotos Alvarinho.

Casa de Canhotos Alvarinho 2008
Castas: 100% Alvarinho - Estágio: inox - 13% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de concentração média/baixa

Nariz fino e pleno de juventude, fresco com as notas maduras da fruta (maracujá, maçã, nêspera e citrinos) a integrarem-se com flores brancas, vegetal fresco (rama, erva). Complementa-se com um suave rebuçado/drop, em conjunto aprumado e com elegância, mostrando até com alguma sobriedade, com ponta mineral em fundo.

Boca de espacialidade mediana com entrada fresca, acidez limonada a proporcionar bela dose de frescura, sentindo-se ao mesmo tempo a fruta presente, e os toques da mineralidade. Mais uma vez o estilo é sóbrio e elegante, com frescura e um final de boca de persistência média.

Um Alvarinho que se mostrou um pouco melhor que na anterior colheita, um pouco mais expressivo por assim dizer. O preço torna-o muito convidativo, pois ronda os 5€. É sem dúvida uma boa aposta para os tempos quentes que se avizinham, onde a prova de nariz se complementa com a prova de boca. Com 10.000 garrafas produzidas, é pena que não se encontre mais acessível ao público em geral.
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10 junho 2009

Redoma Reserva branco 2006

Desde que apareceu no mercado na colheita de 1995, o Redoma Reserva tem vindo a marcar colheita após colheita a sua posição como referência de qualidade na região (Douro) e mesmo a nível nacional. O segredo reparte-se entre a mestria da equipa de enologia e as vinhas, situadas entre os 400 e os 800 metros, esta altitude fornece à vinha um crescimento mais fresco, (em particular durante a noite), e uma maturação mais longa. Todas estas vinhas têm mais de 60 anos, e três delas têm mesmo mais de 100 anos de idade.
Um vinho de culto, com produção a rondar as 6.000 unidades, com preço na casa dos 30€, tornam este vinho uma compra mais que obrigatória.

Redoma Reserva branco 2006
Castas: Codega, Rabigato, Viosinho, Donzelinho, Arinto e outras - Estágio: 8 meses em barricas - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo dourado de média intensidade com leve reflexo esverdeado

Nariz a mostrar um conjunto delicado, de boa intensidade aromática, onde a fruta madura (presença tropical com fundo citrino e alguma fruta de caroço) e fresca se combina em plena harmonia com uma madeira acolhedora e muito prazenteira, a dar uma sensação de cremosidade a todo o conjunto (baunilha suave, amanteigado, torrada), desenvolvendo para vegetal fresco, floral , chá branco em final ligeiramente a recordar pederneira.

Boca de entrada fresca, com a acidez bem encastrada no conjunto de boa espacialidade, dando uma frescura que acompanha toda a passagem de boca repleta de finesse, numa forma harmoniosa e prazenteira. Equilibrado em todos os aspectos, sedutor é o que se costuma chamar, apelativo e a juntar fruta de qualidade com vegetal fresco, alguma especiaria (pimenta branca) e um final com boa persistência em toques de mineralidade.

Quem provou a anterior colheita, não consegue ficar indiferente ao provar este 2006, que a meu ver se mostrou um pouco mais afagado no seu conjunto. Continua apesar disso, um belíssimo vinho, cheio de requinte e de detalhes que fazem dele um vinho delicado e muito apetecível. Mas se a dupla Dirk Niepoort/Luís Seabra em anos de excepcional qualidade já se sabe como trabalha, em anos menos bons o resultado é este.
17

08 junho 2009

Soalheiro Primeiras Vinhas 2006

Nos dias de hoje já se contam como mais de 25, os anos em que a marca Soalheiro surgiu no mercado, com as primeiras vinhas a serem plantadas nos anos setenta, por João António Cerdeira e seu pai António Esteves Ferreira, em solos graníticos a uma altitude que varia entre os 100 e os 200 metros.
Símbolo de qualidade e invejável consistência colheita após colheita, piscando sempre o olho a uma boa evolução em garrafa, a marca Soalheiro é hoje em dia uma referência no que toca a Alvarinho e mesmo quando toca a falar em brancos de qualidade produzidos em Portugal.
Foi no ano de 2006 que em resposta a um pedido de colaboração na elaboração de um Alvarinho com madeira, feito pelo produtor Luís Cerdeira da Quinta do Soalheiro, a Dirk Niepoort, que este aceitou com a condição de o fazer ao seu jeito.
E foi pegando nas uvas das primeiras vinhas plantadas na Quinta do Soalheiro, que surge no mercado pela primeira vez este Soalheiro Primeiras Vinhas 2006, um vinho que já conta com a colheita 2007 no mercado nos dias que correm. Por enquanto deixo a nota deste 2006:

Soalheiro Primeiras Vinhas 2006
Castas: 100% Alvarinho - Estágio: 15% fermentação em barrica usada - 13%

Tonalidade amarelo citrino de média intensidade com ligeiro rebordo esverdeado.

