Copo de 3: Cantocuerdas Albillo de Bernabeleva 2007

03 Junho 2011

Cantocuerdas Albillo de Bernabeleva 2007

Um branco complicado e que certamente não irá ao encontro do gosto da maioria, sério, diferente, desafiante e acima de tudo, um branco feito com uma variedade branca que nunca tinha ouvido falar até então, a Albillo. Esta casta autóctone da zona de Madrid costuma dar vinhos corpulentos, glicéricos, gordos e com carácter, pecando na falta de acidez, é a estrela deste Cantocuerdas 2007, produzido pelas Bodegas Bernabeleva, já aqui falada com o seu tinto de 2007. Tinha aberto uma garrafa junto com amigos e a coisa tinha corrido bem, primeiro ficou-se a olhar para a garrafa, depois para o copo e a conversa fluiu, no final o vinho agradou a todos, se bem que na molhada não lhe consegui tirar as medidas como queria, foi preciso nova prova e abri nova garrafa para ver como se comporta este magano.

O aroma é intrigante com algum atrevimento, diferente do normal, nota-se que passou por barrica mas sem grandes atributos cheirosos a verdade é que não é de grande espalhafato, embora todo ele muito selecto, notei um travo vegetal com fruta entrelaçada (citrinos, melão, maçã), tudo ainda muito green and fresh... desde o chá verde ao cheiro da relva verde acabada de cortar no jardim, pois com o fundo bem mineral como não podia deixar de ser. O vinho é daqueles que pede tempo e tempo e tempo, branco para ser decantado... fiz-lhe a vontade e não me arrependi, voltou melhor, em que começa a despontar um leve melado, um bocado subido no tom. É na boca que a coisa dispara, parece um berlinde de vidro enorme e frio, redondo, opulento, preenche bem o espaço à sua volta, com enorme capacidade refrescante, também é seco... e volta ao encontro da prova no nariz, com o vegetal a dominar com ajuda do sabor a fruta em fundo mineral. O final é prolongado e saboroso, todo ele acaba como começou... misterioso. A leve nota oxidativa que se começa a levantar dá-me sinal de que tudo vai começar a mudar... falta saber como irá estar daqui por mais uns tempos.

Ao provar novamente este vinho lembrei-me vagamente de um estilo de brancos da Borgonha que provei recentemente num Another Big Day em terras Durienses. Da minha parte aprovei com distinção este Albillo, um branco que ronda os 15€ e oferece aquilo que muitos procuram, identidade fortemente marcada num vinho distinto e em tudo original... 16,5 - 91 pts

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