Nariz assente em boa dose de mineralidade, com fruta de qualidade e bem madura (pêssego, lichia, e algum citrino em vertente mais limonada) a surgir de imediato, ao lado de um rasgo de flores brancas que se juntam ao conjunto, de moderada exuberância. O vinho mostra-se com algum vigor, pleno de harmonia e frescura, com toque petrolado a contribuir para a delicada complexidade que apresenta. Com tempo vai-se acomodando no copo, parece que nos quer bindar com sensações de arredondamento, direi até de algum cheiro a torradas, mostrando sinais de fumo em fundo com sensações de pederneira.

Boca de entrada focada na mineralidade e na fruta, destacamdo-se bem mais os citrinos (laranja, limão), com a fruta de polpa branca a recair para o segundo plano. Mostra uma boa espacialidade, com passagem de boca revigorante e plena de jovialidade, em final de boca de persistência média/alta com apontamento mineral.

Para todos aqueles que já conhecem o vinho Soalheiro Alvarinho, encontram neste Primeiras Vinhas um conjunto mais delicado e um pouco menos directo, onde se constata uma maior profundidade de aromas e mesmo um refinamento mais delicado dos mesmos. O resultado é um Alvarinho luxuoso, que apetece beber mas que nos avisa que com o tempo em garrafa pode ficar ainda melhor, como é apanágio deste produtor.
Com um preço a rondar os 15€, este vinho torna-se uma compra mais que obrigatória, para a mesa ou para guardar.
17

04 junho 2009

Pêra Manca branco 2006

Este clássico do Alentejo, é produzido em Évora na Adega da Cartuxa desde o ano 1990, tal como o seu parente tinto. São vinhos que souberam ganhar ao longo dos anos uma elevada cotação no mercado, dada a consistência da qualidade que apresentam durante a passagem das várias colheitas. O certo secretismo que envolve ainda hoje o saber se determinado ano é destinado a Pêra Manca ou não, adensou ainda mais o respeito e admiração pelo vinho, tornando-se objecto de culto a nível nacional, e também com a consequente procura de que é alvo, num dos mais caros vinhos de mesa português.
A versão branco sempre ficou um pouco na sombra dos holofotes do tinto, o que nem assim lhe tira todo o mérito conquistado ao longo dos anos, mostrando-se sempre com uma boa apetência para uma guarda prolongada em garrafeira.
O tradicional lote Antão Vaz/Arinto foi o adoptado por este vinho, talvez seja este vinho o fiel exemplo do bom entendimento entre as duas castas, sendo que nos primeiros anos se viram afastadas de qualquer contacto com madeira, coisa que viria a mudar com a mudança da equipa enológica e mesmo com a mudança de visual, a nível de garrafa e mesmo de rótulo.

Pêra Manca branco 2006
Castas: Antão Vaz e Arinto - Estágio:
10 a 12 meses em carvalho francês com 6 meses em garrafa - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino médio com toque amarelo palha.

Nariz a apresentar leve frutado com citrinos (limão,lima), fruta amarela e branca (pêssego, alperce, melão), tropical (banana), tudo em pendor fresco. Aromas discretos que nos levam a uma fragrância floral (flores brancas) e algum vegetal fresco (erva cortada). A madeira (baunilha, torrada) presente mostra-se em belíssima sintonia com todo o conjunto, num todo que ganha ligeira complexidade com o tempo num spa/copo adequado.

Boca de estrutura moderada, acidez presente a conferir frescura média, suave cremosidade/arredondado conferida pela madeira com notas frutadas ao nível do nariz (pêssego, limão). Sem grande espacialidade, mostra-se suave com toque de vegetal fresco e algum mineral em final de boca mediano. Na boca parece que lhe falta um pouco mais de presença, a passagem é algo fugaz e repentina com o final a mostrar ser um pouco melhor, terminando em trilho mineral.

Duas garrafas provadas e sinceramente esperava-se algo mais, a culpa será do ano certamente, quem acompanha de perto as colheitas deste vinho saberá entender o que quero dizer. Notei neste 2006 um conjunto delicado e algo apático, com alguma falta de presença na maneira como se expressa, o suficiente para não poder considerar todo o conjunto como Muito Bom, porque para o ser precisava de mostrar-se um pouco melhor a todos os níveis. Nariz delicada é certo mas com pouca definição nos aromas, a transmitir uma falta de motivação a nível de boca, que para um vinho deste suposto nível, resulta caro (preço entre os 18 e 27€) para aquilo que oferece ao consumidor. É um Pêra Manca armado em menino birrento que me deixou desiludido com a sua prestação
15,5

03 junho 2009

Joaquim Madeira branco 2006

Para falar do próximo vinho em prova, não vou certamente alongar com a história mais que repetida, uma e outra vez, de uma senhora que morava perto de Montoito, a Avó Sabica, mulher decidida que cultivou o gosto em produzir e beber bons vinhos na sua família, promovia uma saudável competição que basicamente se resumia a quem dos seus familiares fazia o melhor vinho em cada colheita. Tudo isto é passado e nos tempos que correm é a descendência que toma rédeas à Casa Agrícola Santana Ramalho, ou como é conhecida, a Casa de Sabicos.
Na recentemente alargada gama de vinhos, destaco o Joaquim Madeira branco da colheita 2006, um branco de uma linha experimental levada a cabo pelo Engº Joaquim Madeira e o enólogo Paulo Laureano, que viu o primeiro exemplar nascer na colheita de 2005, esgotando rapidamente na altura do seu lançamento. O vinho que funde duas fermentações distinas, junta a Antão Vaz e a Chardonnay fermentadas em barrica com a Arinto fermentada em inox, é sem sombra de dúvida um dos melhores vinhos brancos que se produzem actualmente no Alentejo. Para muitos este é um perfeito desconhecido, um branco que passa ao lado pela pouca notoriedade que lhe é atribuida quando no entanto a merece e bem, pois nele não moram modas mas sim algo mais importante e que hoje em dia, face aos copistas e modernistas, cada vez é mais dificil de encontrar... identidade/carisma.

Joaquim Madeira branco 2006
Castas: 50% Antão Vaz, 45% Arinto e 5% Chardonnay - Estágio: Antão Vaz e o Chardonnay fermentaram em barricas de carvalho francês. O Arinto fermentou em depósitos de inox. - 14% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de concentração mediana com ligeiro apontamento dourado.

Nariz a mostrar-se com conjunto de aromas bem aprumado e não muito expressivo, digamos que mais sério e cordial, apresentando uma boa dose de fruta madura (ananás, melão, lima, nêspera) nada pesada e com bom entendimento com a madeira (não dominadora). Sente-se frescura a contrabalançar com a suave cremosidade (amanteigado e tosta), desenvolvendo tudo isto com umas voltinhas no copo, a que se juntam aromas florais e mineralidade em fundo.

Boca bem estruturada, num vinho com acidez a conferir frescura em boa dose, que acompanha os sabores conferidos pela fruta e pela madeira. Tudo muito bem posicionado, passagem de boca harmoniosa e com alguma untuosidade, toque de vegetal fresco, num todo agradável e de bom nível, com final de persistência mediana.

São 5.000 garrafas de um vinho que se apresenta com seriedade no trato, bem feito e que não vai nas cantigas dos facilitismos. Sente-se o papel desempenhado por cada uma das castas que dele fazem parte, cheio de personalidade e que se pode comprar por menos de 10€ (esta custou 9,40€). Com a colheita de 2007 já no mercado, será alvo de prova muito em breve.
16,5

02 junho 2009

Almirez 2007

O vinho aqui em prova é a mais recente aposta em terras de Toro, levada a cabo pelo prestigiado Grupo Eguren, que depois de vender a Bodega Numanthia Termes ao grupo LVMH (Louis Vuitton, Moët, Hennessy), volta à carga com os novos vinhos da sua nova bodega em Toro, Teso la Monja.
Tive oportunidade de estar na apresentação deste vinho, que decorreu em Zamora, onde também foram apresentados os seus irmãos mais velhos provenientes de Toro, o elegante Victorino e o portentoso Alabaster. Mas centrando as atenções neste Almirez, um vinho criado a partir de vinhedos próprios com idades que variam entre os 15 e os 35 anos de idade, localizados em Valdefinjas e Toro.
As diferenças para o trabalho que anteriormente foi feito, é que desta vez no Teso la Monja temos direito a um vinho de entrada de gama, com um preço muito mais que acessível, com o cunho de qualidade que acostumou o grupo Eguren.
Como nota curiosa, a palavra Almirez provém do Árabe "al-mirhäs" e é um pequeno morteiro utilizado na cozinha para moer alhos, especiarias, sementes...

Almirez 2007
Castas: 100% Tinta de Toro - Estágio: 12 meses em 30% de barrica nova de carvalho francês e 70% em barrica de 1 ano. - 13,5% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média.

Nariz onde o que destaca inicialmente é a qualidade e intensidade da fruta (frutos do bosque), madura, fresca e ao mesmo tempo com toque guloso de compota e notas licoradas. Madeira presente mas discreta, contribuição sustentada nos toques de baunilha, café torrado, especiarias e um conjunto que no seu jeito graxista/envolvente, ainda mostra alguns sinais de ligeira austeridade, sinais de que mais tempo em garrafa lhe faz falta.

Boca com ataque conquistador, é do estilo deixem passar que ele é que manda, a fruta ao querer-se trincar explode na boca com toques de café torrado e licor de frutos do bosque. Bem estruturado e apesar de firme, nota-se com corpo mediano, mas não convém esquecer que apesar de tudo este é o entrada de gama, e pelo que apresenta, está de parabéns. Tudo muito convincente, frescura a contrapor a dosagem da fruta, tudo sem ser abusivo ou austero, a passagem de boca apesar de ter algum "caudal" mostra já certa afinação entre fruta e taninos, com final de boca onde os toques de café torrado se mostram novamente, em média persistência.

É uma belíssima estreia este Almirez, com alguma margem de progressão em garrafeira, fiel à casa e à região, valor seguro para agora ou daqui a uns anos. Preço a rondar os 15€, e a deixar vontade de provar os vinhos que a ele se seguem na escala da qualidade, com próxima paragem lá para Setembro na saída do Victorino 2007.
16,5
 
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